Se você cresceu vendo animações como Batman: A Série Animada, Avatar: A Lenda de Aang ou Samurai Jack, e sente falta da era dourada dos desenhos cheios de ação, Devil May Cry da Netflix é a série que vai te lembrar por que esse estilo nunca deveria ter saído de cena. E, mais do que nostalgia, ela entrega algo que poucos esperavam: um espetáculo visual eletrizante, com profundidade narrativa e muita personalidade.
Devil May Cry na Netflix precisa ser sua próxima maratona

Produzida por Adi Shankar — o mesmo nome por trás das elogiadas Castlevania e Captain Laserhawk —, a nova adaptação do clássico game da Capcom honra a essência da franquia, mas sem ter medo de tomar caminhos ousados.
Aqui, Dante está presente, sim, mas não é exatamente o centro da trama. A história gira em torno de uma ameaça interdimensional liderada pelo misterioso White Rabbit, que tenta romper a barreira entre a Terra e o Inferno. Enquanto isso, uma força-tarefa liderada por Mary é convocada para encontrar o caçador de demônios antes que seja tarde demais.
E é aí que Devil May Cry mostra sua força: mesmo com elementos clássicos de ação, como perseguições, tiroteios e combates insanos, a animação se permite mergulhar em temas mais densos. Há críticas afiadas à forma como tratamos o planeta, ao nacionalismo exacerbado e à hipocrisia religiosa — tudo isso sem perder o ritmo ou o impacto visual.
Devil May Cry é um espetáculo visual

Visualmente, a série é um espetáculo. A direção de arte mistura o gótico com o punk digital em um universo que parece prestes a colapsar a cada segundo. E se você curte referências pop, vai encontrar homenagens a Nosferatu, Matrix Reloaded, Homem-Aranha 2, Dredd e Iron Man 3 — tudo inserido de forma natural e inteligente. A trilha sonora, os efeitos sonoros e as lutas são de cair o queixo. Quase todo episódio parece uma sequência de clímax de filme.
O elenco de voz é outro show à parte. Johnny Yong Bosch dá a Dante o carisma necessário, Scout Taylor-Compton é pura atitude como Mary, e o saudoso Kevin Conroy entrega uma performance memorável. Hoon Lee rouba a cena, e o elenco de apoio completa a experiência com atuações consistentes e cheias de energia.
No fim das contas, Devil May Cry não é só uma ótima série de ação — é uma prova de que a animação adulta e de qualidade ainda tem (e merece) muito espaço. Ao lado de títulos como Arcane e Cyberpunk: Edgerunners, a produção reafirma o potencial do formato para contar histórias poderosas e visualmente arrojadas.
Se você ainda não deu o play, agora é a hora. E quando os créditos do oitavo episódio subirem, só uma pergunta vai ficar na sua cabeça: cadê a segunda temporada, Netflix?