Crítica: Terceira parte de Crise nas Infinitas Terras surpreende no 6×09 de The Flash

Imagem do episódio de The Flash 6x09 para o crossover Crise nas Infinitas Terras

Mundos irão viver… mundos irão morrer… e o universo nunca mais será o mesmo!

Quem diria que oito anos depois do pontapé inicial do Arrowverso estaríamos acompanhando Crise nas Infinitas Terras, a maior saga dos quadrinhos adaptada na televisão.

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Mas se tem uma coisa que Crise nas Infinitas Terras tem provado é que sagas grandiosas como essa podem acontecer desde que tomado o devido cuidado e planejamento. Afinal de contas se trata de cinco séries diferentes, outras que fazem conexão, e ainda várias outras participações especiais.

O grande inimigo dos crossovers do universo compartilhado da DC talvez seja a agenda. Por se tratar de um elenco em larga escala de uma quantidade grande de séries diferentes, conciliar datas e orçamentos não deve ser nada fácil. Por conta disso é notável como a participação dos chamados “elenco de apoio” fica perdida durante os eventos. Muitas vezes se limitando a aparições dentro apenas do episódio correspondente a série a que pertencem. Ao menos é notável o esforço e carinho que o estúdio e a produção por trás dessas séries tem por esses episódios especiais, o que faz com que relevemos alguns desses pontos.

Um crossover com as melhores participações especiais

Esta “Parte 3” que encerrou a primeira metade do grande crossover mostrou uma melhora ainda maior em relação as suas antecessoras. Os personagens e tramas que pareciam perdidos no início começam a se afunilar e se encaixar dentro da grande história. Cada aparição especial que pegou o público de surpresa funcionou perfeitamente no contexto do episódio. O episódio mostrou ainda que nem só grandes cenas de ação funcionam em eventos como este. O compasso em que o roteiro foi escrito levou perfeitamente diálogos e momentos importantes e emocionantes até o seu clímax, sem que nada soasse forçado ou desconexo.

Depois de Titans, Smallville e referências à antigas produções do Batman na TV e no cinema, esta terceira parte contou com outras tantas incríveis participações. A começar por Lúcifer que provavelmente foi a que mais pegou o público de surpresa. O personagem da Terra-666 (que ironia, não?) teve papel importante na busca de Constantine, Mia Queen (com quem flertou) e John Diggle em resgatar a alma de Oliver Queen/Arqueiro Verde.

Outro que enfim fez sua estreia no Arrowverso foi Jefferson Pierce, o Raio Negro. O herói que enfim se uniu ao grande time teve uma importante missão a cumprir na luta contra a anti-matéria. Cress Williams mostrou mais uma vez ser um grande ator contracenando uma das melhores cenas do episódio ao lado de Grant Gustin (Barry/Flash) com quem mostrou boa química e deixou os fãs ansiosos pelo próximo encontro entre os dois. Ainda tivemos a rápida, mas igualmente incrível, aparição de Caçadora (Ashley Scott) da extinta Birds of Prey (2002).

O futuro do Arrowverso começa a ser traçado em Crise nas Infinitas Terras

Mas não foram só participações que complementaram esta terceira parte. O episódio também apresentou novos personagens e estabeleceu alguns importantes elementos que se desdobrarão no futuro. A começar por Oliver Queen que teve seu destino antecipado. Confirmando algumas teorias, Oliver morreu sim, mas irá retornar para os episódios finais tanto do crossover quanto de Arrow como Espectro, após assumir o manto no lugar de Jim Corrigan.

Uma escolha inusitada e muito interessante para o personagem que lhe garante sobrevida mesmo após o fim de sua série. Pode ser que ainda vejamos Stephen Amell em futuros crossovers do Arrowverso. Também tivemos a introdução de Ryan Choi, que nos quadrinhos sucede Ray Palmer como Átomo. Com a confirmação da saída de Brandon Routh em Legends of Tomorrow, provavelmente veremos a passagem do uniforme em breve. Em relação ao time de The Flash, Cisco Ramon enfim recuperou seus poderes como Vibro graças ao Monitor. Uma boa oportunidade encontrada para consertar este “erro” na série.

Outros dois momentos marcaram este episódio de forma especial. Sutilmente, Batwoman e Supergirl protagonizaram uma cena que referencia o embate entre Batman e Superman, visto tanto nos quadrinhos quanto no cinema. Mas aqui, ao ficarem frente à frente após o desentendimento, resolvem seus problemas quando a confiança entre ambas fala mais alto. Recriando outro momento icônico da nona arte, vimos o fim de Barry Allen, desaparecendo da realidade para salvar o multiverso. A diferença é que nesta versão aconteceu com o Flash da Terra-90, o mesmo da série dos anos 90, interpretado por John Wesley Shipp. Resta saber o que isso irá implicar em The Flash e qual ligação o evento terá com o jornal do futuro presente desde seu episódio piloto.

O multiverso está mudando

Por mais que muitas adaptações sejam necessárias para que o evento se contextualize com o Arrowverso, muitos desses detalhes se mantiveram fiéis a original. Até mesmo o grande papel que Percursora/Lyla tem na trama se manteve bem próximo ao dos quadrinhos, já que é ela quem mata o Monitor ao ser controlado por seu arqui-inimigo Anti-Monitor. Pariah enviando os sete Paragons para o Ponto de Fuga foi um grande momento, mas, infelizmente, foi rapidamente minimizado ao fazerem Lex Luthor (Jon Cryer) trocar de lugar com o Superman (Brandon Routh). Acho a interpretação de Cryer como o vilão irritante e bem aquém do personagem dos quadrinhos, então vê-lo ganhando mais destaque não chega a ser animador.

Crise nas Terras Infinitas encerrou grandemente o ano de 2019 e ainda promete muitas viradas em suas duas últimas partes em janeiro. A parte 3, em particular, superou as expectativas, ao apurar a trama, e culminou com um gigante e imprevisível cliffhanger. Alguns furos de roteiro e decisões tomadas ao longo da saga podem ser questionáveis, mas parece que trouxeram melhores resultados dessas decisões. O enredo tem progredido com surpresas e desenvolvimento. O mega crossover promete se tornar um grande marco na televisão, conectando assim quase todas as produções relativas a DC, seja para televisão ou cinema, em um mesmo universo. Janeiro parece que nunca esteve tão longe…

Imagem: The CW/Divulgação

CURIOSIDADES:

– Nos quadrinhos, Pariah foi um cientista que negligenciou sua família enquanto procurava os segredos do universo. Sua intromissão atraiu a atenção de Anti-Monitor que usou seu portal para desencadear a onde de anti-matéria que deu início a Crise. Foi salvo por Monitor que o colocou para rastrear os movimentos do Anti-Monitor.

– Nos quadrinhos, Ryan Choi foi estudante de Ray Palmer e seu sucessor como o herói Atom.

– Nos quadrinhos, Espectro é um espírito que possuiu como hospedeiro o policial Jim Corrigan, que volta da morte com a missão de punir almas corruptas.

– A versão do Superman de Brandon Routh é a da minissérie “O Reino do Amanhã” dos quadrinhos.

– Na Terra-666, é possível ver rapidamente um outdoor de Watchmen.

Nota do Episódio9
Review da parte 3 de Crise nas Infinitas Terras, crossover presente no nono episódio da sexta temporada de The Flash.
9
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Álefe Cintra

Jornalista e apaixonado por séries. Tem a mesma profissão de Clark Kent, usa óculos parecido, mas infelizmente não é super-herói. Grande fã de séries de super-heróis e fantasia. No Mix de Séries escreve as reviews de Arrow e The Flash.

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