As grandes comédias escrachadas praticamente desapareceram de Hollywood. Durante anos, filmes sobre amizades improváveis, irmãos briguentos e protagonistas completamente sem noção dominaram os cinemas. Hoje, esse espaço foi ocupado por blockbusters e humor repleto de referências. Little Brother, novo filme da Netflix estrelado por John Cena e Eric André, tenta resgatar justamente esse espírito.
O resultado está longe de ser memorável, mas entrega exatamente aquilo que promete: uma hora e meia de diversão despretensiosa para quem só quer desligar o cérebro e dar algumas risadas.
Little Brother sabe exatamente que tipo de filme quer ser
O roteiro de Little Brother não perde tempo tentando parecer mais inteligente do que realmente é. Desde os primeiros minutos, fica claro que a intenção é colocar dois personagens completamente incompatíveis dividindo a tela enquanto uma sequência de situações absurdas transforma suas vidas em um enorme desastre. E essa simplicidade funciona a favor do filme.
Em vez de buscar grandes reviravoltas ou mensagens profundas, Little Brother aposta no humor físico, nos constrangimentos e nas piadas exageradas. Algumas funcionam muito bem, outras nem tanto, mas o ritmo acelerado impede que o filme fique cansativo.
É aquele tipo de comédia que lembra produções como Quase Irmãos, Um Parto de Viagem e outras obras que marcaram o fim dos anos 2000.
John Cena e Eric André carregam praticamente o filme inteiro
Se Little Brother funciona, boa parte do mérito está em seus protagonistas. Eric André interpreta praticamente uma versão de si mesmo: caótico, imprevisível e completamente sem filtro. Seu estilo pode não agradar todo mundo, mas combina perfeitamente com a proposta do longa. Ele domina o humor corporal e transforma até pequenas cenas em momentos engraçados.
Já John Cena faz justamente o oposto. Seu personagem vive tentando manter tudo sob controle, o que cria um contraste perfeito com a energia completamente desgovernada de André. A dinâmica entre os dois rende as melhores cenas da produção e faz o espectador comprar rapidamente essa relação improvável.
É uma parceria que sustenta o filme mesmo quando o roteiro começa a repetir situações já bastante conhecidas.

O filme diverte, mas nunca vai além do básico
Little Brother até tenta inserir temas como família, autoestima e a necessidade de abandonar as aparências para viver relações mais sinceras. O problema é que essas ideias aparecem apenas de maneira superficial.
Nada chega a emocionar ou provocar alguma reflexão maior. Os conflitos existem apenas para ligar uma sequência de piadas à outra, e isso faz com que o filme termine exatamente da mesma forma como começou: divertido, mas esquecível.
Essa talvez seja sua maior limitação.
Não existe nenhuma cena realmente marcante ou uma construção que faça o público lembrar do longa alguns dias depois.
Vale dar o play em Little Brother?
É bom saber as expectativas em torno de Little Brother, antes de dar o play. O filme não pretende reinventar a comédia nem disputar espaço entre os melhores filmes da Netflix. Sua missão é muito mais simples: fazer o público rir durante pouco mais de uma hora e meia.
E, nesse aspecto, ele cumpre o objetivo.
Nem todas as piadas acertam, algumas situações são previsíveis e o roteiro poderia explorar melhor seus personagens. Ainda assim, a química entre John Cena e Eric André faz o filme funcionar na maior parte do tempo.
No fim, Little Brother é aquele típico “filme de sexta-feira à noite“: você assiste, se diverte, ri em alguns momentos e provavelmente seguirá para outra produção no dia seguinte sem pensar muito nele. Às vezes, isso é mais do que suficiente.
Nota: 2,5/5.

