Crítica: 2×08 de The Good Fight na sutil arte de usar luvas de pelicas

Day 457 The Good Fight
Day 457 The Good Fight

Imagem: CBS/Divulgação

The Good Fight surpreende mais uma vez!

A qualidade que tornou The Good Wife uma das melhores séries enquanto estava no ar foi a forma inteligente na qual desenvolveu o surrado gênero do drama jurídico. Boston LegalLA Law e outros servem para ilustrar o quão forte e robustas suas contribuições foram para a televisão. Entretanto, mesmo soando como uma utopia deste que vos escreve, acredito que The Good Fight, embora bebendo da fonte dos clássicos, revoluciona, a cada episódio, a maneira na qual nós, telespectadores, assistimos ou pelo menos deveríamos assistir, um drama jurídico.

Day 457 The Good Fight

Imagem: CBS/Divulgação

Contratados para representar um homem negro que ficou paraplégico após ser baleado por um policial supostamente racista, Boseman, Diane e Julius estão confiantes que o julgamento está ganho. Qual júri que vai ficar do lado de um policial branco e do problemático Departamento de Polícia de Chicago? Exatamente. Com ajuda de Kurt (Gary Cole) pode-se afirmar que os membros do júri estão praticamente decididos em favor do pobre homem impedido de passear com o seu cachorro.

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Apesar de tocar no sempre necessário, e atual, tópico de brutalidade policial, o caso pouco importa. Isso porque o roteiro trata da questão de influência do júri de forma extraordinária. Pegando carona na discussão de como que a Rússia influenciou as eleições de 2016, questionou-se a possibilidade do júri ser manipulado por notícias falsas estrategicamente lançadas nas suas redes sociais. Pode parecer fantasioso que um mero julgamento poderia ser bagunçado a partir de um fake news. Mas quer saber? Se em 2014 você me falasse que uma eleição presidencial dos EUA pudesse ser influenciada da maneira que foi, eu daria uma risada.

Mesmo que o roteiro tenha se utilizado de uma forma muito didática, o telespectador entendeu que a situação é séria, dramática e com potencial extretamente danoso ao direito e às leis como conhecemos hoje. É possível impedir um julgamento do tipo de O.J. Simpson e dos irmãos Menendez. Não deixe que o júri assista televisão ou leia jornais. É difícil, porém possível.

É pra rir ou chorar?

No entanto, como prevenir que o júri abra o seu Facebook, Twitter ou Instagram? E se ele estiver num grupo de WhatsApp que lhe torne imparcial para analisar determinado caso? Quem vai inferir tal violação? São perguntas que me faça após o episódio, mas mesmo que tenha ficado preocupado, não tenho condições para responder. Entende o problema?

De forma bem humorada, o roteiro fala da tendência assustadora do presidente em nomear juízes federais pouco qualificados para cortes ao redor do país. A cena na qual Diane participa foi extremamente divertida, mas incrivelmente real. É verdade que o Senado americano ainda não aprovou nenhum juiz pouco qualificado para servir. Entretanto, já se deparou com um caça fantasmas e de outro que nunca teve qualquer contato com a lei. A equipe de Donald Trump, entretanto, acreditou que ele poderia ser um dos novos juízes federais em Washington D.C.

O estilo novelão que imperou na conclusão do episódio ajudou (e muito) os atores, especialmente Christine e Gary, cujos personagens compartilham um relacionamento desinteressante desde os tempos da Lockhard & Gardner. Megan Hilty foi sensacional, mesmo reduzida a poucos diálogos. Assim como Alan Alda que não me surpreenderia se for indicado ao Emmy de 2018 pela performance.

Em suma, The Good Fight surpreendeu ao tratar de uma questão muito assustadora: influenciar o júri com notícias falsas. Além de mostrar o desprezo que Donald Trump tem frente instituições que mantém os Estados Unidos um exemplo de democracia. Sem nenhuma dúvida, temos aqui mais um episódio impecável.

https://www.youtube.com/watch?v=2ZxrJTYcogA

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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