Daredevil – 2×02 – Dogs To a Gunfight

daredevil202

Imagem: Arquivo pessoal

 

Ainda que tente fugir dos clichês do gênero, Daredevil acaba abraçando algumas convenções. Não demorou para que o Demolidor virasse símbolo, assim como o Batman, por exemplo. Os heróis tornam-se mais que defensores e viram representações da luta contra o crime. Isso é citado durante o episódio quando se fala em “adoradores do Diabo”, ou seja, pessoas que seguem o “pensamento e estilo” do Demolidor. Heróis se tornando marcos impessoais sempre é interessante, mas na série da Netflix isso se torna um problema que discutiremos adiante.

Uma das melhores coisas do segundo capítulo, por incrível que pareça, é o núcleo envolvendo Nelson, Karen e o criminoso arrependido que é usado como isca para outros bandidos. É uma forma realmente interessante de se fazer os personagens de Foggy e Page andarem, se desenvolverem. A letargia destes personagens, aliás, era um problema da primeira temporada. Mas parece que agora os roteiristas têm ideias melhores para a dupla, que parece melhor inserida na ação.

Mas o que há de melhor mesmo é o Justiceiro, claro. Neste segundo episódio, conhecemos um pouco mais sobre o Punisher. Interpretado por Joe Bernthal, um ator que não me agrada muito confesso, o Justiceiro de Daredevil tem funcionado. O termo “Justiceiro”, aliás, já é apresentado como algo estabelecido no universo da série. As pessoas em Hell’s Kitchen já conhecem o exército de um homem só como Punisher.

O desenvolvimento cuidadoso do personagem culmina em uma de suas melhores cenas até aqui: ao comprar munições e armas em uma loja, o Justiceiro busca entrar e sair do local vivo e com o que deseja em mãos. Ao ouvir algo reprovável do vendedor, porém, o Justiceiro retorna e “termina” o serviço do jeito que sabe: com violência. A sequência é importantíssima para mostrar ao espectador (lembre-se: muitos não conhecem o personagem das HQs) que o Justiceiro tem uma bússola moral fortíssima. Ao ouvir algo desprezível, o sujeito assume seu papel como herói e faz a sua parte.

Assim, voltamos ao problema que cometei no primeiro parágrafo: o surgimento do Justiceiro e dos tais adoradores do Diabo fazem com que Karen levante a questão de que o Demolidor possa não ser a melhor das ideias para Hell’s Kitchen. Segundo ela, se não fosse o herói, não haveriam tantos problema na cidade e nenhum maníaco estaria chacinando meia cidade (o Justiceiro, no caso). Isso é um problema simplesmente porque força a barra demais. Os roteiristas ficam insistindo em achar algum obstáculo no caminho do Demolidor e começam a jogar estas questões inúteis. É o tipo de clichê que acontece com todos os heróis e não tinha necessidade de acometer Daredevil também. É aquela velha história das dúvidas que fazem o herói pensar se é realmente benéfico à cidade, fazendo-o desistir do papel de herói. Lembra do Homem-Aranha, do Batman? Então, ligar o Justiceiro e tudo mais à existência do Demolidor é apenas colocar um problema desnecessário no caminho do sujeito.

Problemas à parte, o episódio termina mais uma vez com um confronto intenso entre o Demolidor e o Justiceiro. É uma sequência ainda melhor que a do capítulo anterior e termina com um gancho interessante. Os ganchos, aliás, estão bem mais envolventes que os da primeira temporada, fazendo com que o espectador não consiga parar de assistir.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

1 comment

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  1. Caroline Marques
    Caroline Marques 19 março, 2016 at 18:37 Responder

    Já sou team Punisher <3 ótima escolha de foto para o episódio, realmente ele tem um código de conduta para matar as pessoas!

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