A quarta temporada de O Poder e a Lei chegou à Netflix cercada de expectativa, mas não apenas pela história de Mickey Haller. O que realmente chama atenção é o que a série representa para o momento atual do streaming: talvez a Netflix esteja, finalmente, ajustando algumas decisões que vinham irritando o público.
No capítulo mais sombrio e emocionante da série, o carismático advogado de defesa Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo) se vê do outro lado da lei. O advogado, que segue trabalhando e atendendo seus clientes do banco do seu Lincoln, precisa agora enfrentar um desafio extremo, com sua própria defesa.
Mas não é sobre a história em si de O Poder e a Lei que precisamos falar. E sim do formato. Nos últimos anos, virou quase regra dividir temporadas em duas partes. Foi assim com grandes produções da casa, numa estratégia clara para prolongar assinaturas e manter a conversa ativa por mais tempo. O problema? Muitos espectadores passaram a demonstrar cansaço com esse formato fragmentado. A experiência de maratonar, que sempre foi um dos pilares da Netflix, acabou diluída.
O Poder e a Lei resgatou o fim das temporadas divididas?

Curiosamente, O Poder e a Lei parece ter escapado dessa armadilha. Depois de um teste com divisão anterior, a série voltou ao formato clássico: dez episódios lançados de uma vez. O resultado é uma experiência mais fluida, respeitando o ritmo de um drama jurídico que depende de tensão contínua e viradas estratégicas.
Outro ponto importante é o intervalo entre temporadas. Em vez de hiatos de dois ou três anos, como acontece com várias produções de alto orçamento, a série mantém um calendário relativamente enxuto, com cerca de 13 a 15 meses entre os lançamentos. Isso mantém o público engajado e evita aquela sensação de que a história esfriou.
Além disso, a renovação antecipada para a quinta temporada mostra confiança. Ao garantir novos episódios antes mesmo da estreia da quarta temporada, a Netflix reduz atrasos e transmite estabilidade ao público.
Talvez O Poder e a Lei não seja a série mais barulhenta da plataforma. Mas, silenciosamente, pode estar servindo de exemplo para o futuro do streaming: menos experimentos cansativos, mais consistência e respeito ao espectador.