Crítica: Fazendo graça com a realidade, The Good Fight foca nos coadjuvantes no 2×04

The Good Fight Day 429, The Good Fight 2x04
The Good Fight Day 429

Imagem: CBS All Access/Divulgação

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O som ao redor nunca foi tão sufocante!

Como venho dizendo desde quando essa temporada estreou, um dos maiores acertos de The Good Fight é a maneira sublime, inteligente e triunfal na qual consegue representar o que parte da população americana sente com o atual presidente. Sem contar com a tendência estranha de normalizar tudo sem ter vergonha. Será mesmo que um porco no jardim da Casa Branca está fora dos limites? Sinceramente, não sei mais. Todavia, esse som desagradável ao redor é acompanhado de ideias cada vez mais ousadas, interessantes e deliciosas. Tem como ficar melhor? Quando falamos do Sr. e da Sra. King, não há dúvidas.

The Good Fight Day 429

Imagem: CBS All Access/Divulgação

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Depois de focar em Diane no último episódio, Day 429 decide seguir por um caminho necessário: dar atenção aos coadjuvantes, cujas histórias seguem desmerecidas, mas são de suma importância para as narrativas principais. Começamos com Liz. Audra MacDonald finalmente consegue brilhar num caso interessante sobre discriminação no ambiente de trabalho. Todavia, não é qualquer caso e sim, de um professor que recentemente assumiu-se homossexual e curiosamente é o único negro do colégio.

A escolha faz com que o roteiro tenha fartas possibilidades de falar da importância do ensino público, do sistema conhecido como “escola autônoma” e da discriminação contra servidores públicos gays e/ou negros. Entretanto, o roteiro prefere contar com a inteligência do telespectador e se limita a ressaltar a importância do ensino público em bairros mais privilegiados. Fazer conexão com a secretária de educação, Betsy DeVos, e lembrar tudo que ela fez no Michigan não é uma mera coincidência. Confesso que senti falta da referência à lei aprovada em 2017 que proíbe discriminação contra pessoas LGBTQ no serviço federal. No entanto, os argumentos utilizados foram tão interessantes quanto.

Velhos personagens, ideias refrescantes…

Foi ótimo ver Mamie Gummer fazer uma ponta. Não só porque ela é espetacular sempre que faz esse papel, mas também porque me lembrou que sua mãe estará em Big Little Lies no ano que vem. É verdade que eu adoraria que eles tivesse levado esse caso para o tribunal, mas já entendi o valor que Audra terá em The Good Fight. O mesmo posso dizer de Maya, cuja participação estava limitada a pagar pelos percalços do seu pai, mas começa a aparecer como alguém digna da nossa atenção. Não sei se é pelo fato de estar ao lado de Marissa, mas desde o fechamento do ciclo anterior, ela tem se destacado de forma positiva.

Li comentários negativos acerca do retorno de Kurt (Gary Cole), mais conhecido como o grande amor de Diane. O porquê? Alguns leitores afirmam que o retorno dele faz com que a personagem volte a ser mais vulnerável e dê um pausa na fase do f***-se. Entendo, porém discordo. Mesmo que estejamos numa safra boa, porém tímida de mulheres fortes é de suma importância que elas tenham esse momento. É importância para formar uma relação com a telespectadora e dar mais verossimilhança.

Em suma, acredito que mesmo com certos problemas aqui e acolá, o roteiro continua maravilhoso. As situações são interessantes. O humor negro derivado da ironia é deliciosamente cômico. E o desenvolvimento dos personagens cada vez melhor. Se tiver que pontuar algo para melhorar, certamente seria de aumentar o tamanho dos episódios. Vida longa, The Good Fight!

https://www.youtube.com/watch?v=yUeN3mHjGPU

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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