Crítica: Reta final da 1ª temporada de New Amstedam foi marcada por emoções

“Como posso ajudar?”

Ao longo da primeira temporada de New Amsterdam, nos acostumamos a ouvir esta pergunta saída da boca de Max Goodwin, o altruísta e sagaz diretor do hospital. Entretanto, a partir do episódio 18, “Cinco Milhas a Oeste”, vimos esse panorama mudar. Finalmente, as tramas de New Amsterdam convergiram em um final emocionante e interessante.

Primeiramente, é preciso destacar a habilidade do roteiro em trazer o ponto principal da história – o adoecimento de Max – para o centro. Finalmente vimos o protagonista lidar com seu grande dilema: viver o tratamento do câncer e suas consequências. E, em paralelo, estar presente para Georgia no estágio final de sua gravidez.

Finalmente, Max foi confrontado com a necessidade de parar de trabalhar para poder viver. A atuação de Ryan Eggold, nesse sentido, foi impecável ao mostrar a evolução da deterioração do personagem e seus medos quanto à morte e ao risco de deixar sua família solitária. O penúltimo episódio da temporada, “Este não é o fim”, foi o ponto alto de toda a série até então.

Além disso, a deterioração de Max foi combinada à reconstrução de Helen Sharpe. Se, no início da temporada, vimos uma personagem pouco preocupada com o hospital e mais interessada em sua carreira… No final, ao contrário, vimos sua dedicação não somente à instituição, mas também aos princípios defendidos por seu amigo e colega, Max.

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Logo em sua primeira aparição no último episódio, “Luna”, foi a vez de Sharpe utilizar o bordão do protagonista: “Como posso ajudar?”.

Kappour e Reynolds resolvem suas tramas

Certamente, uma característica destacada em New Amsterdam foi sua capacidade em elaborar narrativas que combinam diversos núcleos narrativos e colocam seus personagens sempre em movimento. Nessa reta final, entretanto, a série desacelerou um pouco suas histórias para entregar mais dos personagens. Dramas apresentados ainda na primeira parte da temporada foram retomados e (talvez) resolvidos.

De todos os coadjuvantes, Kappour foi quem pareceu melhor resolvido ao final da temporada. O neurologista parece ter se resolvido com seu passado familiar e teve ótimos momentos com pacientes. Seu estilo mais atencioso e cuidadoso na interação com os pacientes é algo importante na proposta da série de fornecer um olhar mais humano à medicina e ao cuidado à saúde.

Reynolds, particularmente, foi o personagem que menos me despertou interesse. Se, na primeira parte da temporada, as questões levantadas pelo personagem, sobretudo as ligadas ao racismo, abriam ótimos caminhos para discussão na série… Na metade final, Reynolds ficou subutilizado. Bem como Eve, personagem que praticamente só apareceu na série como parceira do cardiologista.

Apesar disso, o episódio final trouxe um indicativo de mudança do personagem, questionando parcialmente certos valores pessoais e familiares. E tentando dar passos na vida por conta própria. Entretanto, a cena final da temporada pode trazer consequências ao desenvolvimento de Reynolds e seu relacionamento com Eve.

O retorno de Bloom e o drama de Frome

O retorno de Bloom também foi bem vindo. A atuação de Janet Montgomery no episódio final compensou a tediosa participação na primeira metade da temporada. É uma pena que, provavelmente, sua participação em New Amsterdam tenha sido encerrada no episódio final da temporada. Sua intenção de deixar o hospital já indicava a possibilidade de um final definitivo para a personagem. E o episódio “Luna” entregou um bom papel para Lauren Bloom.

Sem dúvidas, de todas as tramas pessoais, a mais envolvente foi a de Iggy Frome. Embora não sejam centrais à trama, os núcleos explorados por Frome são sempre repletos de temas importantes e cenas emocionantes, representando um ponto alto em cada episódio. Em “Este não é o fim”, a acusação do terapeuta de se aproximar demais dos pacientes colocou em questão o método mais humano usado por Frome.

Nesse sentido, o roteiro foi feliz, ao mesmo tempo, colocar um ponto importante na trama do personagem e levantar a discussão sobre o lado humano da prática da medicina. Quando, no último episódio, vimos Frome indicar que seu humanismo é exatamente sua principal qualidade, e Kappour reforçar a importância dessa postura, tivemos uma positiva mensagem sobre o cuidado humano na saúde.

Final emocionante e cliffhanger de New Amsterdam

Toda a temporada de New Amsterdam apontou para um final envolvendo a doença de Max e a gravidez de Georgia. O “sumiço” da personagem em boa parte da temporada sugeria, para mim, que ela poderia morrer durante o parto. O que seria uma reviravolta nas preocupações de Max. Além, claro, de um fim trágico para uma ótima personagem na trama da série.

Em uma finale cheia de fortes emoções, tivemos a certeza da perda de Georgia, a alegria do salvamento por Bloom, Sharpe e os paramédicos, e a grande dúvida quanto ao final. Certamente, a cena de encerramento do episódio, com Max segurando, atônito, sua filha em meio ao caos do acidente que envolveu o núcleo duro da série, coloca uma série de questões para a segunda temporada de New Amsterdam.

Quem sobreviverá ao acidente? Ocorrerá de Max ter de lidar com o adoecimento e a paternidade sozinho? Ele foi o único dos personagens na ambulância a aparecer vivo na tela. Bloom estava, no mínimo, inconsciente. Mas não é possível descartar o fim da trajetória da personagem na série. Resta saber o futuro de Sharpe e Georgia.

E, assim, com muita emoção, momentos para chorar e se divertir, New Amsterdam encerrou sua ótima primeira temporada. Talvez seja possível refinar um pouco algumas histórias secundárias, tornando-as mais envolventes e orgânicas. Mas, sem dúvidas, a condução da trama central e a forma como a série soube trazer temas relevantes a cada episódio são elementos que já garantem seu lugar na programação para a próxima fall season.

Vamos aguardar o que virá para Max e seus colegas do hospital mais antigo dos Estados Unidos. Enfim, espero vocês em outubro!

Nota do final da 1ª temporada9.5
Review do final da primeira temporada de New Amsterdam, da NBC.
9.5
Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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