Depois da TV, Shonda Rhimes quer agora dominar o teatro

Com um grande número de séries de televisão no ar e em desenvolvimento, Shonda Rhimes parece não estar satisfeita com o monopólio que construiu na grade de programação da ABC. Isso porque a produtora quer se tornar a “patrona das artes” da Companhia de Teatro IAMA, estabelecida na cidade de Los Angeles, estado americano da Califórnia.

Seu objetivo é dar musculatura a Los Angeles como uma cidade do teatro, que a muito tempo é um grande motivo de debates da comunidade local. “Eu tenho sentido falta do mundo do teatro aqui em L.A.,” disse Rhimes em entrevista ao Los Angeles Times por telefone. “Há alguns grandes teatros, mas poucos pequenos e interessantes como você encontra em Nova York. E eu estava desejando de certa forma.”.

A quantidade não foi divulgada mas a nova doação, que vem como cortesia da Fundação da Família Rhimes, vai fundar uma variedade de companhias e esforços, incluindo a “Comissão Rhimes de Dramaturgia de Vozes Não-Cantadas,” cujo objetivo é de incentivar o desenvolvimento de dramaturgos que têm uma ênfase especial na narrativa culturalmente incluso.

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“Eu penso que é difícil para qualquer dramaturgo encontrar oportunidade,” diz Rhimes. “Se as pessoas não estão sendo incluídas, então eu vou encontrar uma maneira de fazer com que elas sejam acolhidas. Eu vou encontrar uma forma de ter certeza que todos tenham oportunidades.”.

No último ano a Fundação da Família Rhimes ampliou seu perfil filantrópico onde no ano passado, doou 10 milhões de dólares ao novo Museu Smithsonian Afro-Americana, inaugurado em 2016 pelo então Presidente Barack Obama. A produtora faz essas doações num momento que o governo federal promete abandonar o investimento em artes.

Segundo a prévia da lei orçamentária divulgada por Donald Trump na semana passada, a ideia é eliminar o financiamento da Fundação Nacional de Artes e Fundação Nacional das Humanidades. Mesmo que a IAMA nunca tenha recebido dinheiro federal, mas caso o orçamento passe no Congresso Nacional a cultura artística de Los Angeles sofrerá um grande impacto.

Rhimes foi introduzida ao universo teatral após descobrir que alguns atores do elenco de Scandal estavam empolgados em assistir performances da IAMA. “Eu diria, ‘Porque eu estou escutando sobre essas coisas? Me convidem! Eu quero ir,'” disse Rhimes ao lembrar de uma conversa com Katie Lowes. O primeiro convite veio no final daquele ano, onde Shonda compareceu ao “Festival de Peça em 23 Horas”.

“Ela perguntou, ‘O que você precisa? Como que faço isso crescer? O que fará isso durar?'” relembra Lowes. “Provavelmente, é a maior mudança de rumo que essa companhia já viu,” completa. Um dos membros da instituição, Stefanie Black, adiciona: “Está começando um novo capítulo pra gente que nos permite sair do pequeno negócio com amigos para um negócio imponente.”.

Rhimes disse que sua motivação em apoiar a companhia veio da ideia de querer tornar o teatro sempre acessível e disponível, da mesma forma que foi na infância. “Eu comparecia a todas as peças que vinham a minha cidade na época que era menina,” diz Rhimes. “Meus pais sentiram que teatro era algo necessário da nossa cultura para crescer, é a forma do mundo. Eu nunca questionei,” completa.

A produtora já demonstrou estar bastante engajada com a companhia. Ela participou do workshop no mês passado na produção The House That Jake Built, que falava sobre imigração. “Eu penso muito em escrever peças agora porque é novo e diferente pra mim. Eu estou muito ocupada no momento, então eu não sei será algo que eu possa embarcar. Até lá, eu serei uma patrona amável,” conclui Shonda.

Fonte: Los Angeles Times

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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