Crítica: New Amsterdam retorna aprofundando seu protagonista em 1×10 e 1×11

Max inicia o tratamento quimioterápico. Imagem: NBC/Divulgação

New Amsterdam está de volta!

Após uma mid-season emocionante, New Amsterdam retornou mais centrada na história de Max (Ryan Eggold) e sua saga no tratamento do câncer. Em dois episódios com ritmos distintos, a série mostra que tem muito a explorar nesta segunda metade de temporada.

Seis a sete minutos fazem toda a diferença

De início, o episódio 10, “Seis ou sete minutos”, foi pautado na emoção. Seguindo da cena final do episódio anterior, com Max desmaiando, os primeiros minutos foram de pura tensão com Helen Sharpe auxiliando Georgia pelo telefone, explicando como realizar uma traqueostomia rudimentar.

Primeiramente, imaginei que teríamos Dora (Zabryna Guevara) assumindo o papel de Max. Entretanto, sua cena tentando gerenciar o hospital enquanto o diretor estava fora serviu para mostrar a importância do protagonista. Em paralelo, o desespero de Georgia, muito bem interpretado por Lisa O’Hare, trouxe uma verdadeira apreensão com o destino de Max.

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O seguimento do episódio, dessa forma, se deu em torno dos possíveis danos causados ao cérebro de Goodwin, afinal, a diferença entre seis e sete minutos sem oxigenação é grande. A princípio, tudo indica que os efeitos serão profundos no protagonista, principalmente por não haver identificação da causa do desmaio.

Um hospital para gerir

Em paralelo, o hospital continuava precisando de atenção dos seus médicos. O reitor Fulton apareceu para assumir a posição de Max. Novamente, temos uma mostra do diferencial do protagonista na gestão pessoal. Além disso, destaca-se sua filosofia de priorizar o cuidado aos pacientes, não a rentabilidade da instituição.

Se, por um lado, os conflitos de Fulton com Frome e Reynolds quanto aos custos do hospital mostravam a diferença de abordagem em relação a Max; por outro, também serviram para destacar como o protagonista já estabeleceu uma dinâmica própria no hospital.

Desse modo, a decisão final de manter Max na diretoria, mesmo submetido a tratamento, com o apoio do restante da equipe, pareceu coerente. Nesse ponto, evidentemente, a suspensão de descrença é necessária, já que seria inviável e irresponsável deixa-lo como diretor médico. Porém, essa opção do roteiro reforça o espírito positivo e colaborativo da série, sendo uma decisão simpática.

Finalmente, a decisão também abriu margem para o mote do episódio 11, “Um lugar na mesa”. Lá, Max pede para Helen lhe auxiliar na gestão do New Amsterdam. Há alguns episódios levantei a ideia de que a personagem teria mais participação. Porém, não imaginava que seguisse por esse caminho. Acho um ótimo ponto na reconstrução de Helen, novamente colocada na posição de escolher entre a trajetória pessoal e o bem do hospital.

O passado de Max e Georgia

Nesse meio tempo, o episódio recorreu a flashbacks com ótimas entradas de cena para aprofundar o passado de Max e Georgia. Nessas cenas, centradas em pontos importantes do relacionamento, entendemos um pouco melhor como os personagens chegaram ao estágio do início da série.

Pedido de casamento de Max. Imagem: Divulgação

Em síntese, o espírito colaborativo de Max, com a máxima “no que posso ajudar”, chega a um nível tão profundo que prejudica o relacionamento. Apesar de, inicialmente, a crítica de Georgia soar egoísta, a forma como o roteiro desenvolve a obsessão de Max pelo trabalho não só torna a indignação da esposa crível, mas também humaniza ainda mais o protagonista.

Além disso, esses flashbacks renderam cenas bem bonitas, com o pedido de casamento feito por Max no meio de Chinatown.

Max a salvo…mas e o câncer?

Mudando um pouco o curso da primeira metade da temporada, “Seis ou sete minutos” concluiu com novos gatilhos para a história. Acima de tudo, agora a série lidará com as implicações de Max seguir dirigindo o hospital durante o tratamento.

Ao final do episódio, o protagonista decidiu recorrer à convencional quimioterapia. Assim, ele deixa de vez o teste clínico que havia pedido a Helen. Em “Um lugar na mesa”, vemos Max começando finalmente o tratamento para o câncer, tentando manter a imagem positiva e proativa tão característica.

Diferentemente do episódio anterior, repleto de drama, desta voltamos ao ritmo acelerado de New Amsterdam. Foram várias histórias rolando em paralelo. Assim, tivemos a oferta de Max à Helen transcorrendo todo o episódio, combinando com o processo de aceitação do protagonista de aspectos da sua doença.

Nesse ponto, é importante destacar que a série acerta no tom de abordagem do problema do câncer. Ao mesmo tempo em que mostra as possibilidades de vivenciar a doença, lembra das dificuldades e dos possíveis caminhos, como a morte, representada pelo paciente para quem sempre deixam cartas na mesa, mesmo não estando mais lá.

Kappur se vê em contradição entre Ella e o filho

Coadjuvantes também avançam na história

Não foi somente o protagonista que recebeu atenção do roteiro. Da mesma forma, cada coadjuvante teve aspectos de suas tramas explorados. A que tem chamado mais atenção é a de Kappur, pela reviravolta ocorrida.

Em virtude de sua aproximação de Rohan, seu filho, e Ella, o neurologista foi pegue em contradição. Por um lado, deu dinheiro para a caixa a fim de pagar a cirurgia de seu cachorro. Por outro lado, recusou ajudar financeiramente o filho na produção de sua demo. Embora haja uma profundidade nas razões de Kappur, é interessante ver o caminho que levará a situação.

Será que Rohan se envolverá com Ella para irritar o pai?

Paralelamente, Reynolds e Bloom seguem suas histórias em separado. Reynolds tem se preocupado bastante com sua credibilidade profissional e sua imagem. Dessa forma, mostra aspectos mais frágeis de sua personalidade, bem como as dificuldades sociais que enfrentou para chegar onde está. A abordagem do tema racismo no episódio foi mais explícita do que em outros. Também, necessária à construção do personagem e da crítica social.

Por outro lado, a trama de Bloom ganha cada vez mais interesse. Isso se dá em virtude da própria personagem se colocar à prova. O conflito no episódio 11 com Sharpe mostra tanto a gravidade da adicção de Lauren Bloom quanto às implicações disso no cotidiano de trabalho. Acredito que a veremos afastada da função até o fim da temporada.

Frome foi o coadjuvante “menos explorado”, mas também apresentou uma ótima trama com seu paciente traumatizado pelo ataque de um lobo. A discussão sobre trauma e a ética do tratamento médico tem sido uma constante na história do personagem, e feita de maneira correta. Entretanto, seria ótimo ver aspectos pessoais do terapeuta, já que fomos introduzidos à sua família.

Finalmente…

O retorno de New Amsterdam fez jus à qualidade da série. Vejamos quais os próximos passos de Max e sua equipe, e se a meta de manter o hospital funcionando com equilíbrio e mais humanidade será alcançada ao final da temporada.

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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