Crítica: Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. termina seu sexto ano esperando por um final

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Sempre foi uma tarefa difícil escrever sobre Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. por vários fatores. Em si, a série começou como um grande teste de paciência para alguns e como um divertimento para outros, que – como eu – se apegaram aos mistérios e ao carisma do personagem de Coulson, que ganhou nuances inacreditáveis na série.

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Esse fator só foi ampliado quando – e esse foi o ponto que trouxe muita gente de volta – a trama de Daisy ser baleada e toda a ideia do TAHITI ser explicada, abrindo margem para os Kree e os Inumanos e para todo esse lado das narrativas da Casa de Ideias que acabou ganhando ainda mais forma nos cinemas.

Grosso modo, S.H.I.E.L.D. conseguia a façanha de ser tanto queridinha quanto underdog do MCU, uma mistura interessante de rótulos. Contudo, ao ver toda a viagem (nos dois sentidos) que foi essa sexta temporada, uma temporada que eu mesmo não consigo realmente justificar – embora até tenha sido divertida de ver em alguns pontos – a sensação que fica no fim do dia é: dois é pouco, cinco são muito e sete… serão demais?

Entendendo o problema de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. 

Tendo vindo de um começo meio confuso, S.H.I.E.L.D. conseguiu sobreviver ao longo dos anos graças a sua articulação com o MCU. Desde pequenas e veladas referências misteriosas, até diretas colocações a Thor 2 ou ao próprio Guerra Infinita. Portanto, a série sempre conseguia acrescentar mais “sabor”, preenchendo lacunas que nem sabíamos estar lá.

Contudo, com a culminância desse arco cinematográfico, a série decidiu optar por um caminho que também foi seguido no cinema. Entretanto, sem a mesma delicadeza usada. Para piorar, depois de construir toda uma quinta temporada de extremos (do maçante ao fortemente emocionante) baseada em “concluir” – a finale chegou a ser intitulada “The End”(!). Tudo o que viesse depois precisaria de muito mais… requinte do que o que parecia ser o que receberíamos.

Uma nova “Era”

Construir uma era pós-Coulson não seria fácil. ainda mais considerando que, fora Chloe Bennet (Daisy), Elizabeth Henstridge (Simmons) e as vezes Jeff Ward (Deke), o elenco possui uma capacidade singular de desagradar. Particularmente, a novela Yoyo e Mack já havia exaurido a minha paciência na quinta temporada. Assim, ver mais desses dois (juntos ou separados) só pareceu piorar. Ver essa dinâmica em que Fitz não sabe quem é, depois some, depois o tempo não faz mais sentido pareceu, inicialmente, um pouco demais. E nem me fale de Mack como Diretor.

Esse salto no tempo e essa trama de que uma nova realidade foi construída pelo impacto das ações deles rendeu momentos medianos. Tudo isso é algo que grita multiverso, só que de uma maneira muito preguiçosa. A ideia de que teríamos massas de vilões indefinidos, de uma ação mais procedural, menos ligada a uma grande trama – vã ilusão minha – tinha potencial. Mas foi a parte do espaço que jogou uma pá de cal na minha paciência. Bem como disposição para a temporada. Contudo, o ritmo frenético de certos pontos, adicionado o franco abraço ao valor do nonsense que só um multiverso poderia entregar acabaram por virar um pouco a balança.

Um veredito?

Decididamente a minha abertura e prévio monólogo sugere insatisfação total e completa com a temporada. Mas não poderia passar mais longe da verdade. Se essa temporada conseguiu algo, foi carimbar o lugar de guilty pleasure que a série já possuía antes. Todo o flerte com Guerras Secretas – que era o que eu queria para o MCU agora, não todo esse Disney+ – foi divertido, foi rápido e até intenso. Assim, foi deixado uma boa dose de twists inesperados, e logo a temporada se coroa por ter juntado tudo aquilo que nos tirou o ar nos anos anteriores em doses módicas aqui.

Tivemos LMD’s, insinuações de Hive e até mesmo de Lash e do Framework. Além disso, com tantas andanças no tempo, não seria absurdo desejar por uma dosinha de Peggy Carter – tá, a conclusão de Ultimato meio que descarta essa ideia. but who knows? Uma coisa é certa: S.H.I.E.L.D. nos entregou uma temporada que poderia ser MUITO pior. Mas acabou tendo seus momentos, o que é mais do que pode ser dito sobre várias produções.

Nota da Temporada7.5
Crítica da sexta temporada de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.
7.5
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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