Crítica: Little Fires Everywhere literalmente pega fogo no começo da temporada

Critica Little Fires Everywhere

Enquanto os dois primeiros episódios foram cheios de tensão e faíscas, o terceiro de Little Fires Everywhere explodiu e pega fogo com o desenrolar de plots que vão movimentar toda a temporada! 

Little Fires Everywhere é a nova série do Hulu, baseada no best-seller de 2017, do mesmo nome, da escritora Celeste Ng. E, como sua descrição apresenta, nos fornece um olhar emocionante sobre maternidade, os relacionamentos familiares, as diferenças de classe, racismo e imigração.

Eu ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas fiquei bem curioso após assistir aos três primeiros episódios dessa minissérie. A química entre Reese Witherspoon e Kerry Washington – que além de protagonistas, também são produtoras da série –  é tão tensa e intensa, que torna a série agradável de assistir desde o primeiro episódio. 

O significado metafórico do título da série se apresenta gradualmente, à medida que as sementes são bem plantadas logo no primeiro episódio, e que provavelmente irá pegar fogo no resto da temporada. A série estreou no dia 18 de março, e como de costume, Hulu liberou logo de cara logo os três primeiros episódios que vou comentar nesse post, e a temporada seguirá com um novo episódio liberado toda quarta-feira no serviço de streaming americano. 

The Spark significa a faísca em Little Fires Everywhere

Quase que imediatamente, logo nos primeiros minutos de The Spark, o primeiro episódio dos três de estreia, faz pelo menos uma interpretação de seu título – Pequenos incêndios em todo o lugar – quando logo vemos Elena Richardson (Reese Witherspoon), junto com o marido e três dos seus quatro filhos, assistindo horrorizada a sua mansão em chamas. Eles são informados de que alguém usou um acelerador para intencionalmente iniciar pequenos incêndios em todos os lugares da casa enquanto Elena ainda estava dentro. Logo de imediato, tudo leva a crer que a principal e atual suspeita é sua filha mais nova, a rebelde Izzy, que não está em nenhum lugar naquele momento. No entanto, no decorrer dos três episódios, descobrimos que além de sua filha Izzy, outras pessoas também se tornam suspeitas do ocorrido.

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A série volta 4 meses antes do incêndio. Assim, logo de cara podemos notar que a relação entre Elena e Izzy não é uma das melhores. Ela chega a conversar com seu marido Bill, depois do incidente onde a caçula queima parte do próprio cabelo, mas ele diz que terapia não será necessário. A revolta de Izzy com sua mãe fica bem evidente quando, um pouco antes da apresentação da Orquestra, que sua mãe a obrigou fazer parte, Izzy é chamada de esquisita por uma ex-amiga. E, mesmo sem vontade, ela sobe no palco mas decide não tocar seu instrumento. Neste momento, todos notam a mensagem que ela escreveu em sua testa “Eu não sou sua marionete”.

“Imagem: Hulu/Divulgação”

Pequena Reese em todo o lugar Little Fires Everywhere

Antes de continuar minha resenha sobre os quatro primeiros episódios, quero destacar, mesmo sem precisar, o quanto Reese Witherspoon é excelente em todos os papéis que ela faz, e podemos notar na maneira como ela se entrega para viver a Elena Richardson nesse novo drama do Hulu. Da mesma forma como se entregou para viver Madeline Mackenzie em Big Little Lies e a Bradley Jackson em Morning Show. Que venham mais prêmios e reconhecimentos para Reese Witherspoon e que continue nos presenteando com personagens (e seriados) maravilhosos. 

Claro que não podemos negar o brilho de Kerry Washington – nossa eterna Olivia Pope de Scandal. Logo podemos notar a grandiosidade da atuação das duas atrizes na primeira cena, quando Mia e Pearl, sua filha de 15 anos, que estão em busca de uma casa para alugar, e vão conhecer Elena. Nessa cena é possível notar o talento das duas atrizes em uma única cena. Witherspoon é tão potente com seu tom esnobe, assim como Washington faz com que o desdém de Mia seja palpável. 

Os pequeno focos de incêndios em Little Fires Everywhere

“Imagem: Hulu/Divulgação”

Pearl e Moody (um dos filhos de Elena) ficam bem próximos logo nos primeiros momentos da série, e ele já demonstra um interesse na filha de Mia. No entanto, Pearl parece que ficou mais interessada no irmão mais velho de Moody. 

Elena demonstra ser a mulher perfeita e bem agradável. Ela diz que quer fazer a diferença na vida de outras pessoas, e sonha que seus filhos sigam seus passos. Logo, assim que descobre que Mia está trabalhando em uma restaurante chinês, Elena oferece um emprego em sua casa. Mia recusa a oferta de início, mas acaba aceitando em um outro momento.

Mia e sua filha são bem próximas, mas tem algo no passado de Mia que ainda a persegue no presente. Por duas vezes, ela acorda assustada depois de sonhar que está em um metro e vê uma pessoa conhecida olhando pra ela diretamente. Até esse momento ainda não sabemos quem é essa pessoa do metrô. Mas o ator é uma pessoa bem conhecida por todos os fãs de Grey’s Anatomy – Jessy Williams – que interpreta o Jackson Avery na série médica. 

Já no segundo sonho de Mia no metrô, ela está deitada no colo de uma outra mulher que beija sua mão. Depois, ela percebe novamente o mesmo homem olhando pra ela. Porém, ele rapidamente muda para Elena, e Mia acorda assustada. Assim, nos momentos finais do primeiro episódio, Mia revela uma foto de sua nova patroa, ao mesmo tempo que Elena busca referências de sua nova inquilina e funcionaria. No entanto, descobre que no número que Mia deixou como contato, a pessoa não a reconhece. 

Seeds and all… ou as sementes que plantamos Little Fires Everywhere

Assim que começa o segundo episódio, Seeds and All, voltamos um pouco mais no tempo. Na história, vemos Mia transando com um homem no seu carro, mas assim que a bebê Pearl acorda, ela fica incomodada e pede para ele sair. De volta a atualidade da história, mais para frente durante o episódio, Pearl faz um comentário com Moody sobre sua mãe, quando ela diz que sua mãe transa com quem ela tem vontade e independente do horário. Então, Moody faz uma comparação com seus pais, já que eles têm os dias certos na semana para o sexo. 

Mia, no primeiro momento, não parece muito grata pela oportunidade de trabalhar como gerente de casa. Mas isso muda logo que ela descobre que Elena pediu para verificar seus antecedentes criminais. Mia então revela que mentiu na aplicação, que é muito difícil alguém alugar uma apartamento para uma mãe solteira e negra, que Elena é uma pessoa muito boa por permitir isso, e ela se sentiu mal em mentir. A personagem até vai mais longe na sua recente relação com Elena, ao tomar a frente no clube da leitura que aconteceu na casa de sua nova patroa, quando a anfitriã estava encurralada após um comentário sobre o livro, e Mia destruiu intelectualmente qualquer pensamentos pudicos sobre o assunto que estava rolando naquele momento.

Vale lembrar que a história de Little Fires Everywhere se passa em 1997… 

Nesse tempo, a comunidade LGBTQ+ não era tão aceita e respeitada em nenhum lugar. Principalmente nas escolas e, nesse segundo episódio, percebemos o que vem incomodando Izzy desde o primeiro episódio. Assim que ela abre o seu armário tem uma revista com Ellen Degeneres na capa com o título “Eu sou gay”, e Izzy rapidamente fecha a porta com vergonha. Mais pra frente ela encontra com Mia em seu quarto vendo sua arte, e a gerente da casa aconselha Izzy, dizendo que se ela não tomar atitude e se expressar o que ela tem vontade, que ninguém irá fazer por ela. Pela época que a história é contada e pelo que foi possível observar nesses dois primeiros episódios, esse incômodo de Izzy será um verdadeiro incêndio na vida perfeita da família de Elena.

No terceiro episódio, a série entrega mais detalhes sobre o que aconteceu com Izzy e sua ex-amiga April, o que para época era considerado um comportamento “nojento e inadequado”. Já vejo momentos de tensões na família, com Elena tentando “curar” a filha e crucifica-la pela “abordagem sexual”. 

70 centavos Little Fires Everywhere

Logo nos primeiros minutos do terceiro episódio de Little Fires Everywhere, chamado Seventy cents (Setenta centavos), é apresentado um pouco mais da história da colega de trabalho de Mia, o que  – levando jus ao título da série, incendiou praticamente todo o episódio. Bebe revela que ela chegou nos Estados Unidos com seu bebê. Porém, como ela não tinha condições de criar, e por ver que sua filha não parava de chorar de fome, (vemos uma cena que ela tenta comprar a formula na farmácia, porém, por faltar apenas 70 centavos, Bebe é destratada na farmácia), então ela toma a decisão mais difícil de sua vida: decide deixar sua filha em frente a um corpo de bombeiro.

Ela diz que nunca foi procurar a filha, por estar ilegal no país. Além disso, que se for na polícia ela poderá ser deportada. Mia chega a ir no corpo de bombeiro atrás de informações, mas não tem nenhum sucesso na sua busca. 

“Imagem: Hulu/Divulgação”

Porém, logo depois, temos uma daquelas reviravoltas, típica dos livros de romances americanos, quando Mia descobre que a filha da amiga da Elena é a bebê que estava procurando. Pouco demora para, então, ela ir falar para a colega de trabalho que sabe do paradeiro da criança, levando ela até a casa dos Richardson.

Chegando lá, no desespero, Bebe grita o nome de sua filha e Elena logo percebe que é o mesmo nome que Mia falou sem querer, enquanto ela segurava a criança no colo algumas horas antes, e liga os pontos de como a mulher descobriu o endereço. Esse plot vai esquentar ainda mais a tensão entre Mia e Elena nos próximos episódios.

Antes que eu me esqueça, não posso deixar de destacar a atuação de Kerry Washington nesse episódio, quando Mia desvenda todo o mistério. Sem dúvidas, foi uma experiência emocional e avassaladora, que ela disfarça muito bem na frente de Elena. A atriz interpreta em uma grande parte da cena em silêncio, com uma gravidade incrivelmente emocionante.

Eu não vejo cores… Little Fires Everywhere

Lexie leva Brian para jantar, e fica claro por que ela evita levar seu namorado para sua casa. Brian é inteligente, popular e de uma boa família. Material aceitável para o ser o namorado ideal, mas ele também é negro. Portanto, não é imune aos inconscientes cotidianos – e às vezes evidentes – atos de racismo das famílias brancas como os Richardsons. Ele e Pearl, que também está no jantar, experimentam isso por duas vezes. Primeiro, quando Elena assume que eles têm muito em comum (acreditem, eles não têm!), e depois quando Elena e Lexie adotam a típica abordagem que toda pessoa preconceituosa usa, “não vejo cor”, para conversar sobre racismo.

A menina não entende como Brian fica irritado por ela usar algo que aconteceu com Pearl como um exemplo de que tivesse acontecido com ela, e não aceita que o que fez foi errado. Por Brian ter ficado chateado com essa história, ele diz que Lexie não entende, e para tentar resolver as coisas, Lexie decide levar Pearl para compras. Mas com a intenção de revelar o quanto ela “ficou inspirada” com o que aconteceu com Pearl na escola, quando o diretor não acreditou no potencial de Pearl, e que usou como inspiração em sua redação para a faculdade.

Enfim, cada episódio tem uma tensão diferente, o quarto episódio já esta disponível, e postarei minha resenha ainda nessa semana. Nessa próxima quarta-feira, dia 01/04/2020, o Hulu irá liberar o quinto episódio e como disse no começo dessa resenha, depois de assistir os três primeiros episódios, estou muito curioso para ler o livro. Os episódios são envolventes, te prendem, e nos deixam com aquela vontade de assistir mais um.

Logo após o terceiro episódio de Little Fires Everywhere, o Hulu liberou o teaser abaixo que mostra um pouco mais sobre o que iremos ver nos próximos episódios dessa temporada, e me deixou ainda mais ansioso para o desenrolar dessa história. Qual será o segredo de Mia? Eleva vai enfrentar a sociedade pela sua filha ou vai tentar mudar sua filha por causa da sociedade?

Portanto, deixe seu comentário abaixo e vamos debater sobre.

 

Nota dos Episódios9
Crítica dos três primeiros episódios da série Little Fires Everywhere, exibido nos Estados Unidos pela plataforma de streaming Hulu. Texto com spoilers.
9

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