De volta ao piloto: E.R. – Plantão Médico

 

O ano era 1994, e a TV aberta vivia um tempo completamente diferente do atual. Assistir televisão era o grande hobby da população, e em qualquer parte do mundo, explorar esse meio que chegava ao consumidor de forma cada vez mais fácil, era uma arte.

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E em tempos que a criatividade e a originalidade era algo de se admirar na televisão, uma série se destacou em meio a tantas outras que estrearam naquele ano. E.R., mais conhecida aqui no Brasil como Plantão Médico debutou naquele ano, e inovou o jeito de se fazer um drama para a TV, e principalmente, inaugurou uma nova forma de produzir séries médicas.

Revisitar o piloto de Plantão Médico é algo esplêndido. Isso porque, um texto tão rico, e tão denso, consegue fazer com que 1h20 passe num piscar de olhos. O roteiro de Michael Chricton e a produção de Steven Spielberg (parceria que tinha feito um ano antes Jurassic Park), transformou aquilo que originalmente seria um filme, em um excelente piloto. Bem, se analisarmos de perto, acaba que o piloto é de fato um filme.

Naquele ano, Plantão Médico estava marcado para estrear no dia 22 de setembro na NBC. Entretanto, uma manobra do destino (ou talvez a briga pela audiência), fez a CBS marcar para o mesmo dia a estreia de Chicago Hope, que adivinhem? Tratava do mesmo assunto de E.R.: o agitado cotidiano de um hospital em Chicago. Feio hein, dona CBS? Tal fato fez a NBC se adiantar, e o piloto acabou sendo exibido como um telefilme três dias antes do previsto. E foi um tiro certeiro: mais de 23 milhões o assistiram, repetindo o mesmo número três dias depois. Estava lançada a série que iria entrar para a história.

 

ER Piloto 3

 

O piloto de E.R., como já dito, é esplêndido. Com um roteiro sólido, somos apresentados a quatro médicos residentes do County General Hospital, agitado hospital na cidade de Chicago. O residente chefe Dr. Mark Green (Anthony Edwards), o residente pediatra Dr. Doug Ross (George Clooney), a médica residente em seu segundo ano Dra. Susan Lewis (Sherry Stringfield) e o residente cirurgião Dr. Peter Benton (Eriq LaSalle). Junto deles, a enfermeira chefe Carol Hathaway (Julliana Margulies) e o estudante John Carter (Noah Wile) integram o time do Pronto Socorro, que enfrenta um dia agitado, após um prédio cair no centro da cidade.

ER Piloto 2A principal característica do piloto, e que se tornaria marca registrada da série durante seus quinze anos no ar, são as longas tomadas em plano sequência dentro da emergência, que faziam o espectador se sentir dentro da ação. É incrível como as cenas demoravam até quatro minutos para levar um corte. Você não respira ao assistir uma cena dessas.

E assim como o espectador, quem as vezes ficava meio perdido na quantidade de termos médicos, pedidos e sangue jorrando para tudo que é lado era Carter, que serviu como fio condutor para o piloto. Ele estava chegando ao hospital junto com o público, e naquele momento, desbravava o que iria enfrentar, semana após semana. Um momento emocionante e inesquecível é quando o personagem de Noah Wyle ajuda uma mulher junto com o Dr. Greene, que chega à emergência quase dando a luz. A cena chega a ser engraçada, mas é impossível não se emocionar ao final dela.

A química e a interação entre eles também esteve presente desde o primeiro minuto. Se Peter e Carter prometiam ser de certa forma o alívio cômico da série, mostrando a relação conturbada de um professor com seu estudante, o Dr. Ross e a enfermeira Carol lançavam ali um dos casais mais amados da TV. E a química foi tão forte que os produtores tiveram de alterar completamente a trama da série. Isso porque, originalmente, Carol sofre morte cerebral após tentar um suicídio (caso que é mostrado no piloto). Entretanto, por ter agradado tanto o público, ela retorna no próximo episódio, ressuscitando a personagem e integrando ela no elenco regular.

ER Piloto 1Cada um tem a chance de brilhar na estreia de ER. Ross como o bonitão que chega bêbado, mas depois mostra ser um excelente pediatra.  Susan como a bela e inteligente médica, Carter como o atrapalhado estudante e Benton como o rebelde residente que acaba salvando o dia no final. Mas quem “dá o tom”, como é mencionado no piloto, é sem dúvidas Mark Greene, que conduziria o elenco por oito anos. Mark foi o personagem que Chricton escolheu para representar a dura realidade dos médicos plantonistas, que num piscar de olhos viam os poucos minutos de descanso irem embora para poder atender um novo paciente.

É difícil hoje em dia, acharmos um piloto que represente toda a essência da série. Mas voltando 21 anos atrás, e olhando o legado que Plantão Médico trouxe para a TV, orgulhosamente podemos concluir que o piloto é magnífico, digno de muitos aplausos e apreço de qualquer um que o assista. E fica a saudade, que podemos sempre matar, re-assistindo essa maravilha que é E.R..

 

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, criador de conteúdo, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias e resenha séries semanalmente.

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