Crítica: Caos e emoção se destacam no 1×04 de New Amsterdam

Max precisou mobilizar toda sua equipe para gerenciar crise.

New Amsterdam apresentou agitado episódio…

Os primeiros episódios de New Amsterdam já deixaram bem claro que o ritmo da série será acelerado. Em “Boundaries”, porém, vimos um verdadeiro caos no hospital dirigido por Max Goodwin. E que episódio tivemos…

Elenco integrado na trama

Pela primeira vez na série, pudemos ver a interação de praticamente todos os membros do elenco numa mesma trama. Centrado na necessidade de suprir a carência de outro hospital, o episódio mostrou o trabalho em equipe e a tentativa de fazer o New Amsterdam seguir funcionando.

A integração do elenco foi bastante eficiente. Frome, Bloom, Kapur e Goodwin, dessa forma, interagiram com maior frequência. Eles tiveram de se virar para dar conta da alta demanda na emergência. Nesse ponto, tivemos alguns aspectos interessantes apresentados no episódio.

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O primeiro deles é o divertido impasse sobre qual ação Kapur deveria tomar com a atendente da lanchonete do hospital. Na construção de “arquétipos” em seus personagens, Kapur é apresentado como alguém atento à percepção dos pacientes sobre seus problemas. Além de eficiente em seus diagnósticos.

A situação com a paciente que se sentia “atordoada” remeteu à abordagem do médico no piloto, e parece ser sua marca como personagem. Ainda fica a curiosidade para o desenrolar de sua história com o filho, e, claro, com a atendente.

Outro aspecto positivo, mesmo que pontual, foi o retorno de Ron Rifkin como o dr. Fulton. Além de mostrar que o personagem pode ser mais presente, participação de Fulton o colocou no atendimento, indicando a integração de toda a equipe na solução da crise.

Bloom e Reynolds são aprofundados

Se nos últimos episódios foi dada menos atenção a Bloom e Reynolds, desta vez os vimos no centro da trama.

Bloom ainda não parece ter definido muito bem seu lugar na história da série, mas ganhou profundidade. O uso de Adderall, uma droga para déficits de atenção e melhoria de rendimento (alvo de muitas polêmicas nos EUA), pode dar espaço para uma ótima história à personagem.

A trama de Reynolds seguiu pelo lado profissional. Ter de carregar o responsabilidade de salvar o cirurgião do outro hospital apresentou uma face importante do personagem. Tudo isso, gerenciando as operações necessárias em seu próprio centro cirúrgico. Sua posição como mentor, e as incertezas quanto às decisões a serem tomadas, mostram um personagem mais complexo. Além disso, pode somar bastante à personalidade que está sendo construída para ele.

Ainda deveremos ver mais da relação entre os dois, que parece ter um caminho complicado pela frente. Importante o roteiro ter explorado outros aspectos além do impasse amoroso e étnico.

A emoção fica a cargo de Max e Sharpe

Ryan Eggold está à vontade no papel do protagonista. Seu carisma elevado ajuda a dar credibilidade à personalidade de Max, fazendo com o que seu lema (“Como posso ajudar?”) não soe forçado, mas como parte do caráter.

O início do episódio, ao som de “Hello my old heart”, deu o tom do momento de Max. Encruzilhado entre o trabalho e seu relacionamento, o protagonista parece estar cada vez mais propenso a se dedicar à esposa e ao bebê. Fico nervoso pelo fato de ainda não ter contado sobre o câncer, acho que haverá um twist em nossas expectativas nesse centro da trama. Espero que minhas impressões me enganem…

No trabalho hospitalar, Max novamente mostrou sua intenção de ajudar acima de tudo. Seu esforço para atender à moradora de rua e sua família foi interessante. Mas, novamente, indicou a dificuldade do protagonista em estabelecer suas prioridades. Acredito que o conflito principal da temporada estará nessa dificuldade em manejar a vida familiar, a prática médica, a gerência do hospital, e a própria saúde.

E o destaque ficou para…

Sharpe emociona ao lidar com a notícia da morte a uma criança.

Mas foi de Helen Sharpe, a oncologista, que veio o centro emocional do episódio. Tem sido interessante ver a mudança de personalidade da personagem, principalmente porque acontece a partir de experiências concretas, sem saltos de roteiro. Cada episódio molda um pouco mais a personagem.

A cena em que a oncologista assume o papel de contar à menina Tianna sobre o retorno do câncer, em estado terminal, foi emocionante. Dar a uma criança a notícia de que morrerá deve ser um dos maiores desafios de um profissional da saúde, e a cena foi elaborada de maneira correta. A celeridade do episódio deu lugar a um momento sereno, quase sem trilha, e um diálogo para chorar.

Sharpe tem tido uma mudança radical de personalidade, e deve assumir cada vez mais tempo de tela com o decorrer da temporada. Especialmente a partir do momento em que o câncer de Max se tornar um tema constante. A interação dos dois é muito boa, e facilmente assumirá destaque quando necessário.

New Amsterdam segue sua trilha sólida para conquistar a audiência, nos oferecendo histórias não necessariamente originais, mas contadas de uma maneira interessante. Vejamos qual crise Max e sua equipe encarará na próxima semana.

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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