Designated Survivor – 1×16 – Party Lines

Imagem: Entertainment Weekly

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Com os primeiros sinais da troca de showrunner surtindo efeito no episódio anterior, estava não só esperançoso para saber como seria o desempenho dos seus subsequentes como também qual seria o estilo de Jeff Melvoin, até porque seu último grande trabalho, lê-se Army Wives, era ótimo no universo do melodrama e das narrativas novelescas que colocaram a Lifetime no mapa de produções roteirizadas, abrindo portas para Flowers In The Attic e entre outros.

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Imagem: The Tracking Board

Posso estar empolgado pela surpreendente guinada a temáticas relevantes, mas o que importa é que Designated Survivor finalmente encontrou o tom certo para tocar naquilo que deseja e até mesmo fazer barulho no mundo real. Não é a toa que depois de One Hundred Days ter tratado do necessário endurecimento da legislação sobre o uso de armas, a NRA (Associação Nacional dos Rifles), poderoso lobby pró-arma no Congresso americano, soltou uma nota mostrando seu descontentamento em relação a “postura liberal” da ABC através do conservador NewsBusters.

Tal tema não poderia ser mais pontual. Semana passada, um deputado do Tennessee colocou uma AK-47 à venda numa banca de limonada para mostrar o quão fácil seria comprar uma arma de tamanho poderio sem o mínimo de controle. Enquanto um homem entrou numa escola de São Bernardino armado e acabou matando três pessoas, incluindo um estudante de apenas oito anos de idade.

É claro que a abordagem é um tanto quanto superficial para uma trama que desafia tempo e ideologia, mas é de suma importância que uma série de TV aberta, visto seu imenso poder de aderência e abrangência, trate trabalhe o assunto e não o deixe restrito ao noticiário. O que me deixou comovido, confesso, foi a versão romanceada do roteiro em trazer uma discussão política. É verdade é daquela forma que o trabalho deveria ser feito, pelo menos foi isso que os fundadores imaginaram em 1776, mas ao olharmos a situação atual Designated Survivor fica, infelizmente, restrito a ficção.

Os roteiristas também foram muito otimistas ao mostrar que o estado do Tennessee não só pode eleger uma mulher senadora, como também que seja contra o lobby de armas. Para que o leitor tenha ideia, a unidade da federação nunca elegeu uma mulher ao senado, tendo sua primeira deputada federal eleita, Irene Baker apenas em 1964. Seria uma revolução o Tennessee eleger alguém com essas características, acreditem.

Com os diálogos precisando de um banho de qualidade e polimento, além de me passar uma dúvida em relação aos 51 votos ditos necessários sendo 60 na vida real, Designated Survivor é um exemplo para todas as séries que querem e precisam dar uma virada para seguir em frente e lutando as boas lutas. Para àqueles interessados em descobrir o poderio do lobby das armas no Congresso, recomendo o recém lançado filme Armas na Mesa, mesmo que este que vos escreve o classifique como mediano.

Obs: Seria Jack Bowman a versão fictícia de Mitch McConnell? Semana que vem a gente discute.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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