Daredevil – 1×13 – Daredevil [Season Finale]

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Imagem: Arquivo pessoal

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O longo filme de 13 horas chega ao fim. Daredevil, sucesso de público e crítica, chega ao seu último episódio de maneira digna. A série mostrou uma trama sólida e um visual arrojado neste primeiro ano, e não deveu em nada para universo cinematográfico da Marvel. Com o pessoal certo no comando e um bom elenco, Daredevil seguiu mais a linha Cavaleiro das Trevas do que a linha Vingadores. Ora, podemos dizer, afinal, que a série é um dos projetos mais sérios e obscuros do universo Marvel.

No capítulo final, tivemos tudo de bom que o programa mostrou até então, mas também vimos seus problemas serem evidenciados. Começando pela idiotice que foi separar a dupla Matt/Foggy e que venho criticando nas últimas reviews. Foi comprovado neste último episódio que a briguinha entre os dois foi completamente desnecessária. Diga-me, se possível, o que a tal briga acrescentou ao quadro geral? Tudo o que Nelson e Murdock fizeram separados, poderiam ter feito juntos. E o pior: um tempo considerável foi gasto com toda essa bobagem. Um episódio inteiro foi reservado ao passado dos amigos e a ruptura de sua amizade. O plot é tão inútil, que não serviu nem para colocar Karen Page em um dos lados da batalha. Com os dois amigos separados, seria aceitável que Page caísse no romance de um dos sujeitos. Mas isso não aconteceu, e o pior: Foggy termina a primeira temporada dando a ideia de que voltará a se relacionar seriamente com a ex-namorada. E toda aquela ladainha pra cima da Page? Tudo foi esquecido. Todos aqueles preciosos minutos perdidos com uma subtrama amorosa não serviram pra nada? Daredevil sempre se mostrou como uma série que não deveria dar atenção para romance, e quando deu, acabou errando.

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A série, porém, felizmente compensa os erros com algumas ideias geniais. Neste último capítulo, por exemplo, vemos várias vezes a cor vermelha aparecendo ao redor de Matt. Ora, se você viu o episódio sabe que é aqui que ele veste o uniforme vermelho pela primeira vez. Assim, é interessante perceber que o diretor e os diretores de arte resolveram inserir o vermelho aos poucos no decorrer do capítulo, antecipando a chegada da saudosa veste rubra.

Outra jogada visual bacana é o fato de vermos Matt constantemente separado de todos os outros personagens. Nas primeiras reviews sobre a série, comentei que Matt e Foggy eram constantemente separados por algum elemento cênico, sugerindo a futura briga entre eles. Neste último episódio, o isolamento de Matt Murdock é óbvio: depois de tentar vencer Wilson Fisk e seus comparsas de maneira legal, sem conflitos maiores ou derramamento de sangue, Matt percebe que às vezes é necessário vestir o capuz do herói e sair às ruas. Neste sentido, só ele pode fazer isso. Um herói, afinal, trabalha sozinho e ninguém pode ajudá-lo na salvação da cidade e sua população.

Outro momento antológico é aquele em que, em câmera lenta, vimos os criminosos serem presos ao som de Nessun Dorma. Aos poucos vemos o império de Wilson Fisk ruir e ele mesmo ser preso, separado à força dos braços da amada Vanessa. Vanessa, aliás, deve ser fundamental em temporadas futuras. Ao ser obrigada a sair do país e ficar separada do homem que aprendeu a amar, a personagem parece ir embora com sede de vingança. É bem provável, portanto, que em episódios vindouros ela venha a se tornar uma importante vilã ou articuladora contra as investidas do Demolidor.

Daredevil, a propósito, é a história de origem perfeita. Engana-se quem acha que a primeira temporada nos revela apenas os primeiros passos do Demolidor. A série é tão cuidadosa com seus personagens que acaba se tornando uma história sobre diversas origens: Owsley caminha para se tornar o vilão Coruja, Vanessa cresceu e pode se tornar vital no futuro, Fisk ainda não está descartado, etc. Com todas as origens contadas, Daredevil pode retornar para uma segunda temporada pronta para investir em ação desenfreada e tramas que não precisam se preocupar com apresentações.

Mas se tivemos a oficialização de Matt Murdock como Demolidor, com uniforme vermelho e tudo, também tivemos o nascimento incontestável do Rei do Crime. Se até aqui conhecíamos Wilson Fisk, um sujeito perturbado, agora temos Rei do Crime, vilão legítimo e psicopata. E é simplesmente genial a sequência em que Fisk conta uma pequena história dentro do camburão do FBI. Aos poucos, Wilson revela que ele não é o mocinho da história, mas sim aquele que o prejudicou, que o machucou e o deixou ferido na sarjeta. É precisamente, neste momento, que Wilson Fisk se transforma em Rei do Crime e reconhece seu papel de vilão.

Com herói e vilão finalmente “registrados no cartório”, a batalha final acontece. Confesso que esperava uma sequência um pouco maior, mas gostei do que foi mostrado. Steven S. DeKnight, roteirista e diretor do episódio, além de showrunner da primeira temporada, sabe como desenvolver uma boa sequência de ação. Matt/Demolidor atinge o auge de suas habilidades e Fisk/Rei do Crime alcança o máximo de seu descontrole. É um momento rápido, mas marcante.

Os minutos finais servem para estabelecer como os personagens principais terminam: Vanessa sai do país, Matt e Karen entram juntos para o escritório e Foggy sugere que reatará o relacionamento com a ex-namorada. Mas nenhum encerramento é tão sensacional como o do Rei do Crime. Sentado, Fisk contempla a parede branca e vazia de sua cela. E a rima visual é impecável: a parede da sala é idêntica à parede da casa onde morou com a mãe e assassinou o pai. A parede também é idêntica ao quadro que Fisk comprou de Vanessa e pendurou na parede. A resolução, então, é clara: Fisk superou a infância difícil encarando aquela parede sem vida; encontrou conforto fitando o quadro vendido pela amada e agora passará seus dias olhando para as paredes da prisão. Não há dúvidas que ele também irá superar essa nova fase e que voltará no futuro para novamente assombrar os dias e noites do Demolidor.

#1 – Podemos ver a marca do Gladiador em um cartaz na oficina de Melvin Potter. Para quem não sabe, Potter vira o vilão Gladiador em algum momento.

#2 – Referência muito bem colocada a Serpico, ótimo filme policial da década de 70, dirigido por Sidney Lumet e estrelado por Al Pacino.

#3 – “A parte vermelha pode te proteger de uma facada dependendo do ângulo. Ou não!“. Mas que uniforme seguro, hein Melvin!

#4 – O último episódio merece a nota máxima de 5 estrelas. Mas vamos fazer uma média geral e deixar a temporada com nota 4. Acho justo.

#5 – Muito obrigado a você que acompanhou as reviews de Daredevil aqui no Mix. Foi um prazer. Até a próxima!

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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