Designated Survivor – 2×01 – One Year In

Imagem: ABC/Divulgação

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Até a estreia de Designated Survivor em 2016, Madam Secretary tinha uma missão nada fácil de traduzir os acontecimentos da realidade em material interessante e entretenimento de qualidade. Desde então, os Estados Unidos resolveu apostar no bilionário da Quinta Avenida para salvar a classe média, o que tornou essa tarefa ainda mais complicada para ambas as séries.

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Imagem: ABC/Divulgação

Sabemos que o drama político saiu-se bem no seu primeiro ano, principalmente depois que seus roteiristas decidiram seguir com tramas e problemáticas domésticas ao invés de conspirações globais que se mostravam desnecessárias e inóquas. Para a sua segunda temporada, Designated Survivor contratou seu QUARTO showrunner e conseguiu mais atenção da ABC, uma vez que, surpreendentemente, começou a dar dinheiro com suas vendas internacionais.

Season Premiere sinaliza que a série não só amadureceu, como aprendeu com os erros cometidos no passado e que se tornou uma espécie de realidade alternativa diante de tudo aquilo que Donald Trump vem fazendo nos Estados Unidos e também ao redor do mundo. Tais referências e contraponto com a realidade, aparentemente, serão um dos pontos fortes dessa segunda temporada, seja pelo programa matinal pelas manhãs que adora elogiar o Presidente, algo que a Fox News faz muito bem com o Fox & Friends, um Secretário de Imprensa frustrado com seu emprego que grita com os jornalistas (alguém disse Sean Spicer?) ou até mesmo um grave problema com a maneira de governar.

Para abertura de mais um ano, tivemos uma proposta clichê porém sempre pontual – abusos da Rússia na Ucrânia. É verdade que o conflito de ambas as nações proporcionou uma excelente plataforma para Kiefer Stuherland sair do piloto automático e subir o tom, principalmente no momento que enfrenta ambos os embaixadores, mas que falhou quando resolveu sua problemática com rapidez e com uma falta impressionante de criatividade. Sabemos muito bem que uma crise como essa não se resolve num dia, muito menos numa tarde.

A trama de Hannah correu de escanteio, o que me parece apropriado haja vista que o roteiro precisa estar muito confiante quando resolver projetar uma nova missão para ela e o tal agente inglês, que sequer sotaque tem. Não gosto desse provável retorno de Patrick Lloyd, aquele que um dia foi a versão de Donald Trump para a América de Designated Survivor, já que é uma das possibilidades do roteiro voltar ao passado e querer trabalhar uma história inepta.

O discurso nos minutos finais do episódio pode parecer piegas, clichê e um tanto ridículo para quem um dia assistiu e vibrou com inteligência e sabedoria de The West Wing. Entretanto, quando olhamos para o noticiário diariamente, é necessário recitar um mantra – “Nada disso é normal, nada disso é normal”, o que  torna as palavras do Presidente Kirman não só necessárias, como também um sopro de esperança.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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