Daredevil – 1×08 – Shadows in the Glass

demolidor shadows in the glass
Imagem: Arquivo pessoal

Qualquer episódio que se dedique a contar a história de Wilson Fisk e acompanhá-lo em sua escalada ao poder acaba por ser um capítulo imperdível. É o que acontece com Shadows in the glass, que começa ao som de uma das melhores composições clássicas (Bach Cello Suite Nº 1) enquanto vemos a o início da rotina de Fisk. Metódico, Fisk prepara o próprio café e escolhe a roupa, que irá vestir. Nada que fuja do preto, básico e sempre presente, ou da abotoadura que guarda um passado impressionante.

Continua após publicidade

O passado, aliás, é peça fundamental no episódio. E não deixa de ser curioso, por exemplo, que a história passada de Wilson seja revelada e desenvolvida logo após conhecermos um pouco mais da infância de Matt Murdock. O Demolidor, aliás, mal aparece no episódio. As atenções estão voltadas para Fisk, que depois deste capítulo, torna-se cada vez mais um dos melhores vilões em séries recentes e certamente um dos melhores antagonistas do Universo Marvel.

Continua após a publicidade

O cuidado com o que o personagem é desenhado é impressionante. A humanidade injetada em Wilson é notável e muito se deve ao trabalho absolutamente fascinante de Vincent D’Onofrio. Seguro dentro de seu papel, D’Onofrio encarna o vilão mesclando humanidade, descontrole e até mesmo doçura. Há, em seus olhos relutantes, uma inegável mistura de inocência e fragilidade. Está lá, também, a sensação de que uma bomba pode estourar a qualquer momento. Os dedos que não param de tremer e o sono pesado, regado a pesadelos, nos revelam um pouco dos problemas encarados por Fisk.

Continua após publicidade

Também pudera: enquanto alguns vilões apenas abraçam a anarquia e desejam fazer o mal gratuitamente, Fisk teve um passado horrível, difícil. Nada justifica, claro, a violência e psicopatia, mas Wilson torna-se ainda mais trágico e perigoso ao termos certeza de que ele é apenas um homem sofrido, e pior: com propósito. Pois não há vilão mais ameaçador e complexo do que aquele com uma ideia e um propósito verdadeiro. Os melhores vilões são aqueles que têm um objetivo real e com razão. Fisk quer limpar a cidade e seus argumentos fazem sentido. Como ficar contra uma pessoa que quer ajudar? A única coisa que o diferencia de um herói é o fato de que seus métodos não são os ideais. E é basicamente isso que difere Fisk de Murdock. Num cenário geral, ambos são extremamente parecidos. Ambos têm um passado conturbado e ambos almejam um futuro parecido.

E Matt realmente aparece pouco neste episódio. Não fosse uma série da Netflix, cujas séries se desenvolvem de modo diferente daquelas da TV convencional, Daredevil estaria caminhando em terreno perigoso. Imagine se Daredevil tivesse um episódio lançado por semana e que em um deles, como Shadow in the glass, o herói protagonista mal aparecesse. Na Netflix, porém, a sensação de que Daredevil é um longo filme de treze horas apenas é reforçada. Depois de desenvolver muito bem os passados dos dois personagens principais, resta aos roteiristas definirem com propriedade as tramas de todos os outros coadjuvantes. Nelson e Karen seguem em um decepcionante segundo plano, e seria interessante que algo realmente importante acontecesse com os dois ou com apenas um deles.

Continua após publicidade

Constatação 1: Não há muito o que comentar além do que já foi visto no episódio ou falado nas outras reviews.

Constatação 2: Ben parece começar a se destacar na trama agora que entrou em contato com o mascarado.