Crítica: New Amsterdam encerrou 2ª temporada de forma morna

Crítica 2 temporada New Amsterdam

New Amsterdam também teve final com pontas soltas

O final de New Amsterdam foi afetado, como muitas outras séries, pela atual pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. De fato, um dos últimos três episódios, intitulado “Pandemia”, foi suprimido da temporada, deixando-a com 18 episódios.

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Aqui, farei uma review dos últimos episódios, incluindo o teaser de quase 10 minutos apresentando o novo personagem da série, o cirurgião traumatológico Cassian Shin (Daniel Dae Kim). De modo geral, é possível dizer que o final da temporada representou bem a irregularidade da série ao longo do ano, deixando muitas pontas soltas.

O adeus de Floyd Reynolds

Algo que foi arrastado ao longo da temporada foi a saída de Reynolds do hospital. Pessoalmente, achei que no final a decisão seria revertida e o personagem continuaria, mas parece ter sido um adeus.

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No penúltimo episódio, “Decolar”, Reynolds se vê preso num fosso de elevador com um adolescente que brincava numa cadeira de rodas pelo hospital e acabou caindo. A subtrama foi interessante, e trouxe alguns dos elementos carismáticos do personagem, deixando um gostinho amargo pela sua saída.

Finalmente, a cena do baile de arrecadação de fundos foi simples, mas tocante. As despedidas do personagem de cada colega foram legais, deixando um momento específico para Lauren Bloom. Uma pena a história deles ter sido abandonada pela série.

Bloom traça o caminho para o perdão

Uma virada positiva na temporada foi a trama envolvendo Bloom. Primeiramente, o gerenciamento de seu vício por Adderall foi bem conduzido e rendeu boas atuações de Janet Montgomery.

Em seguida, o conflito com a mãe alcoólatra também colocou em perspectiva algumas questões lidadas por Bloom na temporada anterior. No episódio final da temporada, “Questão de Segundos”, Lauren termina com uma boa interação com a mãe, que bola uma festa de aniversário surpresa – na data errada.

De fato, há bastante o que explorar no futuro da personagem, e é possível que ela cresça ainda mais na terceira temporada.

Helen Sharpe se descola um pouco de Max

Helen tem sido minha personagem favorita desde o começo da série, ao lado de Iggy Frome. Nos últimos episódios da temporada, a oncologista trouxe em sua trama uma discussão importantíssima.

Lidar com pacientes de câncer a partir da ideia da luta é um caminho de grande peso psicossocial para quem já tem de encarar uma doença tão dura e mortal. A proposta da médica para como seus pacientes jovens poderiam atuar na arrecadação filantrópica foi ótima. Entretanto, em termos da própria personagem, foi muito bom ver suas interações, mesmo que breves, com Cassian Shin. É difícil falar muito sobre o novo personagem, do qual vimos um episódio e um teaser. Contudo, será bem legal ver a interação entre os dois ser explorada na próxima temporada.

Ainda tenho a impressão de tudo ser uma grande digressão para a chegada do relacionamento Helen-Max, mas os caminhos seguidos pelos dois podem tornar essa união mais plausível.

“Você financia eles”

O final de temporada para Max envolveu tanto sua trama pessoal quanto a profissional. Todavia, eu gostaria de falar mais sobre a profissional. A vivência do luto e redescoberta de um sentimento amoroso são coisas muito legais e bem exploradas pela série. As pontas abertas para a terceira temporada nesse campo são bastante interessantes.

Mas, na minha opinião, a atuação de Max nos últimos episódios como diretor e médico do New Amsterdam foi excelente. Em “Decolar”, a discussão sobre o financiamento aos pacientes e a prática cada vez mais corrente do crowdfunding foi muito bem feita e apropriada para o momento. A solução dada por Max foi interessante, e pode fazer algumas pessoas notarem como faz diferença ter acesso universal à saúde (fica a dica).

Por sua vez, no season finale o foco foi o cuidado a um menino portador de uma doença rara, a Distrofia de Duchenne. Em uma abordagem mais do contato médico paciente/família, o episódio explorou bem o lado humano de médico, sintetizado em seu mote: “como posso ajudar?”.

Pandemia

Merece comentário o episódio suprimido e o teaser lançado no finale. Daniel Kim e Ryan Eggold falaram sobre o episódio “Pandemia” de forma rápida no lançamento do episódio final. Daniel Kim foi diagnosticado com a Covid-19, tendo sido infectado durante o período de gravação do episódio em questão.

A medida tomada pela produção foi prudente, e ilustrativa do momento em que vivemos. Em um cenário de muito descuidado e irresponsabilidade com a saúde coletiva, New Amsterdam lembra bem porque é uma série importante, e reforça o imperativo do distanciamento e do cuidado.

Fiquem em casa, se cuidem. Na próxima temporada estaremos de volta com mais New Amsterdam! Enquanto isso, acompanhe as novidades do mundo das séries aqui no Mix de Séries.

Até lá!

Nota dos episódios "Decolar" e "Questão de Segundos", de New Amsterdam8.5
Crítica dos episódios 17 e 18 da segunda temporada de New Amsterdam, intitulados "Liftoff" e " Matter of Seconds", exibidos pela NBC.
8.5
Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

1 comment

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  1. Avatar
    Rosi 22 abril, 2020 at 21:02 Responder

    Particularmente não achei morno.
    Achei lindo. O início então. Aquilo foi de acalentar o coração. Assisti a série depois o teaser com mais emoção que a esperada. Me orgulhei de ser telespectador dessa série. O novo casal achei com bem mais química do que Helen com o Max. Acho que deixou uma ponta em aberto quanto uma possível relação entre bloom e Casey.

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