Crítica: Em um retorno elaborado, Jessica Jones busca redescobrir todos nós

Imagem: IGN/Netflix/Divulgação

“And I always deal with threats head on. Meaning I punch them in the head until they’re unconscious.”

Como eu senti falta disso. Talvez a melhor maneira de começar a falar sobre a premiere da segunda temporada dessa maravilha que é Marvel’s Jessica Jones seja essa. Uma trilha sonora espetacular, uma paleta que traduz toda a atmosfera não só da maravilha que são os quadrinhos do selo Marvel NOW! e a simplicidade quase que perfeita da nossa detetive boca suja, beberrona e rainha de nossos corações.

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Esse sentimento de nostalgia sendo gratificada, de expectativa sendo atendida nos encontra desde a abertura. O clima noir, a estética de uma Nova York cartunizada fundida ao soturno que só Hell’s Kitchen tem e a narração dotada de um humor negro e cínico de nossa heroína foram quase que um colírio para o espectador.

E não se engane. Essa é a Jessica Jones que nós deixamos no fim da temporada passada, acrescentando a nova realidade da Alias Investigations.

É também a mesma Jessica Jones que vimos lutar e quase perder tudo no confronto com o Tentáculo. E nada deixa isso mais claro do que o diálogo inicial na pizzaria. Porque no momento em que a senhora oferece o triplo, por mais que nossa heroína não seja uma assassina, vemos o mesmo jogo de brilhantismo, de uma filmagem que nos induz a pensar na imoralidade. É claro que a saída encontrada por Jessica foi muito melhor, mesmo assim, essa atmosfera não pode ser negada.

Imagem: Youtube/Reprodução

E é porque a nossa heroína está se questionando sobre essas coisas, sobre o papel que ela tem depois de tudo o que aconteceu que essas coisas não podem ser esquecidas. Há sim um inimigo. Tão perigoso e cruel quanto o próprio Kilgrave. Tão ameaçador para Hell’s Kitchen e o mundo quanto o Tentáculo. Mas o maior inimigo ainda é a indecisão. É o momento de silêncio e depois explosão em que é preciso decidir quem e o quê ela é.

Como um bom retorno, “AKA Start At The Beginning” não nos decepciona e traz o conjunto de informações que aguardávamos. Afinal, enquanto Jessica está lidando consigo, todas as outras vidas seguiram. Ver Trish encarnando Patsy somente para conseguir informações, Malcolm tentando melhorar como um investigador particular, Hogarth dando o seu discurso sobre não aceitar ser somente boa e empoderamento feminino, mas imediatamente decidir usar Cheng para seus meios próprios – mesmo que isso signifique estragar a vida de Jessica – deixam claro que ainda há muito para se viver.

Essa talvez seja a melhor maneira encarar isso…

Ainda estamos aqui. Tudo voltou. Todas as coisas que faziam de Marvel’s Jessica Jones uma verdadeira maravilha do streaming retornaram, com um porém: sem Kilgrave. A premiere foi muito felicita ao mostrar que até a ausência dele tem um poder devastador na vida de Jessica. E enquanto o conjunto das ações que pesa sobre ela começa a delinear uma nova jornada ao passado para lutar contra demônios que virão atormentar o presente, só podemos torcer para que consigamos chegar ao fim dessa jornada senão inteiros, mais resistentes.

Afinal, se até mesmo Frank Castle teve que aprender que vingança nem sempre significa libertação, esse começo mais alongado deixou fôlego para que a série mostre aquilo que tem de melhor: a jornada de Jessica para redescobrir quem é, redescobrindo a nós no processo.

Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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