Crítica: Democracia em Vertigem, da Netflix, é um retrato envergonhado da vida real

Documentário da Netflix retrata governo petista no Brasil

Democracia em Vertigem já está na boca do povo. E isso só mostra que dentre todos os investimentos na área, os de 2019 têm sido bons para os documentários brasileiros. Depois do sucesso de Bandidos na TV, a Netflix lançou a atração que é um relato pessoal e íntimo dos eventos políticos que mudaram a história do Brasil. O documentário, que em momento nenhum esconde suas posições, não é um manifesto partidário. Entretanto, uma visão pessoal da frágil democracia brasileira.

Os personagens da narrativa, conhecidos e divisores de opiniões nacional, são mostrados de forma crua, sem o brilhantismo da televisão. De fato, os únicos que podemos ver interagindo diretamente com a diretora Petra Costa são os petistas – graças a uma das melhores partes do filme. Além disso, nos mostra os bastidores de momentos conhecidos e históricos –  e brevemente o atual presidente, Jair Bolsonaro.

Imagem: Divulgação/Netflix

O complexo ser humano

Embora a principal presença seja dos políticos conhecidos por todos, a ideia é explorar o fato e as razões humanas por trás de todos os eventos no filme apresentados. Como um Brasil unido por uma causa em 2003 se torna a nação dividida de 2018? Talvez não tenhamos uma resposta exata. Porém, podemos acompanhar essas mudanças de um ponto de vista novo, que é uma experiência sempre valida.

A brilhante diretora, Petra, não se acovarda se escondendo atrás de uma máscara de imparcialidade. Bem como, ao contrário, deixa claro desde o começo sua visão, direta ou indiretamente, sobre as situações apresentadas. Inclusive, revela o seu voto na ex-presidente Dilma Rouseff, por exemplo. Isso, em momento nenhum, diminui o valor ou o alcance do longa. Que não haja confusão, o filme não é feito somente para olhos petistas, mas certamente pede olhares sem ódios (de ambas as partes).

Propositalmente, o filme causa desconforto em diversos momentos. Quase como um terror, mas da vida real. Busco acreditar que as situações apresentadas apelam para nossa humanidade e que irão incomodar a todos os olhares. Além disso, de qualquer lugar do espectro ideológico. Em momentos assim, desejo poder ver o documentário com outros olhos, de uma pessoa de ideias diferentes mas que compartilhe comigo a humanidade. Idealmente, um cenário caótico, assim, deveria ser motivo de incômodo para todos.

Imagem: Divulgação/Netflix

Um chamado para a empatia

Como já citado, um dos grandes triunfos do Democracia em Vertigem é apresentar o que aconteceu por trás de momentos icônicos. Tais trechos incluem a prisão de Lula e a votação do impeachment de Dilma. Os dois personagens têm em comum o fato de serem odiados por boa parte da população. No filme, são vistos em momentos e em reações comuns ao ser humano que causam – ou deveriam causar – empatia de quem assiste.

Ao analisar com os olhares de hoje em dia, a agressividade em cena ainda é chocante. Como o ser humano que vive e reage aos eventos políticos é o verdadeiro centro de discussão do documentário, também deve ser o centro da analise. Esquerda ou direita, liberais ou socialistas. O filme tenta mostrar que em algum momento o brasileiro se perdeu e a agressividade não é a solução para manter uma democracia saudável.

No mundo perfeito, o filme leva todos os brasileiros, com todas as suas diferenças, a mesma pergunta: como chegamos nesse ponto?

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Nota do filme10
Crítica do documentário Democracia em Vertigem, da Netflix.
10
Guilherme Bezerra

Guilherme Bezerra

Pernambucano estudante de Jornalismo na Paraíba. 18 anos. Fã de séries antes mesmo de entender muita coisa que elas mostravam, aprendi inglês com How I Met Your Mother e a amar viagens no tempo com Doctor Who.

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