Daredevil – 2×01 – Bang

Daredevil Demolidor 2x01

Imagem: Netflix

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Os sons da cidade. Vozes, gritos, buzinas, sirenes. Os sons nos lembram da movimentação constante e violenta da cidade, mas também ressaltam a condição do protagonista. O Demolidor voltou e sua audição está mais aguçada do que nunca. Vestindo sua roupa vermelha, o “Devil”, como é chamado pelos criminosos de Hell’s Kitchen, está mais forte, mais treinado e a vida particular parece ir bem. O primeiro episódio da segunda temporada é isso: mostrar que o herói vai bem apenas para bagunçar a sua rotina com a chegada de um exército.

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Mas vamos com calma. Falemos sobre o exército depois. De início, retomamos a história do Demolidor e seu universo de forma orgânica. A primeira cena já nos joga no meio da ação, com o herói perseguindo bandidos pelas ruas da cidade. A situação se resolve com uma pequena dose de violência e nos lembra de algo importante: o Daredevil nunca mata, apenas deixa os maus elementos à deriva para serem presos pela polícia. É algo que vai contrastar com os métodos do tal exército.

Daí, acompanhamos a interação orgânica de Matt com os amigos e parceiros Foggy e Karen. E aqui a melhor coisa da relação entre Nelson e Murdock é o fato de que não há segredos entre eles. É ótimo para o ritmo da trama que o melhor amigo do protagonista saiba quem ele realmente é. Assim, não há as abordagens clichês do amigo desconfiado ou do herói que faz de tudo para esconder a identidade secreta. Sem segredos, a relação dos dois pode ser desenvolvida com mais propriedade.

O que mais chama atenção neste retorno, porém, é o nível de violência das cenas. Basta o primeiro tiroteio – ou melhor, chacina – para o espectador constatar um aumento considerável de violência na série. Não que o primeiro ano não tenha sido violento, mas Daredevil parece decidida a elevar os litros de sangue em suas cenas de ação. Pouco disso se deve ao fato de que o novo personagem do show (você sabe de quem eu falo) é extremamente violento. Assim, com a chegada do sujeito, o programa precisava se tornar mais visceral.

Mas os diretores podem ter exagerado. É claro que a violência é ótima no propósito da série, e confere um ar mais realista à trama. O problema começa quando a violência gráfica se torna apenas um artifício visual deslocado e desnecessário. Repare no momento em que a câmera passa pelo buraco de bala no corpo de um cadáver. É puro exibicionismo técnico. Não há nada que justifique a sequencia em termos narrativos. Você pode dizer: “a cena do buraco de bala serve para mostrar o quão poderosa é a artilharia do exército”, mas essa defesa cai por terra ao percebermos que os personagens dialogam justamente sobre isso. Ou seja, se está sendo dito, não é preciso mostrar. Ao menos não com algo tão fútil e que chame tanta atenção.

Mas o que é o tal exército, afinal? É óbvio que o exército é, na verdade, o Justiceiro (Punisher, originalmente). E a revelação vem antes do final do episódio. Várias vezes durante o capítulo alguém falava em um novo exército, um grupo com artilharia pesada e sem medo do perigo. Não fica difícil de imaginar quem é o tal exército.

E o grande acerto deste retorno é já apresentar o Justiceiro. Ao invés de criar suspense e enganar a audiência por muito tempo, Daredevil já nos apresenta a um dos grandes personagens desta nova temporada. E com ele, algumas questões interessantes já surgem: o Justiceiro é um herói? Se sim, ele estaria no mesmo nível que o Demolidor? É por isso que a primeira cena do episódio é tão importante: enquanto o Demolidor deixa os bandidos vivos para serem presos pela polícia, o Justiceiro mata a sangue frio. Não há piedade. E assim a série novamente traz a imagem do antagonista complexo, nem tão ruim e nem tão bom. Wilson Fisk era assim. Um vilão com propósitos positivos, em alguns pontos.

O episódio então encerra com um rápido mas intenso confronto entre o Demolidor e o Justiceiro. É uma cena bem filmada e nos mostra a força e treinamento do antagonista frente ao herói. A sequência, aliás, já nos revela uma mudança interessante no visual da série: as cenas já não são tão escuras como na primeira temporada, o que indica um avanço na fotografia do show.

1 comentário

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  1. Caroline Marques
    Caroline Marques 18 março, 2016 at 11:19 Responder

    Eu gostava das cenas escuras como aquela famosa do segundo episódio da primeira temporada. Eles tentaram manter algo daquele tipo, com na cena da igreja nesse episódio, mas percebi que o negócio clareou! Vamos ver se as mudanças são de todo boas.

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