Crítica: Bojack desconstrói seus vícios em temporada final

Sucesso improvável da Netflix lança última temporada

Alguns anos atrás, se me falassem que uma série animada sobre um cavalo seria a série mais reflexiva e impactante da Netflix, eu diria que é mentira. Com ajuda das redes sociais e de uma preocupante identificação do público jovem, Bojack Horseman se tornou um hit com um papel social de grande importância: seus debates se provam cada vez mais relevantes a cada ano. Para sua última temporada, uma pergunta ecoa entre os fãs do problemático cavalo: teria ele salvação?

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O texto da animação segue sua linha erroneamente não premiada: um retrato fiel e alegórico de um homem que, mesmo quando empossado de boas intenções, só faz errar consigo e com seus chegados. No momento em que Bojack busca sua redenção, vemos uma jornada despida de egocentrismo, como outras aventuras do cavalo.

Na procura por sua “cura”, o ex-famoso toca em momentos chave do seu passado, na tentativa de construir uma resposta. Seus traumas, frustrações e decepções se misturam ao vicio e criam o que hoje conhecemos como Bojack. É forte, claro, e ainda assim, tratado de uma forma leve. O clima ainda tranquilo dos novos episódios mostra o atual espírito de seu protagonista: não importa o peso que carrega, sua visão está condicionada a tentar ver o lado positivo.

Uma busca por felicidade

Além disso, os personagens de Bojack Horseman, desde o começo da série, vivem uma tristeza generalizada. Seja a forma mais clara da tristeza, apontada no protagonista, ou na figura de uma pessoa que se afoga em trabalho para evitar sua vida real, como a Princesa Carolyn.

Com um senso de conclusão, a nova temporada aborda uma grande procura por felicidade. Todos se encontram realizando as coisas que sempre quiseram fazer, mas algo os impedia – eles mesmos, talvez. A vantagem dessa nova direção narrativa são os episódios focados em algum dos coadjuvantes, algo difícil de se fazer, principalmente quando o público está tão envolto e dedicado ao plot principal, o do protagonista. O que se observa é que a construção do personagem, fruto de anos de bons roteiros e temporadas bem construídas, deram frutos de altíssima qualidade.

Ademais, essa série tem como tradição terminar seus episódios deixando o público com alguma reflexão nos seus colos. Nessa primeira parte da sua despedida, Bojack nos pergunta se estamos fazendo o que nos faz bem. Estamos nos perdoando pelos erros do passado? Estamos passando tempo com as pessoas que realmente precisamos? Não é fácil. Com a metáfora presente na clinica de reabilitação, o cavalo nos lembra que lá fora é diferente. Podemos olhar, assistir, criticar. Na vida real, é mais difícil. Mas cabe somente a nós dar aquele primeiro passo, algo que fica claro ao longo dos rápidos oito primeiros-episódios.

Com um forte começo, a última temporada da maior série animada da Netflix promete emoções e resoluções. Um bom futuro espera o famoso cavalo das sitcons noventistas. Mas não sem antes enfrentar seu passado e se perdoar – e ser perdoado – por seus equívocos e falhas. Diferente do usual tom melancólico, Bojack agora nos convida a ter esperança. Será que ela durará?

Crítica da Temporada9.5
Crítica da sexta e última temporada de Bojack Horseman, da Netflix.
9.5
Guilherme Bezerra

Guilherme Bezerra

Pernambucano estudante de Jornalismo na Paraíba. 18 anos. Fã de séries antes mesmo de entender muita coisa que elas mostravam, aprendi inglês com How I Met Your Mother e a amar viagens no tempo com Doctor Who.

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