De Volta ao Piloto: The O.C.

Imagem: FOX

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Com a recém adição ao catálogo da Netflix, The O.C. voltou a ficar em alta no Brasil. Eis que surgiu uma excelente oportunidade de rever o piloto da série e – porque não – maratonar o show que embalou as tardes de domingo dos mais diversos adolescentes que acompanharam a série pelo SBT, nos idos de 2004.

Criada em 2003 por Josh Schwartz, a série acompanhava as vidas de Ryan (Ben McKenzie), Marissa (Misha Barton), Seth (Adam Brody) e Summer (Rachel Bilson), tendo como plano de fundo as lindas paisagens de Orange County, na Califórnia. Baseada na vida do próprio criador, a série inovou em tratar de temas polêmicos como drogas, homossexualidade, alcoolismo entre outros…

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Imagem: downloadswallpapers

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Foi do céu ao inferno, com uma audiência que estourou logo no início, mas que se viu esvaziar diante de uma personagem de destaque auto-destrutiva e histórias incrivelmente pesadas. O tiro de misericórdia foi dado quando um dos quatro protagonistas, Marissa, teve seu trágico destino decretado no final da terceira temporada. No quarto ano, a audiência já não era mais a mesma e o cancelamento acabou sendo a única escolha para a FOX.

Mesmo assim, com apenas quatro temporadas e 92 episódios, The O.C. conseguiu deixar sua marca na TV, com uma legião de fãs fiéis, uma trilha sonora impecável (clique aqui para ver mais) e controvérsias nos bastidores (clique aqui para saber mais) que geram discussões até os dias de hoje…

Analisando o piloto…

Voltar a assistir The O.C. depois de tanto um tempo me proporcionou uma grata surpresa. Claro que a história de toda a série é bem clara em minha cabeça. Uma primeira temporada que fez a série explodir, com a intensa relação de Ryan e Marissa e o descobrimento do amor entre Summer e Seth. Uma marcante season finale, que desencadeou em uma segunda temporada marcante, uma terceira temporada pesada e um quarto ano derradeiro e leve. Mas o piloto, em si, era algo que minha memória não arquivou tantos detalhes. Talvez por ser o episódio mais antigo, talvez por eu não ter dado uma devida importância para ele na época… Mas a questão é: o primeiro episódio de The O.C. é realmente fantástico.

Hoje em dia, poucos são os pilotos que conseguem exprimir sua marca, dizer para o público a quê sua série veio, entre outras funções a quais o primeiro episódio de “Um Estanho no Paraíso” cumpre muito bem. Os personagens são apresentados em suas devidas proporções e, apesar de Ryan ser a peça fundamental da história, aquele o qual serve de ignição para a série, fica claro que todos os outros personagens possuem funções extremamente fundamentais na história.

A começar pelos pais. Sandy e Kirsten formam o casal exemplar em um ninho de pessoas ricas e tachadas como fúteis. Apesar de Kirsten ser mais ríspida, Sandy é o símbolo do cara que é apaixonado pelo que faz e que vê esperança e bondade em nas pessoas – mesmo naquelas que estão aptas a desacreditar no mundo, como o caso de Ryan. O acolhimento de Sandy ao garoto é algo esplendido de se assistir, e mesmo se perguntando “poxa, quem faria isso?”, à medida que adentramos no universo de The O.C., nós mesmos nos respondemos “Ah, ok, realmente ele faria…”. Do lado oposto, temos Julie e Jimmy, que representam a esfera desagradável de Newport Beach. Jimmy até tenta não ser fútil, mas Julie é exatamente a representação do esteriótipo “ricos e mimados”.

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Sandy é um dos personagens que dá impulso as histórias de Ryan no show. Imagem: Youtube.

 

Os adolescentes são espelhos dos pais. Seth, o garoto nerd que se vê imerso em um universo o qual não está acostumado, a partir da chegada de Ryan. Summer, a garota popular que quer farrear, assim como Marissa, que apesar de ser a patricinha rica, expressa em seus problemas a rebeldia e o desejo de não pertencer – até certo ponto àquele mundo. Ryan entra de cabeça nisso em um roteiro competente, claro e objetivo. É lindo de se assistir.

Claro que um rapaz vindo de Chino se sentiria perdido e deslumbrado. Ryan, de certa forma, se encaixa nestes sentimentos, mas o seu diferencial é que ele não nada contra a maré. Ele se deixa levar. Seja pedindo Whisky em uma festa de ricos ou, simplesmente, cedendo um cigarro para a garota da porta ao lado. Mas Ryan tem um coração sentimental, enxergado por Sandy desde o momento em que se tornou seu advogado de defesa por um crime cometido e planejado pelo irmão. O que dizer de Ryan carregando Marissa bêbada da porta de casa até a Casa da Piscina? Ou salvando Seth da confusão com Luke? O garoto Atwood é um protagonista rico de personificações que aderem em The O.C. da melhor forma possível.

Ryan, o cavaleiro que salvou Marissa de tudo, menos dela mesmo. Imagem: Banco de Séries.

Assistindo ao piloto não deixei de notar uma coisa: como Marissa dava sinais de auto-destruição desde os primeiros instantes da série. Quem acompanhou o show e conhece sua história, sabe da trajetória conturbada e trágica da personagem. Ela, apesar do esforço de ser uma pessoa boa, sempre foi o “down” da série, sempre aquela que amargou os piores sentimentos e representações do ser humano. E apesar de Ryan estar sempre salvado – desde o piloto – ela é o tipo de pessoa que as pessoas se cansam de salvá-la. Mas Schwartz construiu a personagem da melhor maneira possível, e hoje enxergo a grande figura que ela representa para a história de The O.C..

Cenários deslumbrantes, uma trilha de arrepiar, personagens inesquecíveis. O primeiro episódio de The O.C. é para se aplaudir de pé, sendo impossível não querer assistir ao próximo episódio – mesmo tendo você já assistido todo o show. Quantas vezes você já sentiu isso?16

Re-assistir o piloto da série foi quase como entrar em uma máquina do tempo, para o começo da década de 2000 onde o ápice do domingo era assistir a série no SBT durante o almoço. Uma nostalgia gostosa que a Netflix está proporcionando à seus usuários desde ontem (15). Ao fim do piloto fica o desejo de quero mais. De buscar mais desde universo e devorar seus próximos episódios. Principalmente para aqueles que já conferiram toda a série e sentem saudades de um tempo que não volta mais.

Califórnia, aí vamos nós… 

Tags The O.C.
Anderson Narciso

Anderson Narciso

Criador, editor e redator do site Mix de Séries, é apaixonado por séries desde sempre. Fã incondicional de One Tree Hill, ER, Friends, e não perde um episódio da Franquia Chicago.

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