Crítica: No episódio 2×12, é The Good Fight contra o mundo

The Good Fight Day 485, The Good Fight 2x12
The Good Fight Day 485

Imagem: CBS All Access/Divulgação

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It’s Morning In America!

A imagem acima poderia ser uma obra prima de um pintor contemporâneo famoso. E embora seja uma cena do episódio de The Good Fight desta semana, nós podemos manter o uso da “obra prima”. Faço tal afirmação com total segurança, pois mais uma vez a série nos surpreendeu ao apresentar um episódio ousado, irônico, com muito ritmo, extremamente inteligente e uma ambição de deixar qualquer concorrência de lado (ouviu Netflix)?

The Good Fight Day 485, The Good Fight 2x12

Imagem: CBS All Access/Divulgação

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Com Boseman de volta ao trabalho, ele enfim toma conta do processo da esposa de Sweeney (Dylan Baker), Naftali Amato. Para uma resolução breve, precisa-se do depoimento de uma testemunha, cujo transporte e preparação são feitos por Maya e Jay. O problema é que eles acabam parados pela polícia, que descobre uma suposta droga carregada pela testemunha. Todos, com exceção de Maya, são presos. Diane e Liz são chamadas para defender o detetive na audiência de custódia. Lá elas descobrem que agentes federais de imigração estão prontos para pega Jay e deporta-lo.

Trabalho em equipe.

Pela breve sinopse acima, é possível inferir que um dos temas do episódio é imigração, que talvez seja um dos assuntos mais polarizantes dos Estados Unidos desde quando Donald Trump decidiu ser presidente. Entretanto, observa-se de forma irônica, a discussão entre direitos da união vs. direitos dos governos locais; grave ataque no sistema jurídico promovido pela atual administração ao nomear juízes nada qualificados para cortes federais, sem deixar de destacar a forma desumana na qual as deportações são feitas.

O que diferencia esse episódio dos outros é coerência entre a área técnica com a criativa. Ora víamos uma grande performance de Christine Baranski, enquanto a qualidade do som ficava esquecida, ora os figurinos chamavam mais atenção do que um diálogo entre Maya e Marissa. Desta vez, todas as engrenagens funcionam perfeitamente. A edição ajuda o roteiro a acertar o ritmo frenético da história; a fotografia melhora a capacidade do diretor em capturar o melhor de uma cena não muito importante, mas que se torna espetacular. É uma enorme satisfação para quem assiste ver tudo funcionando. Torna a experiência mais proveitosa e inesquecível.

Como pode um juiz estadual decidir diferente do federal sendo que a discussão é a mesma? Primeiramente porque o federal sequer saber como vestir sua toga, contumaz compreender Arizona v. United States; Nevada Department of Human Resources v. Hibbs e entre outros. Em segundo lugar, pois a união é incumbida da tarefa de legislar e promover políticas públicas relacionadas a imigração. Por fim, lembra-se também que, em virtude do federalismo, um prefeito ou governador é quem manda naquele território. O que significa que, sabendo que Chicago é uma cidade santuário, o governo federal não pode simplesmente colocar a agentes nas ruas em busca de imigrantes ilegais.

Atenção ao barulho ao redor!

The Good Fight não precisa, nem deve explicar todas as nuances que o tema admite. O telespectador precisa saber do assunto, ter senso crítico com aquilo que ele assiste e estar ciente do que esta no noticiário. Acredito ser quase impossível entender todas as mensagens do texto se não saber o que acontece nos EUA. O roteiro é certeiro em todos os sentidos na sua crítica e por incrível que pareça, não errou ainda.

Durante todo o episódio, temos a oportunidade de ver alguns pequenos símbolos, porém grandiosos para entendermos a mensagem ao final. A queda do brasão do sistema judiciário de Cook County, na conclusão de audiência de concessão de visto artístico para Jay não é em vão. Seu significado, ao meu ver, é o ataque constante à justiça e leis no atual ambiente.

Assim como na conclusão de Day 485, que mostra Jay andando tranquilamente pelas ruas de Chicago, mostrando que por mais contundente que sejam ambos os lados, às vezes nós esquecemos o porquê estamos em determinadas batalhas.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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