Crítica: Tensão entre Sharpe e Bloom foi destaque no 1×12 de New Amsterdam

“Nós trabalhando juntas, deste jeito, não irá funcionar”

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Parece que, finalmente, Lauren Bloom ganhará um destaque maior em New Amsterdam. Em “Anima Sola“, a tensão entre ela e Helen Sharpe ganhou protagonismo, repercutindo os eventos do episódio anterior. Além disso, vimos uma parceria pouco explorada e nos emocionamos (pra variar).

Com o tratamento de Max afetando o protagonista, tivemos mais espaço para os coadjuvantes desenvolverem boas histórias. Talvez esse seja o trunfo da série para carregar a trama até o fim da temporada.

“Como posso…” baaargh

Max, como sempre, está disposto a ajudar, porém, sua condição dificulta muito as atividades. O diretor está debilitado pelo tratamento do câncer, e os obstáculos vão aumentando a cada episódio.

Assim, uma boa parte das cenas envolvendo o personagem no episódio lidam com ele vomitando ou com ânsia e circulando pelo hospital. Apesar disso, Max seguiu oferecendo sua ajuda aos companheiros de New Amsterdam, o que rendeu divertidas cenas com Kappur e Frome.

Em virtude dos constantes enjoos, foi utilizado um ótimo recurso narrativo para representar a debilidade do diretor. Ao falar sua clássica frase, “como posso ajudar?”, Max sente ânsia no meio da fala e não a completa, simbolizando a limitação do protagonista em seu papel no hospital.

Nesse sentido, parece que os roteiristas estão se esforçando para fazer Georgia mais presente. Neste episódio, embora sua participação seja discreta, dá sinais de que ela será mais regular.

Provavelmente, a esposa de Max terá maior parte na relação dele com o adoecimento, e isso será cruzado com a gravidez, causando tensões interessantes para a trama. Continuo, porém, na preocupação em como a série vai abordar duas coisas tão importantes de forma paralela.

Sempre nos fazendo chorar

A essência de New Amsterdam está em recorrer a tramas carregadas de peso dramático para emocionar o público. Até então, esse recurso tem sido feliz e funcional, pois dá ritmo aos episódios e explora a atuação dos personagens regulares e convidados.

Entretanto, espero que a série não caia numa dramatização exagerada e pouco crível. Nos episódios anteriores, as situações aproveitavam temas sociais relevantes e concretos para gerar comoção. Neste episódio, todavia, a situação elaborada foi um pouco absurda, e não convenceu tanto.

Kappur e Reynolds se reúnem, com até boa química, para ajudar uma mãe a enxergar novamente. A cena de recuperação da visão é de cair lágrimas, mas o caminho até ela pareceu um pouco forçado. Em séries com propostas realistas, a suspensão da descrença precisa ser muito bem dosada.

Particularmente, toda a história de aproveitar o erro na placa da sala de Reynolds para criar uma brecha e burlar o outro hospital me tirou um pouco dessa parte do episódio. Mas tudo bem, faz parte do pacote.

Sharpe e Bloom dominam o episódio

Desde o começo da temporada, venho reclamando pontualmente de algumas coisas, e uma delas era a falta de caminho de Bloom na série. A partir deste episódio, calo minha boca.

Na realidade, já há algum tempo que o roteiro vem construindo uma “queda de Bloom”, mostrando seus problemas com Adderall e indicando haver coisas mais sérias por trás. A interface do problema era seu imediato na emergência, rendendo bons dilemas nos episódios e fortalecendo a relação entre eles.

Agora, porém, os problemas de Bloom chegaram à sua amiga Helen Sharpe que, além de importante quadro do hospital, foi promovida por Max a vice-diretora. O peso do novo cargo, por exemplo, foi um dos fatores para Sharpe ficar em cima de Bloom no episódio passado, a ponto de mexer em suas coisas em busca das drogas.

Posteriormente, o conflito entre as duas aumentou em proporções, e rendeu boas cenas com Janet Montgomery e Freema Agyeman. Do mesmo modo, a escalada da tensão movimentou a história de ambas no cuidado de seu paciente na história, gerando uma boa cena de diagnóstico.

Eu sei, eu sei, Bloom trancando a porte de um hospital também é absurdo. Entretanto, em termos narrativos, essa suspensão de descrença teve mais utilidade do que a de Kappur e Reynolds. De toda forma, o final do episódio deixa um ótimo gancho para a relação entre Bloom e Sharpe.

Renovada nesta semana para sua segunda temporadaNew Amsterdam vai preparando tramas fortes para a reta final, mas precisa escolher bem em qual apostar e quais deixar para o futuro, se não podemos ter episódios finais muito fragmentados. Devido a um imprevisto, a série teve seu retorno adiado para o dia 12 de fevereiro. Então fique ligado!

 

 

Luiz Alves

Luiz Alves

Historiador, fã de histórias em quadrinhos e jogador de RPG de longa data. Tem interesse por séries de suspense, como Hannibal, The Killing, Luther etc., de fantasia, como Penny Dreadful; e de todas as séries baseadas em HQs.

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