Em teoria, Day One tinha todos os ingredientes para funcionar. Uma trama sobre tecnologia capaz de mudar o mundo, discussões sobre ética da inteligência artificial e um protagonista genial tentando impedir um desastre global.
Na prática, porém, a nova produção espanhola do Prime Video acaba se tornando um thriller genérico, previsível e surpreendentemente esquecível. Em um ano cheio de produções ambiciosas no streaming, Day One surge como uma das séries mais decepcionantes da temporada.
Day One tem uma história promissora que nunca se desenvolve
A história de Day One acompanha Ulises Albet, um prodígio da computação que abandonou o mundo da tecnologia anos atrás. Sua vida muda quando recebe uma ligação desesperada do antigo melhor amigo, Samuel Barrera. O pedido é simples e assustador ao mesmo tempo: voltar e impedir que uma descoberta tecnológica caia nas mãos erradas.
A série rapidamente revela que existe uma corporação disposta a manipular tecnologia avançada, colocando em risco privacidade, liberdade e até a segurança global. O problema é que essa premissa, que poderia render um thriller intenso sobre inteligência artificial e poder corporativo, nunca evolui de forma realmente interessante.
Um suspense previsível do começo ao fim
O grande problema de Day One é que ela praticamente entrega todas as respostas desde o primeiro episódio.
Não há mistério real. O antagonista é revelado cedo demais, as motivações ficam claras rapidamente e o suposto “segredo tecnológico” que move a trama não demora a ser compreendido pelo público.
Em vez de construir tensão ou reviravoltas, a narrativa se limita a acompanhar Ulises e Rebecca correndo contra o tempo para impedir o plano do vilão. Essa escolha narrativa acaba esvaziando completamente o suspense.
Quando o público já sabe quem está por trás da ameaça e o que está acontecendo, sobra pouco espaço para surpresa.

Ritmo acelerado que impede a história de respirar
A série tem apenas seis episódios, com cerca de 40 minutos cada. Em vez de usar esse formato curto para criar uma narrativa ágil e envolvente, Day One acaba correndo demais. Personagens aparecem, morrem e desaparecem da história sem que o público tenha tempo de se importar com eles.
Os eventos acontecem em sequência quase automática. Cada episódio tenta avançar a trama rapidamente, mas raramente para para explorar os conflitos ou aprofundar os temas.
É curioso porque a série tenta discutir ética tecnológica e o impacto da inteligência artificial na sociedade, mas essas ideias aparecem apenas na superfície. O resultado é um thriller que parece apressado e superficial.
O elenco tenta salvar a série
Se algo impede Day One de ser completamente descartável, é o elenco. Álex González segura bem o papel de Ulises, transmitindo a angústia de alguém que percebe o tamanho do perigo que está diante dele.
Ao lado dele, Alba Planas interpreta Rebecca com energia e presença. A química entre os dois ajuda a sustentar alguns dos momentos mais tensos da narrativa. O elenco ainda conta com nomes como Jordi Mollà, Renata Notni e Iván Massagué, mas o roteiro raramente oferece material suficiente para que esses personagens realmente se destaquem.
Eles existem mais para mover a trama do que para criar impacto emocional.
Uma série que não encontra identidade
Outro problema evidente de Day One é a falta de identidade. A série parece indecisa entre ser um thriller tecnológico, um drama conspiratório ou uma ficção científica leve. No final, ela acaba sendo um pouco de tudo e, ao mesmo tempo, nada marcante.
Não existe um grande momento de revelação, nem uma reviravolta que realmente surpreenda.
Tudo acontece exatamente como o espectador imagina desde o começo. E em uma série que se vende como suspense tecnológico, isso é um problema enorme.
Uma das produções mais esquecíveis do streaming em 2026
Day One não é tecnicamente desastrosa. A produção é competente, o elenco funciona e a ideia central tem potencial. Mas nada na série realmente se destaca.
Em um cenário em que o streaming oferece produções cada vez mais sofisticadas, Day One acaba parecendo apenas mais uma história sobre empresas tecnológicas malignas tentando dominar o mundo.
E quando a última cena chega, fica uma sensação difícil de ignorar: existem dezenas de séries melhores para assistir. No fim das contas, Day One não chega a ser um desastre completo. Mas é exatamente o tipo de produção que desaparece da memória poucos dias depois de terminar.