Daredevil – 1×05 – World on Fire

Daredevil World on Fire

Imagem: Arquivo pessoal

Em uma das reviews já publicadas sobre Daredevil comentei que Matt Murdock era um cara normal, sem super poderes. Depois de World on Fire, porém, começo a acreditar que a audição aguçada do sujeito pode ser considerada quase sobre-humana. Ao visitar uma delegacia, justamente no intuito de descobrir alguma coisa relevante, Matt ouve, à distância, uma queima de arquivo. Quando um suspeito é assassinado pela polícia por saber demais e pronunciar o nome de Wilson Fisk, Matt percebe que as coisas são ainda mais graves do que se supunha.

Fisk, aliás, revela mais um talento: quando resolvendo negócios é sério, direto e intimidador; em ocasiões sociais, como no jantar com Vanessa, é um grandalhão tímido e inseguro. O jantar com Vanessa, aliás, surge como uma das sequências mais importantes do show por dois motivos: primeiro, por inserir a personagem ao mundo de Fisk, conquistando-a, e segundo, por revelar alguns dos objetivos do Rei do Crime. Pois se há uma excelente ideia na série é esta: nenhum personagem é muito bom ou muito ruim, e todos têm seus objetivos e pontos de vista. Matt e Wilson de certa forma querem a mesma coisa para Hell’s Kitchen. O que muda é a abordagem, o modo como cada um vai alcançar o que deseja.

Demolidor World on Fire

Imagem: Arquivo pessoal

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Enquanto Matt é o justiceiro, o homem sem face, que quer limpar a cidade à base da justiça, Fisk também é um homem sem face, mas que resolve tudo com violência e morte. Se não, comparemos: primeiro, porque ambos mantêm a identidade em segredo ao máximo; segundo, porque ambos não querem ser incomodados ou reconhecidos; terceiro, porque os dois são pessoas sem muitos amigos e com vidas amorosas complicadas. Fisk e Murdock, enfim, são pessoas parecidas. O que muda é o trajeto tomado por eles para chegar aos objetivos. Wilson usa a violência e o poder para acabar como toda a escória do lugar. Tudo o que ele julga à margem da sociedade, ele explode. Literalmente.

É a história do vilão que tem uma ideia, mas a desenvolve das piores maneiras. O interessante, porém, é que o Rei do Crime parece muito mais humano do que outros vilões. Ao conversar com Vanessa, que parece ter embarcado no projeto de limpeza na Cozinha do Inferno, Wilson afirma que já machucou muita gente, e que ainda irá machucar muitas mais. É uma fala parecida com aquela proferida por Matt no piloto, ao pedir perdão por aqueles que ele ainda viria a machucar. Fisk tenta resolver tudo sem que suje as mãos, mas às vezes suja. O mesmo acontece com Matt, que sempre prima pela justiça, mas a violência às vezes se faz necessária. Nem muito bons, nem muito ruins.

Mas World on Fire não se sai bem apenas quando fala sobre Matt ou Wilson. Finalmente, um tempo maior e mais interessante é voltado para Nelson e Page. Trabalhando juntos em um caso, Foggy, que até então não havia recebido a devida atenção, pôde aparecer. Ainda assim, o episódio sugere o início de algo maior do que amizade. Fica evidente em algumas cenas que Page tem uma queda por Matt, mas ao perceber que talvez não tenha chances – ou que não vale a pena – com Murdock, Karen parece investir em Nelson. Outro romance completamente desnecessário se concretiza: ao beijar Claire, Matt inicia uma história perfeitamente evitável. Romance é bom, às vezes até ajuda a trama, mas essas subtramas envolvendo Claire/Matt e Nelson/Page e Page/Matt realmente não ajudam em nada e só desviam a atenção do que realmente importa. O mundo, afinal, está pegando fogo, e não há tempo para que todos fiquem de beijinho e carinho.

Contatação 1: Muito legal e bem feita a cena que revela como é a “visão” de Matt. E melhor do que a vista no filme.

Constatação 2: A sequência – sem cortes, assim como a do corredor no segundo capítulo – que se passa dentro de um carro e acompanha uma luta que acontece do lado de fora é sensacional.

Constatação 3: Quando Matt visita a delegacia, há um pôster atrás dele que avisa: “Você não precisa revelar sua identidade para impedir a violência criminal”. Além de ser uma alusão ao próprio ofício de herói, que resguarda a identidade, o cartaz referencia Civil War e consequentemente o novo filme do Capitão América. Civil War aborda questões como identidade secreta, importância e relevância dos heróis, etc.

Constatação 4: Também, quando Matt vai à delegacia, um quadro pode ser visto atrás de um oficial. O sujeito feliz na foto é ninguém menos que Stan Lee. Sim, porque aparecer é só para os filmes; para a TV ele manda uma foto.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

4 comments

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  1. Caroline Marques
    Caroline Marques 18 abril, 2015 at 01:28 Responder

    invejando de forma branda essa sua inteligência sobre correlacionar fatos que eu não vejo, será que sou disléxica nesse nível? acho que só não entendo mesmo! 🙁 ashuahsauhsuahsuahs

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 19 abril, 2015 at 12:05 Responder

      Hahaha Fazer a review faz com que você preste mais atenção do que o normal, acabando por notar alguns detalhes. Tenho certeza que vc percebeu coisas em Bloodline, por exemplo, que eu deixar passar em branco. rsrsrs

  2. Anderson Narciso
    Anderson Narciso 18 abril, 2015 at 17:28 Responder

    Também não pesquei algumas coisas que a review me alertou ahahahh;
    Deixei o poster de Civil War passar completamente!

    Excelente crítica Matheus!

    • Matheus Pereira
      Matheus Pereira 19 abril, 2015 at 12:06 Responder

      Valeu, cara!! Esse pôster aí passa escondidinho e meio rápido no episódio, mas é uma ótima sacada. E vai ser mto bom se o Demolidor participar do filme.

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