De Volta ao Piloto: Sex and the City

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Sex and the City é um verdadeiro marco da televisão, e você já deve estar cansado de ouvir isso, não é? Mas me diz, você sabe por que a série fez história? Pois então, vou explicar.

Não é nenhuma novidade uma série focada em relacionamentos, sexo, amor e drama, afinal essa a base da maioria dos shows que vemos por aí. Mas a novidade aqui é focar em protagonistas mulheres, mulheres essas que não podem mesmo ser caracterizadas como as clássicas heroínas românticas que vimos (e ainda vemos) muito por aí. As protagonistas de SATC querem amor? Ah algumas até querem. Mas para muitas delas o sucesso profissional é muito mais importante que formar uma família.

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Ok, você miga que está na casa dos 30, é uma workaholic feliz e nem pensa em namorar pode pensar que a série não fala de nada novo. Mas gente, vamos lembrar que o programa da HBO se ambientava nos anos 90? Isso mesmo, tudo que você é hoje, é por causa de Carrie e companhia SIM, não adianta negar.

E se você pensa que a série é só superficialidade, desfile de roupas de grandes grifes e mimimi, que tal dar uma olhadinha no piloto e conhecer Sex and the City de verdade? Vem que eu te ajudo.

 

De Volta ao Piloto

– Bem-vinda à “época da não-inocência”. Não há “bonequinhas de luxo”, e nunca é “tarde demais para esquecer”.Ao invés disso, as bonecas trabalham às 7h da manhã e tem relações que tentam esquecer o mais rápido possível.

O primeiro episódio da série se chama exatamente Sex and the City, e cabe perfeitamente no seu título. Um dos pilotos mais clássicos e bem produzidos de todos os tempos, ele consegue apresentar todo o universo do programa em apenas 20 minutos. Como um pequeno documentário, o piloto mistura histórias e depoimentos (por vezes ficcionais e por vezes reais) sobre o comportamento de homens e mulheres naquele mundo louco que se desenhava, onde o desejo de formar uma família diminua ao mesmo tempo em que a ambição profissional ficava cada vez maior.

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É nesse cenário que conhecemos Carrie Bradshaw. Sim, você conhece ela como a personagem fútil que desfilava roupas caríssimas equilibradas no seu par de Manolo Blanik pela Times Square, mas acredite, Carrie é muito mais do que isso. Como uma alegoria nada unilateral da mulher moderna, Carrie tem em as dúvidas e certezas que todas mulher carrega consigo (e que você também carrega), ela quer ser feliz solteira, quer sucesso na carreira, não quer filhos, mas ainda sonha com um amor, desde que não seja convencional.

Para completar o universo de Carrie temos suas amigas, que representam os esteriótipos de vários tipos de mulheres que conhecemos por aí. Temos Miranda, a advogada bem sucedida e viciada no trabalho, que detesta ser solteira e detesta pensar na ideia de se comprometer com alguém. Temos Charlotte, a marchand romântica que é capaz de largar tudo (como ela faz no futuro, ao largar sua carreira pelo casamento) por amor, e que vive quebrando a cara. E claro, temos ela, Samantha, relações públicas ninfomaníaca e devoradora de homens, que não se apega, é livre e a melhor personagem da série.

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Logo no início Carrie nos apresenta a história de uma amiga que veio de Londres e conhece o cara perfeito. Depois de duas semanas dos sonhos – onde até casa à venda eles visitaram, ele simplesmente desaparece. Ela fica sem entender, mas Carrie inteligentemente apresenta à sua inocente amiga a selva de pedra que é Manhathan – e que serve de alegoria para representar qualquer lugar do mundo. Claro que ele não ligaria mais (Carrie sabia), e claro que você hoje em dia sabe disso, mas lá nos anos 90 nem todo mundo sabia disso.

Como descobrimos logo no início, Carrie escreve a coluna Sex and the City, e usa temas da sua vida e das amigas como pauta, e dessa vez o tema é “Mulheres que transam como homens”, ou seja, sem sentimento, sem querer ligar no dia seguinte, sem esperanças de relacionamento. Não preciso nem dizer como esse tema era um verdadeiro tabu naquela época, e de como a série foi ousada porque você já sabe. Mas o interessante é como cada uma das personagens encara essa situação. Samantha já tem isso como o tema de sua vida, Miranda também, mas não sabe, Charlotte se recusa, e Carrie experimenta e depois se arrepende.

Mas é nessa hora – logo após a transa sem sentimento de Carrie – que temos a cena mais icônica da série, o momento em que nossa protagonista encontra Mr. Big, seu amor para a vida toda, na Times Square. Após esbarrar em uma pessoa aleatória ela derruba a bolsa, e se abaixa para juntar, no intuito de ajudar Mr. Big junta uma cartela de camisinhas que também caiu da bolsa e entrega para Carrie. Pronto, tá feita química, tá criado o romance que abala com a vida da nossa escritora durante a série (e o primeiro filme, porque o segundo não conta) toda, e tá feita a cena polêmica onde uma mulher bem sucedida e solteira aos 35 anos, carrega sua própria cartela de camisinhas na bolsa sem pudores e sem julgamentos. BEIJINHO NO OMBRO PARA A SOCIEDADE!

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O  episódio ainda tem outros desdobramentos e apresenta personagens importantes como Stanford (o melhor amigo de Carrie) e Skyper (o homem romântico, daquele tipo que todo mundo acha que não existe, mas que quando aparece ninguém quer), e como já dito, apresenta muito bem o universo da série. Durante as temporadas os depoimentos dão lugar à narração em off de Carrie, e a série perde um pouco sua aura experimentadora e vira mais glamourizada, mas nada que interfira na riqueza da história.

Com muita ousadia e inteligência, Sax and the City foi (e ainda é) um manual de apoio à mulher moderna, um clássico na história das séries e um verdadeiro marco na sociedade americana (quiçá mundial). Então deixa seus preconceitos de lado e bora ver esse sucesso ousado da HBO?