A Netflix está prestes a lançar mais uma aposta de peso para os fãs de dramas policiais com Dept. Q, série comandada por Scott Frank, o criador de sucessos como O Gambito da Rainha e Godless. Inspirada nos romances best-sellers do autor dinamarquês Jussi Adler-Olsen, a produção traz um novo olhar sobre investigações de casos arquivados, ambientada agora na Escócia, e estrelada por Matthew Goode no papel do enigmático detetive Carl Morck.
Mas afinal, o que torna Dept. Q tão especial? Aqui, a gente te conta tudo sobre a série, seus bastidores, o elenco poderoso e a jornada até que essa adaptação finalmente ganhasse vida nas telas.
Um detetive problemático, uma equipe improvável e mistérios do passado
Carl Morck (Matthew Goode) é um investigador inglês vivendo em Edimburgo, na Escócia. Conhecido por sua inteligência afiada e personalidade difícil, ele se tornou uma figura desconfortável entre os colegas de profissão — algo que parece não incomodá-lo nem um pouco. Mas por trás da postura ríspida, existe um homem marcado por um trauma profundo: um incidente durante o trabalho deixou um policial morto, seu parceiro gravemente ferido, e Carl emocionalmente devastado.
Ao voltar para o serviço, ele é transferido para uma nova unidade policial: o chamado “Departamento Q”, responsável por investigar casos arquivados que a polícia local não conseguiu resolver. A criação dessa divisão tem um forte apelo midiático e político — uma tentativa das autoridades escocesas de mostrar eficiência diante da alta nos índices de criminalidade. Mas, na prática, é também uma forma de manter Carl à parte das operações principais, observando-o de perto no porão da delegacia.

Por dentro da criação: Scott Frank e a longa jornada de Dept. Q até a tela
A ideia de adaptar Dept. Q já estava com o roteirista e diretor Scott Frank há mais de duas décadas. Segundo ele, o nome “Departamento Q” ficou ecoando em sua mente desde que teve contato com os livros de Jussi Adler-Olsen. Anos depois, durante as gravações de A Walk Among the Tombstones em Nova York, ele se encontrou com o autor dinamarquês, que não hesitou em confiar sua obra ao cineasta: “Eu confio em você”, disse Adler-Olsen, apostando que Scott seria o ideal para recontar sua história.
Frank escreveu ou coescreveu todos os nove episódios da série e dirigiu seis deles. A adaptação, no entanto, ganhou contornos próprios: ao invés de manter a ambientação original em Copenhague, a trama foi transportada para a Escócia. “Edimburgo é o lugar perfeito. É uma cidade que mistura o moderno e o medieval de forma natural. Nunca vi nada igual”, afirmou Frank em entrevista à Tudum.
O elenco de peso que dá vida à história
No centro da trama está Matthew Goode (Downton Abbey, Stoker), vivendo o complexo Carl Morck. O ator, que já trabalhou com Scott Frank no passado, revelou que foi surpreendido ao ser escolhido para o papel. “Não achei que alguém imaginaria esse personagem para mim, mas Scott sabia exatamente o que queria”, disse.
Goode é acompanhado por um elenco de primeira:
- Leah Byrne como a detetive Rose Dickson, considerada por Goode uma “estrela em ascensão”;
- Alexej Manvelov (Chernobyl, Tom Clancy’s Jack Ryan) como Akram Salim, um personagem que promete emocionar;
- Jamie Sives (Annika, Guilt) como o detetive Hardy, velho conhecido de Carl;
- Kate Dickie (The Witch, Game of Thrones) como a chefe Moira Jacobson, responsável por colocá-lo no Departamento Q;
- Kelly Macdonald (No Country for Old Men) como a psiquiatra Rachel Irving;
- E ainda Shirley Henderson, Mark Bonnar, Chloe Pirrie e Tom Bulpett em papéis fundamentais ao longo da trama.
Segundo Goode, o entrosamento entre o elenco foi imediato: “Scott montou um dos melhores times com quem já trabalhei. Me senti em casa”.
Do humor seco à profundidade emocional
Embora Dept. Q seja uma série policial, com mistérios a serem resolvidos a cada episódio, o que realmente sustenta a narrativa são os personagens e suas relações. “Não é sobre o crime em si, mas sobre as pessoas que o investigam”, explica Scott Frank. Ele compara a dinâmica da série à de produções clássicas como Cheers, onde o público se importa mais com os personagens do que com o cenário em que estão inseridos.
Essa abordagem faz com que Dept. Q não seja apenas mais uma série de detetive. É um estudo de personalidade, um mergulho nas dores e defesas de Carl Morck, que tenta — de forma torta e muitas vezes falha — encontrar redenção enquanto mergulha nos segredos obscuros do passado dos outros.
A Escócia como personagem
A ambientação da série em Edimburgo não é só um detalhe geográfico. A cidade — com sua arquitetura gótica, vielas escuras e clima melancólico — ajuda a compor a atmosfera da história. A escolha da Escócia também dá uma nova camada cultural à trama: Carl é inglês, e seu ressentimento velado com os escoceses (causado, em parte, por uma ex-esposa escocesa) rende momentos de ironia e desconforto.
Mas mais do que choques culturais, o cenário oferece simbolismo: os crimes antigos que ressurgem, as cicatrizes mal curadas e os silêncios das vítimas se encaixam perfeitamente no ambiente sombrio e histórico da capital escocesa.
Quando estreia Dept. Q?
Dept. Q estreia na Netflix nessa quinta feira, 29 de maio, com todos os episódios.
Por que você deve assistir?
Se você gosta de séries como Mindhunter, Broadchurch ou Mare of Easttown, Dept. Q tem tudo para entrar na sua lista de favoritas. Com uma abordagem autoral, personagens complexos e um pano de fundo instigante, a série propõe um mergulho em dramas humanos tão profundos quanto os casos que investiga.
Dept. Q não é apenas sobre descobrir quem cometeu um crime — é sobre por que essas histórias se tornam invisíveis com o tempo, e quem são as pessoas corajosas (ou teimosas) o bastante para reabrir as feridas que todo mundo prefere esquecer.