Crítica: The Witcher, superprodução da Netflix, não é um desastre – mas decepciona

Critica de The Witcher

Trama enche os olhos, mas falha ao estabelecer conexão entre os personagens e o público

A pior coisa para uma série de TV é a indiferença do público. Se a audiência não se importa com os personagens ou com a história, qual o propósito? The Witcher, nova superprodução da Netflix, falha notavelmente ao estabelecer um elo entre o espectador e toda a mitologia desenrolada na tela. É apenas a partir do terceiro capítulo que a trama começa a ficar menos nublada e os personagens mais convidativos. Ainda assim, o projeto soa como uma oportunidade perdida de se fazer uma fantasia épica marcante e segura de si.

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Baseada na famosa marca The Witcher, a série não poupa o espectador de nomes, conceitos, visuais e canções típicas das clássicas fantasia. E se falamos que o programa é baseado em uma “marca”, é porque The Witcher já se estabeleceu como um fenômeno em diversas mídias. Embora muitos conheçam o universo através dos jogos, a saga do bruxo Geralt é um sucesso editorial, tendo vendido milhões de cópias de livros e HQs. É nas páginas que a adaptação se ancora, mas acaba fazendo um bom trabalho apenas para quem já conhece a história.

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Série tropeça na quantidade de personagens e tramas confusas

Histórias fantásticas, de mitologias densas, geralmente escondem uma infinidade de personagens, lugares e conceitos pregressos que jamais são explicados. Nas mãos de um roteirista talentoso é possível que a narrativa se desenvolve sem grandes tropeços. O segredo é ir com calma, tendo controle das apresentações e do tempo desprendido para cada núcleo. O problema em The Witcher, principalmente em seus capítulos iniciais, é não ter controle do ritmo e da grande quantidade de informações que precisa passar.

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Na ansiedade de estabelecer diversas ameaças e personagens, o roteiro falha ao fazer o básico: apresentar o bruxo protagonista. Os livros que inspiram a série se saem bem justamente por focar em um só personagem quando precisa desenvolvê-lo. A série, contudo, não tem coragem o suficiente para fazer um piloto inteiramente focado em Geralt. Tendo o bruxo bem estabelecido, o resto é apenas uma consequência segura, já que temos uma bússola tendo da história.

O problema é que o roteiro atira para todos os lados e, no fim, o público não gravou o nome de ninguém, não entendeu o propósito da história e tampouco se importou com os perigos mostrados. Séries de TV precisam de conexão, principalmente nos dias de hoje, em que os programas ficara mais acessíveis e numerosos. Falhar ao despertar o interesse do público é relegar o projeto ao nicho. A grande questão é que The Witcher é uma série muito grande e cara para ser uma “série de fãs”. Ela precisa da aprovação do grande público, e essa aceitação talvez não chegue.

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Parte técnica e elenco são as melhores partes do projeto

De todo modo, The Witcher é um prato cheio para quem gosta de fantasia. Monstros, bruxos, feitiços, cavalos e espadas. A série acerta ao não ter vergonha de suas raízes e inspirações. Geralt luta contra monstros gigantes, passa por portais e lança feitiços. Tudo isso situa o universo entre os grandes clássicos da fantasia, que não tinham medo de ser o que são.

E tudo é feito com altíssima qualidade visual: os efeitos visuais funcionam e são pomposos; o mesmo serve para a trilha sonora, que deve aquecer os corações dos fãs. A direção de arte e figurinos não ficam para trás, fazendo um belíssimo trabalho ao criar um mundo crível e belo, ainda que violento e sujo. O grande destaque, contudo, vai para a fotografia, que dá vida ao universo de The Witcher do jeito que milhões de fãs imaginaram.

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Vale apontar, ainda, que o elenco funciona em sua maioria. Henry Cavill esbanja carisma, enquanto Anya Chalotra rouba a cena sempre que aparece. Como um todo, os atores fazem um bom trabalho, e parecem confortáveis em seus papeis. É uma pena, portanto, que os personagens muitas vezes não recebem a atenção e o desenvolvimento ideais. Ainda assim, The Witcher não é um desapontamento total, mas fica muito abaixo de tudo que poderia ser.