Designated Survivor – 2×04 – Equilibrium

Imagem: Ben Mark Holzberg/ABC/Divulgação

Para quem ainda tinha dúvidas sobre a possibilidade dos roteiristas de Designated Survivor investirem ainda mais no comentário social, principalmente depois da proposta de discussão em torno da retirada ou não das estátuas de soldados e generais confederados na semana anterior, em “Equilibrium” temos uma história ainda melhor e mais interessante – guerra comercial entre os Estados Unidos e o México, amplamente discutidas em razão das renegociações do NAFTA em Washington, D.C., Cidade do México e Ottawa.

Imagem: Ben Mark Holzberg/ABC/Divulgação

Diferentemente do episódio anterior, todo o foco do roteiro foi no conflito que acontecia entre caminhoneiros e autoridades alfandegárias na fronteira entre México e Estados Unidos no Texas. O desenvolvimento não foi original, até porque nós já imaginávamos como que essa trama seria resolvida, mas a coerência e a inteligência fez com que as discussões propostas fossem positivas, que a mensagem foi acertada e modulada da maneira correta e, principalmente, que nós não vimos o uso de nenhuma ferramenta nociva a qualquer narrativa. Foi claro, rápido e sem clichês.

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Algo que vem me agradando desde a primeira temporada é a introdução, ou o não abandono, dos conflitos com o Congresso. Tivemos um embate fenomenal com um Senador de Montana no debate sobre mais controle na venda de armas, e agora com membros do Congressional Hispanic Caucus (ala do congresso dedicada a assuntos relacionados à comunidade latina e hispânica). Esses duelos dão mais verossimilhança a história e um senso de realidade que a ficção vem perseguindo cada vez mais. É uma pena que não saibamos qual estado que a Senadora Flores representa, já que poderia fazer um excelente contra ponto com a realidade, mas espero que não abandonem o legislativo.

Pela primeira vez vejo alguma perspectiva nessas operações desconexas que a personagem de Maggie Q tanto participa. Uma tramoia, especialmente ligada a pagamento de propinas para melhor acesso a administração pública, envolvendo a mãe da primeira dama é tudo o que a série precisava para crescer daí para frente. É interessante e mais atual do que nunca, espero apenas que Alex não fique limitada a tal trama. Sabemos que a atriz está de saída, por isso é de suma importância que consiga despedir-se em grande estilo.

“Equilibrium” é sem dúvida um dos melhores episódios até agora, onde temos todos os elementos que funcionam alinhando-se com tramas em construção (ou reconstrução). Tivemos uma ótima narrativa cômica que não bebeu no ridículo para crescer, além de um bom momento para Adan Canto mostrar suas habilidades mais dramáticas ao ser confrontado com seu passado do outro lado da fronteira.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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