A reviravolta final de Dele & Dela (His & Hers), minissérie da Netflix baseada no livro de Alice Feeney, redefine completamente tudo o que o público acreditava ter entendido até então. Ao longo dos episódios, a trama conduz o espectador por um jogo de suspeitas cuidadosamente construído, apenas para desmontá-lo nos minutos finais com uma revelação perturbadora e emocionalmente complexa.
A falsa resposta que parecia definitiva
No último episódio de Dele & Dela, tudo indica que Lexy Jones, antiga Catherine Kelly, é a responsável pelos assassinatos. A série constrói essa conclusão com base em seu passado traumático e em sua ligação direta com os eventos que marcaram a adolescência de Anna Andrews.
A narrativa, até ali, funciona como um thriller clássico: trauma, vingança e um passado que retorna para cobrar seu preço. No entanto, essa “resposta” é apenas uma camada superficial da verdade.
A revelação chocante sobre a verdadeira assassina

A grande virada de Dele & Dela acontece quando o foco se desloca para Alice, mãe de Anna. Apresentada durante toda a série como uma mulher fragilizada, com lapsos de memória e comportamento errático, ela se revela a verdadeira responsável pelos crimes.
A descoberta acontece por meio de uma carta lida por Anna, que ressignifica completamente as narrações em off ouvidas desde o primeiro episódio. Aquela voz que parecia pertencer à protagonista nunca foi dela.
Amor materno como motivação extrema
Segundo o criador de Dele & Dela, William Oldroyd, a motivação de Alice nasce de um amor absoluto e distorcido pela filha. Ao descobrir, anos depois, o que realmente aconteceu na festa de 16 anos de Anna — e quem foram as responsáveis por criar o ambiente que levou ao abuso — Alice decide agir. Ela elimina uma a uma as mulheres envolvidas e planeja incriminar Catherine, vista por ela como covarde por ter fugido naquela noite.
Um final que muda o sentido da série
Mais do que um simples plot twist, a revelação final transforma Dele & Dela em uma reflexão amarga sobre trauma, maternidade e limites morais. Alice não mata por ódio puro, mas por uma lógica interna moldada pelo amor e pela culpa. Ao encerrar a série dessa forma, a produção deixa o público desconfortável, sem respostas fáceis, e com uma pergunta inevitável: até onde alguém pode ir em nome de proteger quem ama?