Designated Survivor – 2×03 – Outbreak

Imagem: ABC/Divulgação

Sem muitas surpresas, Designated Survivor está se tornando aquela série cuja fonte primária de inspiração é o noticiário. Faço tal afirmação haja vista que o roteiro escolheu tratar de uma questão muito interessante que dominou a conversa social nos Estados Unidos após a marcha de neonazistas e supremacistas brancos em Charllotestivlle, estado americano da Virgínia em agosto deste ano –  retirar, ou não, as estátuas e bustos de líderes dos estados confederados de locais públicos. O problema é que a vontade de falar de um assunto sério e importante fez com que o resultado fosse extretamente superficial.

Imagem: ABC/Divulgação

Não acredito que a intenção dos responsáveis pelo roteiro desta série era de mudar o pensamento do Presidente dos Estados Unidos e sua base que corresponde a 30-35% do eleitorado ou de reconciliar uma nação dividida, até porque a audiência ao vivo corresponde a região metropolitana de Phoenix. O problema é que mesmo sendo uma excelente ideia, não promove-se nenhuma possibilidade dos dois lados entenderem o ponto de vista adverso já que a divisão é exposta, explorada e não se extrai qualquer conclusão. É verdade que o ponto de vista do ex-prefeito de Atlanta estava representado, mas como disse, sem muito efeito.

A boa notícia é que o episódio não debruçou-se apenas nessa discussão das estátuas, mas trouxe uma epidemia de uma doença rara no sul do país que atingia principalmente a comunidade negra por estar em áreas vulneráveis. Sabe-se que há uma cura a partir de um remédio caríssimo, cujo governo está disposto a conseguir nem que tenha que processar o fabricante do medicamento. Tal medida é necessária porque, por incrível que pareça, o presidente da empresa acredita que a união está violando seu direito a livre concorrência e o capitalismo está, de alguma forma, sob ameaça.

Essa discussão me fez lembrar do caso de Martin Shkreli, cuja empresa aumentou deliberadamente os preços dos medicamentos essenciais para AIDS em 2016 e perante a comissão da Câmara Federal zombou dos deputado. Felizmente, Designated Survivor acerta mais na abordagem da questão da agressividade das grandes companhias diante de uma cirse humanitária, porque expõe o grande poder que esses empresários possuem na tomada de decisões e ainda tenta entender como que alguém pode igualar livre mercado com pessoas doentes e correndo risco de vida.

Em síntese, acredito que a ideia aqui é importantíssima, visto que a polarização atual não permite que sequer exista uma discussão, mas o diálogo precisa ser mais inteligente, mais desenvolvido e que saia do lugar comum. O telespectador precisa e merece algo assim, tal qual o país. Quanto à outra proposta, acredito que o tom foi mais acertado e a história mais bem construída apesar da resolução ter sido clichê e previsível.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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