Crítica: Final definitivo ou não, 2×22 de Designated Survivor é um presente para os fãs

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Imagem: ABC/Sven Frenzel
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Imagem: ABC/Divulgação/Sven Frenzel

Ponto final.

Para quem acompanhou meus comentários nos últimos meses, sabe que não estava contente com Designated Survivor. Na verdade, uma frustração que combinava-se com preocupação e tédio. Sei do potencial que essa produção possui, por isso vejo o recente cancelamento com tristeza, mas com sobriedade porque a justificativa da ABC para cancelar foi coerente e exatamente o que venho falando a algum tempo. Não entendam esse meu conformismo como arrogância, até porque eu acredito que merecíamos uma conclusão, mas colocando a jornada até aqui vejo esse Series Finale como compressível.

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Imagem: ABC/Divulgação/Sven Frenzel

Quando um dos territórios dos Estados Unidos no Pacífico quer seguir sozinha, a Casa Branca quer impedir que o governador assine a declaração de independência. Com isso, Kirkman envia Leroy e Seth para a fictícia ilha em busca de apagar o incêndio. O problema é que enquanto eles tentam resolver um problema, uma tsunami atinge o local e transforma um destino paradisíaco de turistas numa zona de guerra. Em Washington, o presidente continua sem saber qual será seu futuro político uma vez que procurador geral vai indiciar o chefe do executivo por obstrução de justiça e outros crimes. Por fim, em Londres Hannah vai descobrir que Damian era um homem realmente extraordinário.

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Assuntos importantes, mas que ninguém se importa.

Logo nos primeiros minutos de episódio entendemos qual será a problemática: os territórios. Isso porque para quem não sabe, os Estados Unidos tem cinco territórios habitados e outros onze não habitados. Suas necessidades nem sempre são lembradas já que não votam para presidente ou possuem membros no congresso nacional com poder de voto. Embora sejam cidadãos americanos e declarem impostos à união, são tratados como uma espécie de segunda classe. Porto Rico, atingida há quase nove meses pelo furacão Maria, sequer tem uma iluminação de qualidade. Guam foi ameaçada pela Coréia do Norte, mas Donald Trump viu uma excelente oportunidade de promover turismo na ilha.

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Pode parecer desnecessário do ponto de vista brasileiro haja vista que não temos territórios desde a constituição de 1988. Porém, peço que pensem na ideia de morar no meio do Pacífico, não ter voz na hora de escolher o próximo presidente do país e ter utilidade apenas quando o assunto é estratégia militar. É claro que o roteiro não é ambicioso para ir além do mais do mesmo e discutir orçamento, defesa e (principalmente) como que os territórios se toraram territórios. Acreditem quando digo que essas histórias são fascinantes. Não tanto quanto das Malvinas, ainda mais se você questionar um argentino, mas recomendo uma leitura sobre Porto Rico e outras.

Outra questão importantíssima discutida aqui é o poder que o presidente possui ao declarar guerra. Num dos diálogos o telespectador descobre (ou é lembrado) que não há limites na AUMF (Authorization for Use of Military Force; Autorização do Urso de Força Militar) aprovada em 2001 e 2002. Até que ela seja revogada, o chefe do executivo pode fazer qualquer coisa em “nome da segurança nacional”. Percebe o quanto isso é perigoso? Principalmente num momento em que há um presidente instável sentado no salão oval.

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O gancho.

Os minutos finais foram surpreendentes. Seja pela revelação de quem é o traidor ou pela decisão de Kirkman. Não sei se torço por uma terceira temporada. Estou ciente que a Netflix pode lhe dar uma sobrevida, mas com isso uma nova troca de showrunner. Seria o quinto em apenas três anos. Como disse no parágrafo introdutório, adoraria saber como que essas tramas se encerram. E se Kirkman, respaldado pelas urnas, conseguiria consertar Washington sem as amarras partidárias. Caso esse seja o final definitivo, posso dizer que mesmo bufando em alguns momentos, não me arrependo de assistir Designated Survivor.

E você, o que achou do final? Diga-me nos comentários.

Catarinense e bacharel de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.