Daredevil – 1×12 – The Ones We Leave Behind

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Imagem: Arquivo pessoal

Na review anterior, comentei que Daredevil encaminhava-se para seu desfecho após reposicionar as peças do tabuleiro. E o que se vê neste penúltimo capítulo é realmente o início da finalização das tramas expostas nesta primeira temporada.

Uma das melhores coisas que vem acontecendo nessa reta final é o caminho paradoxal que Wilson Fisk percorre. Enquanto seu lado humano se confirma ao vermos seu pesar pela morte de Wesley, sua maldade vai aflorando cada vez mais. Sabemos que Fisk não é um bom sujeito desde o início, mas até então ele tinha uma causa. Ele não era mau apenas pelo prazer de ser. Essa luta entre sua humanização e vilania é brilhantemente retratada por Vincent D’Onofrio, que merece, volto a repetir, uma indicação ao Emmy de Melhor Ator Coadjuvante.

Mas não é apenas Fisk que sofre. Todos sofrem em Daredevil. Chega a ser surpreendente, aliás, como todo mundo apanha de tudo e de todos. Matt já é um sofredor por natureza. Fisk sofre por perder o amigo, Karen sofre por matar alguém e por estar sob constante ameaça, Foggy sofre por cortar relações com o melhor amigo. Ninguém está passando por um bom momento. Essa sensação de perigo e angústia vem em um bom momento: não há mais como suportar. Como aprendemos na saudosa Breaking Bad, há o tempo para as “meias-medidas”, mas há o momento de tomar uma medida extrema e completa.

Como um todo, The Ones We Leave Behind é um excelente episódio. Seu maior problema é a insistência na briga entre Matt e Foggy, que segue sem atribuir nada à trama. Mas este é um erro da temporada como um todo e não deste episódio específico. A quebra na parceria entre os amigos e advogados é apenas um engodo, um atraso na história que promete chegar ao mesmo lugar que chegaria caso não houvesse o tal desentendimento.

Mas essa falha pode ser esquecida depois de presenciarmos a excelente sequência de Matt correndo pelos telhados dos prédios, enquanto persegue um carro. Tudo regado a acrobacias e uma música clássica que toca no carro e serve de guia para Murdock. É outro momento inspirado em uma série cheia destes. Outra grande sequência é aquela no galpão onde vários cegos empacotam a droga “Serpente de Aço”. Os minutos reservados aqui, aliás, são importantes. Além de termos uma ligação explícita ao Serpente de Aço, vilão do Punho de Ferro, temos um pequeno e surpreendente vislumbre do poder de Gao. Com apenas um golpe, a anciã quase colocou o Demolidor para dormir.

Outro ponto importante do episódio foi a confirmação de que Gao e Owsley estavam envolvidos no incidente que quase matou Vanessa envenenada. Além de esclarecer as vontades dos dois vilões, tivemos uma pequena dica de onde vem Gao. Ao ouvir de Owsley que ela estaria voltando para a China, Gao diz que ela vem de muito mais longe e que está voltando para meditar e pensar no que pode fazer no futuro. Ora, podemos presumir, então, que Gao vem de K’un L’um, mesma cidade mística de onde vem o Punho de Ferro.

Ufa! Muitas informações e cenas importantes em um só episódio. Daredevil caminha para o fim, e se o episódio final seguir a qualidade vista aqui, promete ser um grande encerramento.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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