Crítica: Sim, 2×07 de The Good Fight vai falar de Impeachment

Day 450 The Good Fight, The Good Fight 2x07
Day 450 The Good Fight

Imagem: CBS All Access/Divulgação

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Será que The Good Fight não está ficando muito política?

Confesso que quando soube que The Good Fight falaria sobre um possível impeachment do Presidente Trump fiquei preocupado. Não que os roteiristas fariam algo ruim. Longe disso, uma vez que a 25ª emenda da Constituição americana nunca esteve tão atual. Todavia, penso que trata de tal assunto de uma forma tão firme e consistente, pode transformar a série numa produção partidária e não mais política. Felizmente, a produção não me decepcionou. Na verdade, o resultado final foi surpreendente.

Imagem: CBS/Divulgação

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Ruth Eastman (Margo Martindale) está em busca de um escritório de advocacia nos grandes centros democratas, ou melhor, urbanos (Nova York, Los Angeles, Atlanta, Chicago e Filadélfia) para que possam criar uma boa tese jurídica para que o partido, assim que controlar Washington D.C. a partir de 2019, pedir o impeachment do Presidente Trump. A proposta faz com que o escritório novamente se divida entre os pró-Trump e anti-Trump. Ao mesmo tempo, Marissa descobre uma nova pista sobre a onda de assassinatos de advogados, enquanto Maya esta divida entre dois amores e Lucca descobre as dificuldades de uma mulher grávida no ambiente de trabalho.

Acredito que o roteiro acertou ao destacar os mais diversos problemas jurídicos do Presidente indicando que já há uma fartura de crimes, basta que o Congresso tenha vontade política de agir. O curioso é que a mensagem não é essa. Tanto que o telespectador não fica sabendo exatamente a argumentação jurídica que destacou a Reddick, Boseman & Lockhart. Será que é obstrução de justiça? A ideia de Day 450 é chamar atenção para morte dos valores, dos ideais e dos princípios, porque não há mais verdade, decência ou moral.

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Isso não ganha eleições ou se conquista uma alta audiência. Líder de classe, talvez. Para derrubar o presidente num futuro próximo, ou dos seus filhotes que se criam no Missouri, Nova York e Virgínia Ocidental, precisa-se de algo maior do que corrupção, conspiração contra o próprio país ou obstrução de justiça. Quem sabe mentir, inventar histórias e até uma  “hibérbole verdadeira” e atrair o máximo de atenção é quem vai ganhar o argumento. Será que já estamos nesse ponto?

Audra MacDonald está na sua melhor forma onde conseguimos sentir sua raiva, frustração e incômodo com a situação do país e opressão as minorias. A atriz entende com muita clareza sua missão e brilha, principalmente nas grandes cenas. Christine Baranski vem representando o telespectador mais atento desde o início da temporada. Todavia, acredito que seu desabafo e toda angustia trazida consigo é que muitos americanos têm vontade de fazer: chutar o balde e dar um f***-se para tudo que está acontecendo. É possível que ambas as atrizes estão interpretando a si mesmas, mas foi uma experiência realmente espetacular vê-las em cena. Inspirador eu complementaria.

O mesmo pode ser dito de Cush Jumbo, cujo papel é um verdadeiro marco nessa temporada anêmica e desperdiçada de televisão. Acredito que nunca tive a experiência de acompanhar uma personagem grávida ser retratada de uma forma tão honesta no ambiente de trabalho como aqui. Não apenas pelo machismo escrachado quando pediu uns minutos para ir resolver outro problema e seu cliente alertou-a que “não tinha problema se precisasse ir ao banheiro”. Mas também pelo cinismo dos seus superiores. “Variações de humor”? Sério mesmo? Acredite, é mais comum do que podemos imaginar.

Por outro lado…

Essa situação amorosa de Maya, sinceramente, não me emociona. Na verdade, uma problemática romântica precisa ser extraordinária para ganhar minha atenção. Do contrário será apenas uma distração. Já Marissa, mesmo envolvida no mesmo imbróglio, consegue ser relevante por estar envolvida em outros núcleos e narrativas mais interessantes. Essas festinhas sequer apelam para o meu gosto mais cômico. Em contraste, adoraria que focasse mais na provável campanha de Colin. Falar sobre a máquina que o partido democrata tem em Illinois, mais precisamente em Cook County, para controlar as eleições locais. O distrito em questão (0 1º), vale lembrar, é controlado pelo partido desde 1993.

Em suma, The Good Fight surpreende novamente. Talvez seja o melhor episódio da temporada. Todavia, mesmo que esteja cedo para fazer tal afirmação, a animação no final do episódio é uma das melhores coisas que você assistirá nesta semana.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

1 comment

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    Glender Rios 23 maio, 2018 at 10:03 Responder

    Parabéns pelo review!
    Estou acompanhado a temporada atrasado, mas realmente é claramente perceptível a evolução da série na segunda temporada. Os episódios estão muito emocionantes! Da vontade de maratonar.
    Concordo com você que a questão amorosa da Maia é um tanto quanto chata, mas também acho muito estranho ela continuar com alguém que foi depor contra ela no tribunal. Oi?

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