Crítica: Desde assédio até brutalidade policial, 2×05 de The Good Fight é tudo o que a TV precisa

Day 436 The Good Fight
Day 436 The Good Fight

Imagem: CBS All Access/Divulgação

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Quando o movimento #MeToo começou a ganhar as manchetes e o Mix de Séries noticiava diariamente a queda de grandes nomes da indústria, fiquei preocupei com o futuro. Não só pelo impacto que a nova realidade teria no mundo real, como também pela forma na qual Hollywood trabalharia o tema. Colocando em perspectiva as escorregadas para falar sobre depressão, autismo e bipolaridade, é fácil imaginar os erros que poderiam ser feitos ao propor uma conversa honesta. Para meu alívio, a PBS foi a única a produzir conteúdo relacionado ao tema. Até agora.

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Day 436 The Good Fight

Imagem: CBS All Access/Divulgação

Confesso que fiquei preocupado quando soube que a proposta de The Good Fight era de trabalhar uma temática tão densa, peculiar e cercada de armadilhas de uma maneira “honesta”. Para tal abordagem, precisa-se de tempo, de inteligência e sensibilidade. É verdade que o casal King já demonstrou ter tais qualidades ao trabalhar a disfuncionalidade de Washington D.C. na incompreendida BrainDead, ou até mesmo na forma deliciosa na qual adaptaram o escândalo do ex-governador Rod Blagojevich na última temporada de The Good Wife. Porém, falar de assédio sexual em tempos tão polarizados é um desafio para os roteiritas mais experientes que a indústria já viu.

Espantando qualquer controvérsia e polêmica junto aos telespectadores mais sensíveis, The Good Fight mostrou mais uma vez o porquê é um dos principais dramas na televisão no momento. Em Day 436, vimos o roteiro abordar uma temática complicada da forma mais honesta e interessante possível. Vimos a questão ser analisada de vários ângulos, pois há necessidade para tal. Será que preservar o devido processo legal significa duvidar da vítima? O que fazer quando uma denúncia é anônima? Ela tem credibilidade?

Sim, há mais camadas!

Outra situação que me chamou atenção foi a dúvida (proposital) gerada no telespectador a partir da introdução de uma suposta conspiração da alt right, ou direita alternativa, para derrubar o assediador em questão. Essa história não é apenas muito interessante do ponto de vista da narrativa, mas também por inspirar-se num caso real. Recentemente vimos o agora ex-Senador Al Franken (D-Mn) renunciar após acusações de assédio sexual. Entretanto existe uma certa suspeita que o controverso Roger Stone estaria incentivado certas vítimas a “contarem suas histórias”.

Há um mérito e um problema de perspectiva quanto às várias frentes que o roteiro quis trabalhar. Confesso que não entendi a  vontade de tratar sobre brutalidade policial ao mesmo tempo que desenvolvem a questão do assédio. Ao meu ver tal proposta precisa de um episódio solo. Principalmente ao colocarmos em perspectiva que estamos falando da polícia da Chicago. Aprecio a vontade e as boas intenções, mas no momento pareceu-me um pouco apressado, exagerado e desnecessário.

A divertida participação de Andrea Martin, me fez lembrar que a NBC me deixará muito feliz caso decida renovar Great News para mais uma temporada. No entanto, tenho uma reclamação a fazer. Muito séria, na verdade. Peço que não comparem, nunca mais, Nancy Pelosi com Bernie Sanders. Há uma grande diferença entre a primeira mulher a comandar a Câmara dos Deputados e ser líder da comunidade LGBT com um senador que fez.. Então, por favor, não façam isso.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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