Desvendando The OA: teorias e segredos da série

As teorias de The OA

The OA pegou todo o mundo de surpresa. Sabia-se na indústria que Brit Marling e Zal Batmanglij, dupla conhecida do cenário independente norte-americano, estavam trabalhando em uma série original para a Netflix. Mas só. Não havia sinopse, trailers, imagens ou elenco definido. Em um dia, de repente, a plataforma de streaming faz o que já está acostumada: libera um vídeo surpresa, atiçando a curiosidade do público. O mais insano é que a estreia estava marcada para dias depois. Sem muito tempo para pensar, todos viram o programa chegar e surpreender com sua trama diferente de tudo já visto. Embora arriscado (quem não divulga seu produto hoje em dia?), é uma decisão sábia: The OA depende das surpresas guardadas em seus capítulos, ela precisa que o público esteja desarmado e aberto às possibilidades. Com uma grande campanha de marketing, é bem provável que muito da história seria descoberto antes, estragando a experiência.

Continua após as recomendações

Dito isso, depois de assistirmos tudo e passarmos horas quebrando a cabeça e discutindo sobre a trama, decidimos jogar um pouco de luz sobre os inúmeros segredos do show. Vale apontar que nada aqui é uma verdade absoluta. Tudo se baseia no que vimos durante os ótimos oito episódios de estreia de The OA. Não tivemos acesso a nenhuma notícia ou roteiro. Com o que temos em mãos, começamos a montar o quebra-cabeças. No final, algumas peças ficaram de fora e outras ainda não parecem bem encaixadas, mas a figura começa a se formar. E ela é linda.

O que é OA?

Comecemos pelo mais fácil. São explícitos pelo menos dois significados interessantes ao termo OA. O primeiro, sugerido por Prairie na metade da temporada, deriva da palavra “away”. A sonoridade de “away” lembra o som das vogais O e A em inglês. Além disso, a palavra away tem muito significado na própria trama, já que o “distante”, o remoto e o além, estão sempre em voga. O outro significado é mais explícito e acessível, mas rende uma série de questionamentos. Na reta final da temporada, Prairie refere-se a si mesma como Original Angel (Anjo Original), o que faz total sentido dentro da história, já que a protagonista considera a si e seus parceiros de cativeiro como anjos.

Continua após a publicidade

OA mentiu ou contou a verdade?

Saindo do fácil, vamos ao mais direto e o que todos querem saber: OA mentiu sobre seu tempo no cativeiro? Toda a sua história sobre movimentos, dimensões e anjos era uma mentira? Particularmente, não. Prairie/OA contou a verdade. Há provas disso espalhadas pela séries, assim como também há provas de que ela contou pequenas mentiras. Se OA sofre algum distúrbio é uma outra questão, mas o que ela contou é verdade. Ou ela acredita ser verdade.

A série como um todo, afinal, é sobre acreditar. Dito isso, a trama depende que nós, espectadores, acreditemos na história e na protagonista. Faz diferença se OA mentiu, sendo que ela acredita piamente na história? É possível que alguns detalhes tenham sido omitidos ou totalmente inventados, mas o cerne é verídico. O quadro geral, contudo, necessita da nossa crença. A série oferece todas as ferramentas e deixa que cada um de nós tire suas conclusões: você prefere acreditar em OA ou duvidar? Nós, assim como os personagens, temos o direito de acreditar ou negar tudo.

Quem não acredita na jovem, logo cita os livros encontrados por French, que supostamente revelariam a mentira por trás de tudo. O que nos leva ao próximo tópico…

O que são os livros? Eles são de OA ou foram plantados na casa?

Fica claro que cada livro representa um elemento-chave da história de OA. Há um livro sobre as grandes famílias russas, outro sobre anjos e assim sucessivamente. As questões que ficam são: Prairie comprou e criou suas histórias a partir dos livros? Os mais céticos dirão que sim, mas não acredito nisso. É possível, sim, que os livros sejam realmente de OA e que ela os tenha comprado e lido, mas não para inventar a história, mas entendê-la. Assim, Prairie comprou os livros para que fim? Caso ela tenha obtido os livros pessoalmente, é possível que assim tenha feito para que pudesse entender toda sua trajetória. Não é absurdo pensar que ela buscou informações sobre o passado. É tolo pensar que ela quis saber mais sobre a vida na Rússia ou a crença em Anjos? Claro que não.

screen-shot-2016-12-19-at-20521-pmpng.png

Mas a grande questão é: os livros são de Prairie? A maior possibilidade é que os volumes não sejam da jovem. Alguém os colocou no quarto dela para que alguém os descobrisse. O provável responsável? Elias, o cara do FBI que parece muito bonzinho. Por quê? Pra começar, o FBI parece saber de algo desde o início, e Elias parece particularmente envolvido com toda a história de OA. Além disso, ele parecia muito interessado e disposto a descobrir detalhes sobre a vida dela. Mas o principal: o que Elias fazia na casa de Prairie no meio da noite? Ele pode ter ido ajudar, mas isso parece pouco provável. Teorias apontam que ele plantou os livros na casa, para que os amigos de OA achassem e passassem a desconfiar da amiga.

Sem os companheiros, Prairie estaria sozinha e vulnerável, estando aberta às investidas de Elias, que entraria ainda mais em cena para descobrir o passado do Anjo Original. Ou ele (e o FBI) querem apenas abafar o caso. Mas Elias parecia estar chegando na casa, e os livros já estavam lá. Então, por que ele retornou ao local, se já havia plantado o que queria? É possível que ele já estivesse na casa, e não chegando. Ele talvez tivesse acabado de guardar os livros no quarto.

Elias – ou o FBI – sabe de alguma coisa? Como ele sabe?

Não é claro se o FBI sabe sobre o passado de OA, Hap e todo o experimento. É possível que apenas Elias tenha mais informações sobre tudo isso. Mas como ele sabe? Isso nos leva a outra pergunta: Hap trabalha sozinho? Não é absurdo imaginar que Hap tenha contatos e ajudantes fora da casa. Uma prova disso é o encontro entre ele e outro médico. Fica óbvio que o sujeito também fez ou ainda faz pesquisas sobre Experiências de Quase Morte, e ainda podemos perceber que Hap talvez tenha ou trabalhado com ele ou roubado algumas de suas ideias e estudos. Hap definitivamente não anda – ou andou – sozinho nessa história toda.

Com isso, é possível, embora pouco provável, que Elias conheça Hap. Ele pode ser um admirador do trabalho do médico ou até mesmo um ajudante. Hap deixou OA sozinha na estrada, então é possível que ele tenha enviado ou pedido ajuda para alguém seguir os passos e controlar Prairie. Caso tudo isso seja bobagem, temos outras três opções: 1) Elias e o FBI já estão investigando o caso há mais tempo; 2) eles não estão investigando, mas Elias acredita em OA; 3) Elias não sabe de nada e tudo é uma coincidência.

French e Homer e todos são versões alternativas uns dos outros

Fica implícito que o grupo de amigos no presente é um espelho do grupo de cativos no passado. Homer aparecendo no reflexo de Franch deixa isso claro – e confuso. Mas não só ele seria um versão alternativa de outra pessoa. É possível que os grupos estejam em dimensões diferentes. É possível, também, que eles habitem a mesma dimensão (como prova o vídeo que Prairie assiste no início da temporada e traz Homer no hospital, depois do acidente no jogo), mas sejam realmente versões alternativas um do outro, algo como almas relacionadas ou gêmeas, equivalentes.

frenchor-homer.png

French é Homer: ambos são esportistas, possuem algumas características em comum e possuem forte ligação com OA. Betty tinha um irmão com sérios problemas com drogas, enquanto Scott é um usuário de drogas (vale apontar que Betty diz ter uma forte ligação com o irmão falecido). Buck e Rachel cantam, Jesse e Renata tocam violão e guitarra. Mas e Stevie? Ele seria o equivalente de OA, perdido no mundo, líder do grupo, fora a semelhança física.

Rachel é uma agente do FBI.

Fãs apontam em fóruns que Rachel é, possivelmente, uma agente do FBI infiltrada. E a teoria faz sentido. Primeiro porque o nome dela aparece em braile no lugar onde Elias atende. Além disso, ela é a única que não traz um movimento ao processo. OA, Homer, Scott e Renata descobrem e levam um movimento, enquanto o quinto é revelado pela esposa do xerife. Isso porque Rachel não tem habilidades, ela está ali apenas para coletar informações. Ela não faz parte do experimento.

rachel-and-her-dead-plants.png

As plantas mortas na cela de Rachel.

A teoria é tão boa que corrobora outra teoria: a de que Hap não está sozinho e o FBI está por dentro de tudo. Rachel está no cativeiro para conhecer aquelas pessoas, entender o experimento e ainda manter um olho em Hap. Outro detalhe importante: ela é uma das personagens cujo passado menos aparece ou é comentado. Outras apontam que as plantas em sua celas são as únicas sem vida.

O que aconteceu no final?

Muita gente ficou confusa no final, mas o desfecho não é difícil de entender, pelo contrário. O que complica tudo é o fato de não sabermos o que acontece depois ou onde OA estava na última cena. O que possivelmente ocorre é que, com os movimentos executados pelos cinco companheiros, o “portal” se abriu. OA levou um tirou e pode ter morrido. Lembre-se que era morrendo que ela acessava novas informações e dimensões. Pode ser que ela tenha falecido na ambulância ou no hospital e, quando acordou, já estava na outra dimensão. Sua morte aliada ao portal aberto permitiu o acesso à dimensão onde Homer estava.

screentheoa

Cinco rachaduras convergem em um ponto (o tiro). Cinco amigos se juntam por OA.

Outra possibilidade interessante é de que OA não tenha ido para outra dimensão, mas que Homer tenha vindo para a dimensão dela. Com a passagem aberta, é possível que OA tenha acordado no hospital (o ambiente era demasiado branco) e encontrado Homer que veio vê-la.

Por fim, encerro com a imagem abaixo:

Você acredita?

Continue acompanhando as novidades do Mix de Séries.

  • Além disso, siga nossas Redes Sociais (InstagramTwitter, Facebook).
  • Baixe também nosso App Mix de Séries para Android no Google Play (Download aqui) e fique por dentro de todas as matérias do nosso site.
Tags The OA