Crítica: The Village tem potencial para te fazer chorar, mas não terá vida longa

Novo drama familiar, The Village tem boa história…

A NBC lançou The Village há poucos dias, novo drama familiar da TV americana. A emissora é responsável por grandes sucessos do gênero como Parenthood, e o fenômeno mais recente This Is Us. E assim como ambas, The Village tem um imenso potencial. Com boas histórias e ótimos personagens, ela certamente conseguiria fazer o público se emocionar. Mas com uma baixa audiência em sua estreia, certamente ela não terá uma vida longa.

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Conexão de suas histórias

Um dos grandes acertos do piloto é conectar bem suas histórias, ao mesmo tempo em que trata dos personagens de forma isolada. Ou seja: ela apresenta todos os núcleos individualmente, ao mesmo tempo que tenta conectá-los de alguma forma. O condomínio The Village é a grande conexão entre eles, apesar de que é visível uma relação de amizade bem mais do que a de vizinhos.

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Não há um grande protagonista em si, mas percebe-se que a personagem de Michaela McManus é um motor importante para a trama. Sarah Campbell é uma enfermeira, mão solteira, que tem uma rotina complicada em um hospital para idosos. Entretanto, sua vida dá uma reviravolta quando a filha encontra-se em um dilema que ela mesma sofreu na época de adolescência.

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Michaela McManus é Sarah Coleman, e Grace Van Dien é Katie Coleman em The Village. Imagem: NBC/Divulgação

Background interessante

A medida que vai apresentando os personagens, vemos a força que eles têm para emocionar o público. De todos eles, o destaque vai para a atriz Lorraine Toussaint, que dá vida a Patricia Davis. A personagem é forte, uma mulher madura, que parece servir de apoio para muitos personagens. Entretanto, está enfrentando um drama pessoal médico, ainda um tanto misterioso para a trama. Certamente, abalará sua vida e a das pessoas ao seu redor.

Sua conexão com Ava é ótima, e mesmo elas não tendo dividido cenas neste começo, percebe-se a cumplicidade uma com a outra. Ava, inclusive, é uma personagem interessantíssima. Imigrante, refugiada do Irã, ela está sendo perseguida pela polícia de imigração de Nova Iorque, e é presa no primeiro episódio. O drama aumenta ainda mais quando ela tem um filho pequeno para criar. A série, assim, não tem medo de discutir um assunto polêmico que toma conta do cotidiano norte-americano, principalmente frente às políticas contraditórias do presidente Donald Trump. Sem dúvidas, uma excelente forma de discutir um assunto muito importante.

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Foco nos veteranos militares

Algo que me chamou atenção é a forma como eles dão importância para a trama dos veteranos militares. Os velhinhos, claro, compõem a melhor parte do episódio. O grande ator Dominic Chianese sai da sombra de participações que vinha fazendo em séries como The Good Wife e Boardwalk Empire e relembra seus dias de glória de The Sopranos ao assumir um personagem forte e com destaque. Enzo Napolitano é um ex-militar, que parece querer aproveitar muito da vida, e a conexão com seu neto Gabe Napolitano (Daren Kagasoff) é importante para isso.

Eles possuem uma espécie de “clubinho”, que acaba de receber o mais novo morador do The Village, Nick Porter. Interpretado por Warren Christie, que teve uma rápida passagem por The Resident, o bonitão é também um ex-militar, que parece sofrer de um transtorno pós-traumático. Além disso, ele mostra-se com marcas de guerra, principalmente por ter perdido uma de suas pernas em combate.

É um personagem interessantíssimo, principalmente por ser um novato em um prédio que aparenta ser bastante unido. Entretanto, há um passado na história do personagem que se conecta com uma das protagonistas. E isso, sem dúvidas, é uma das peças chaves para o episódio.

Reviravoltas interessantes

Assim como This Is Us trabalha o plot twist no final de seu primeiro episódio, envolvendo a transição de tempo entre os personagens, The Village tem uma carta na manga. Não tão impactante, mas surpreendente. E essa reviravolta é sinônimo da conexão entre os personagens que parece ser, de fato, a grande protagonista da série.

Sendo assim, The Village não é algo sensacional. Alguns podem até considerá-la mais do mesmo. Mas, hoje em dia, séries de TV se tratam de bons personagens. Estes que apresentem potencial para carregarem boas histórias, a ponto de mostrar a que veio e se tornar relevante de alguma forma para a televisão. E enxergo The Village neste patamar. Ela se propõem a contar boas histórias, tem um roteiro decente, e envolve o espectador ao final de seu primeiro capítulo.

A vontade é de voltar para mais episódios. Mas a audiência não correspondeu logo de cara, e conhecendo o histórico da NBC, essa deverá ser mais uma série do canal que terá vida curta – mas o suficiente para criar fãs e marcar a vida de alguns espectadores. Eu te encorajo a assistir. No final das contas, vale a pena…

https://www.youtube.com/watch?v=6R_Jrs5VH2E