Crítica: New Amsterdam estabelece melhor seu universo no episódio 1×03

Imagem: NBC/Divulgação

New Amsterdam vai seguindo um caminho firme na construção de sua trama nesta primeira temporada

O piloto de New Amsterdam nos apresentou os personagens e seu tumultuado cenário. O segundo episódio, “Rituals”, procurou aprofundar alguns núcleos de personagens. Desta vez, “Every Last Minute” serviu para nos mostrar mais do ambiente da série, indicando sua variedade de possibilidades.

Neste episódio, Max retomou o protagonismo, estando envolvido em praticamente todas as tramas. Logo de início, conhecemos o tão falado decano do hospital, Peter Fulton (Ron Rifkin), que pressiona Max a adotar uma gestão equilibrada entre seu lema e a saúde financeira do hospital. A primeira impressão sobre o decano deixou um pouco a desejar, pois a preocupação mostrada por Dora (Zabryna Guevara) sugeria mais impacto pela chegada do personagem.

Por sinal, do ótimo equilíbrio que a direção coloca para o tempo de tela dos personagens, somente Dora ainda parece um pouco deslocada. Principalmente se levarmos em conta a qualidade de Guevara. Tenho a impressão que ela deverá assumir uma participação maior a frente.

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Casos da semana

No tocante às tramas, tivemos novamente um bom balanceamento das histórias com a reflexão social proposta pelo seriado. A dupla Frome e Kapur seguiram dando um tom mais leve com sua ótima interação. Na trama, eles lidam com Ray DeMarco, que sofre da Síndrome de Cotard e acredita estar morto. As brincadeiras de Frome e Kapur sobre a invisibilidade do paciente e os diálogos do neurologista com a barista do hospital ajudaram a dar mais uma camada tanto no ambiente quanto nos personagens.

Helen Sharpe, por sua vez, continua sua caminhada de desconstrução. No começo estrela da TV, agora a oncologista se vê diante de uma crise de credibilidade na sua prática clínica. Isso a faz repensar suas posturas e prioridades. É interessante ver logo de início uma personagem sendo desconstruída para se tornar outra coisa. A curiosidade fica para o que será essa nova face de Helen, e como estará relacionada à trama do adoecimento de Max.

Max, por sinal, tomou conta do episódio. Desde seu primeiro diálogo com o decano até sua articulação no final do episódio para conseguir que o dinheiro da viúva ricaça fosse destinado à prisão Rikers, Max mostrou coerência com os objetivos do personagem. Também teve boa presença nas tramas.

Evidentemente, precisaremos ver um maior aprofundamento no seu papel de gestor, sem necessariamente estar presente em todos os consultórios e salas de cirurgia do hospital. Mas a ideia de que ele está tentando controlar a bomba parece boa para a continuidade da série.

Vale destacar o diálogo inicial com o decano

Ao fim, Fulton diz que Max tem seis meses para recuperar o hospital; ele pede três (o que deve sugerir o clímax na mid-season).

Também tivemos o dilema de Max com o equilíbrio entre sua vida pessoal e profissional. Até agora, Georgia teve poucos momentos em tela, mas sua participação tem sido muito boa. Por um lado, ela mostra que a positividade de Max com o trabalho tem um contraponto com o desequilíbrio na vida pessoal. Por outro, ela lembra para nós que aquele cara sorridente e super ativo, quase imbatível, também é humano, falho. Tenho a impressão que a história de Georgia e Max será mais importante para a narrativa do que o câncer do protagonista.

Não menos importante, tivemos também a trama da dra. Bloom, que cuidou de uma gestante prisioneira de Rikers. Além de conduzir o conteúdo social do episódio, a trama envolvendo Bloom foi a que melhor se conectou à história principal do episódio, envolvendo a viúva ricaça. Bloom é a personagem que nos permite ver de perto a dificuldade de gerenciar um hospital daquele tamanho.

Desta vez, Reynolds teve pequenas participações. Sua preocupação principal esteve em montar sua equipe na cirurgia cardíaca, composta por mulheres negras. O posicionamento de Reynolds sobre seu relacionamento com mulheres pode soar antipático de primeira vista, mas pode ser o gatilho para uma importante discussão ao longo da série. O espanto da viúva ricaça com o fato de Reynolds e sua equipe ser somente de… pessoas competentes e bem treinadas mostra um aspecto essencial do problema do racismo: seus silêncios velados. A cena foi muito boa, e espero que o roteiro siga explorando essa importante discussão.

Boa Condução

A cada episódio, New Amsterdam vai ajustando o velocímetro para um ritmo que permita avançar nas tramas e conflitos dos personagens, mas também nos deixar curtir os cenários e as histórias procedurais apresentadas pela série. A dinâmica de núcleos separados parece ser realmente a opção principal dos roteiristas, mas certamente há espaço para episódios dedicados a somente um personagem ou dupla de personagens, a valer pelas histórias já abertas.

Vamos registrar aqui o compromisso de Max, e esperar que em três meses o hospital esteja bem melhor…

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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