Crítica: Apesar dos problemas, 4×15 de Madam Secretary lembra que crise em Myanmar é coisa séria

The Unnamed Madam Secretary, Madam Secretary 4x15
The Unnamed Madam Secretary-2

Imagem: CBS/Divulgação

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Uma volta ao passado para entender o futuro!

Não sou nem um pouquinho fã de flashbacks, são ferramentas utilizadas nos momentos equivocados e ajudam a tornar a narrativa mais irregular e dispersa. How To Get Away With Murder é certamente uma exceção já que suas estruturas foram erguidas com a ajuda de tal recurso. Com isso, vocês conseguem imaginar o meu desagrado quando soube que Madam Secretary voltaria ao passado para (tentar) provar um ponto do presente. Confesso que inicialmente não gostei nada da ideia, mas depois de uns quinze-vinte minutos, entendi qual o objetivo. E a boa notícia? Valeu a pena.

The Unnamed Madam Secretary

Imagem: CBS/Divulgação

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Recuperado e habilidade pelos médicos para reassumir suas funções de presidente, Dalton continua inseguro. Não acredita que está pronto para liderar mais uma vez. Busca amparo na esposa, enquanto Russell pressiona para que ele retorne o mais rápido possível. Isso porque o genocídio em Myanmar fica cada vez pior, enquanto o governo americano está à beira de conceder ao líder daquele país uma medalha. Não é lindo? Correndo paralelamente, Herny recebe a visita da sua irmã, Maurren McCord (Kate Burton) para acertar contas com o passado.

Se essa sinopse parecer familiar, é porque você já escutou algo relacionado no noticiário. O nome do país é o mesmo e o povo (Rohingya) massacrado também. O roteiro pode ter sido obrigado a mudar o nome e o gênero do líder para não ter problemas jurídicos, mas você sabe muito bem que estamos falando de Aung San Suu Kyi. A indiferença, a apatia e o cinismo são os mesmos. A única diferença é que na ficção, os Estados Unidos continuam comprometidos em garantir a preservação da lei internacional e dos direitos humanos ao redor do mundo. Na realidade, a atual administração sequer possui um Secretário de Estado.

Procura-se um(a) Embaixador(a)!

A ausência de certas semelhanças com a realidade me incomodaram um pouco em The Unnamed. A ONU é citada inúmeras vezes durante o episódio. O problema é que nós sequer sabemos qual é o embaixador dos Estados Unidos na organização. Não seria prudente coloca-lo(a) na discussão? Ou pelo menos apresentar essa pessoal ao telespectador? É inacreditável que estejamos na quarta temporada sem ter ideia de que representa o país nas Nações Unidas.

Outro ponto que vem me incomodando é o descontrole de Kat (Sara Ramirez). Entendo que no episódio anterior a personagem tinha motivos para olhar o desafio de outro ângulo. Porém, ela continua fora do tom, deixando o lado emocional tomar conta e com isso deixar de lado qualquer compromisso com a impessoalidade que deveria pautar seu trabalho. Não busco atores e papéis apáticos, mas espero que possam encontrar um meio termo o quanto antes.

Acredito que ainda estamos no começo do desenvolvimento dos problemas de Maurren com Henry, mas não me sinto emocionado pela ideia. A impressão é que teremos uma reprise do relacionamento quebrado que Elizabeth tem com seu irmão, o que seria inaceitável. Kate Burton é ótima, seja em Madam SecretaryGrey’s Anatomy ou em Scandal, mas preferencialmente que venha apoiada por uma personagem à sua altura.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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