Crítica: Rede de solidariedade no 1×07 de New Amsterdam

Imagem: NBC/Divulgação

“Não conseguimos um doador… conseguimos doze.”

Após uma pequena pausa de uma semana, New Amsterdam retornou com “Efeito Dominó”. Acima de tudo, vemos uma grande demonstração de solidariedade, além de fortes emoções nas tramas pessoais dos personagens.

A princípio, temos as consequências dos episódios anteriores batendo à porta. Principalmente, vemos Max numa consulta com Helen, desta vez acompanhado por Georgia, para programar o tratamento do câncer. Finalmente, teremos maior participação de Georgia na série, centrada em sua relação com Max.

Em paralelo, temos o desenvolvimento das histórias de Reynolds, Kapur e Frome, mesmo que de forma tímida.

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Reynolds e Eve, a advogada apresentada por Bloom, iniciam um relacionamento. Apesar disso, ainda há algumas amarras em ambos, relacionadas ao receio quanto à reação de Bloom à união dos dois.

Além disso, temos Kapur avistando o restaurante do filho à distância, cena que se repete no episódio. Acredito que foi mais um recurso do roteiro de não nos deixar esquecer dessa história. Nos próximos episódios, devemos ter um aprofundamento desse arco. Desde que seu filho apareceu, Kapur sempre tem lidado com temas de perdão e tensão familiar.

Por outro lado, no caso de Frome, reencontramos sua interação com Jema, a adolescente para quem o terapeuta busca um lar.

Neste episódio, vemos as inseguranças e medos de Jema para integrar um novo lar, principalmente quanto à aceitação da família adotiva.

Bloom ganha espaço e profundidade

Desde as primeiras críticas, tenho questionado a participação de Bloom, sempre apresentada em relação a Reynolds. Em contrapartida, pudemos nos aprofundar um pouco mais na personagem de forma descolada do cirurgião, exatamente devido à tensão entre os dois.

Nesse sentido, Bloom assume o caso que conduz a história, de Gianna e seu pai Diego Morales, ambos imigrantes sem documentação regularizada. Apesar disso, New Amsterdam acolhe a jovem e oferece tratamento para sua condição pulmonar, que logo revela necessitar de transplante.

O importante neste tópico, sem dúvida, é a conexão de Bloom com Gianna. A médica interage com a garota compartilhando seu principal medo de estar só e seu gosto pelo livro “Sandstorm”.

Embora tenha a impressão de que Janet Montgomery não entrega a mesma intensidade do restante do elenco, foi tocante a cena de diálogo entre Bloom e Gianna. Essa interação à beira do leito é importantíssima à prática da medicina, e nunca pode ser esquecida.

Finalmente, ao fim do episódio, uma rápida cena mostra a resistência de Bloom em ir para “casa” (que parece ser um hotel), como indica a fala do porteiro. A partir disso, já podemos construir uma imagem mais complexa da personagem, com o uso de Aderall, seu medo da solidão e sua compensação no trabalho.

Dessa forma, é bem provável que, a partir de Bloom, a série proponha uma reflexão sobre depressão e solidão, graves problemas humanos muito comuns no mundo contemporâneo. Talvez Bloom cale minha boca e cresça bastante como personagem.

Helen foi a idealizadora da cadeia de doações. Imagem: NBC/Divulgação

Uma linda rede de solidariedade

O fio condutor do episódio, entretanto, é a bonita trama envolvendo uma cadeia de doação. A tal cadeia envolve três diferentes hospitais, e vários pacientes, todos dependendo da vontade de ajudar de outros para conseguir os órgãos necessários.

De início, vemos a cadeia ser construída a partir do quid pro quo (o famoso “toma lá, dá cá”).

É interessante como a trama direciona a resolução do problema exatamente para a mudança de uma cadeia guiada pela troca para uma movida pela solidariedade.

O roteiro até se deu a liberdade de deixar pontas soltas quanto a essa parte. Não se acompanha muito bem o processo de doação em cadeia. Um dos núcleos de pacientes é meio abandonado ao curso da história, um fator complicador (a “ilegalidade” de Diego e Gianna) é resolvido magicamente.

Esses furos no roteiro parecem propositais, sendo o interesse mostrar o senso de solidariedade, não o funcionamento de um sistema de doação de órgãos.

De toda forma, o episódio deu seguimento à trama central e às secundárias da série. Além disso, tivemos mais um episódio repleto de emoções fortes, uma experiência de quarenta minutos muito positiva. New Amsterdam segue um caminho firme para sua mid-season, provavelmente centrada no tratamento de Max.

Doe órgãos, salve vidas

Claramente, não é possível consumir séries como New Amsterdam sem pensar de forma ativa nos assuntos por ela abordados.

A doação de órgãos é fundamental para salvar milhares de vidas. O Brasil possui um dos maiores e melhores sistemas de transplante de órgãos do mundo, gerido pelo SUS. Porém, para seu funcionamento é preciso que haja doadores. O cadastro prévio facilita bastante o processo de doação.

No site do Ministério da Saúde, há orientações e esclarecimentos sobre o processo. Doe órgãos, salve vidas.

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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