Daredevil – 2×07 – Semper Fidelis

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Imagem: Arquivo pessoal

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Um dos meus maiores medos acerca de Daredevil antes da série estrear era sobre o tratamento que os roteiristas dariam ao lado advogado de Matt Murdock. Se fosse série de TV aberta, é bem provável que 3/4 da temporada seria dedicada a casos semanais, com Matt investigando e defendendo clientes de Hell’s Kitchen. Não tenha dúvidas sobre isso. Felizmente, porém, este é um projeto da Netflix, e isso nos permite uma história com bom desenvolvimento de personagens e o fato do protagonista ser advogado apenas um detalhe.

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Tudo isso não quer dizer, claro, que Daredevil não possa investir, vez ou outra, nos bastidores do tribunal. Assim, o sétimo episódio reserva um tempo considerável para o julgamento de Frank Castle. No percurso, a série aproveita para levantar novamente algumas questões interessantes sobre a índole do Justiceiro. Afinal de contas, o método do sujeito é positivo? Os resultados podem limpar a cidade, mas os métodos podem ser aprovados? E assim, Daredevil adentra até mesmo a nossa realidade.

A sociedade atual ferve, não só no Brasil, com a questão da justiça e do jargão “bandido bom é bandido morto”. Enquanto Bolsonaros e Trumps berram aos ventos e às mentes vazias seus absurdos discursos sobre a importância do porte legal de armas e da justiça com as próprias mãos, a população encontra-se em um debate importante sobre justiça e sociedade. Assim, pensemos no universo da série como se fosse nosso: estaria Castle correto na afirmação que todos os caras maus devem morrer?

É claro que não. Não há o que pensar. As coisas não funcionam assim e, para simplificar, há muito mais em jogo do que o idiotismo da frase “bandido bom é bandido morto”. Assim, o Justiceiro assume uma faceta perigosa. É claro que estamos discutindo sobre um personagem de HQs e de uma série de ficção, mas vale a reflexão. Se você fosse parte do júri, valeria a pena salvar Frank Castle?

Assim, a série brinca até mesmo com o caráter e o posicionamento da audiência. É claro que o Justiceiro é um grande personagem. Carismático, poderoso, inteligente e, acima de tudo, humano, Castle conquista o público com facilidade. Ainda assim, é preciso ter discernimento para enxergar as outras faces de Frank. Isso tudo, no final, enriquece o personagem, que fica cada vez mais complexo. E novamente cabe um elogio a Jon Bernthal, perfeito na pele do Justiceiro.

Para encerrar, o sétimo episódio foi o mais fraco da temporada até aqui. Mas esperava-se. Estamos exatamente no meio do segundo ano e as coisas precisam tomar um fôlego antes de continuar. Assim, Semper Fidelis funciona como um elo de transição de uma metade para outra. Neste sentido, cumpre bem o papel, encerrando um ato e preparando-se para outro. No fim, o gancho é matador: o que raios é, afinal, aquele buraco enorme encontrado por Demolidor e Elektra? Não sei, mas parece que a lanterna não atingiu o fundo até agora.

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