Se tem algo que a Netflix sabe fazer, é apostar em thrillers políticos com premissas explosivas. Mas Dia Zero série estrelada por Robert De Niro, leva isso a outro nível.
Criada por Eric Newman, Noah Oppenheim e Michael Schmidt, a produção mergulha no caos de um ataque cibernético devastador nos Estados Unidos, que mata mais de 3 mil pessoas e coloca o país à beira de um novo desastre.
No centro da trama está George Mullen, um ex-presidente dos EUA interpretado por De Niro, que é recrutado para liderar uma investigação sobre o atentado. Mas, como esperado, o que começa como uma missão de busca por justiça logo se transforma em uma conspiração muito maior.
A série chegou hoje à Netflix e já está dando o que falar, tanto pelo seu elenco de peso quanto pelo tom perturbadoramente realista da história. Mas, por trás da produção, há uma jornada tão insana quanto a própria trama.
A ambição de ser o novo 24 Horas – e o erro estratégico da série

Desde que 24 Horas, estrelada por Kiefer Sutherland, fez sucesso nos anos 2000, diversas séries tentaram recriar sua fórmula: um herói improvável lidando com ameaças nacionais de alto nível. Séries como Designated Survivor e The Diplomat trouxeram versões atualizadas desse tipo de thriller político, cada uma com sua própria abordagem.
Com Dia Zero, os criadores encontraram uma ameaça contemporânea assustadoramente plausível: a vulnerabilidade de um mundo digitalmente conectado. O roteiro bebe da ideia de Duro de Matar 4.0, onde tudo pode ser hackeado – de semáforos a usinas de energia – transformando o país em um caos absoluto.
O problema? A série começa com essa premissa eletrizante, mas rapidamente esquece da própria trama principal. Ao invés de aprofundar o mistério do ataque cibernético, Dia Zero muda seu foco para os personagens secundários e suas tramas pessoais. Se a série tivesse mais episódios para desenvolver essa abordagem, poderia funcionar. Mas, com apenas seis episódios, a história perde fôlego, e a conspiração que deveria manter os espectadores vidrados acaba sendo apressada no final.
Personagens baseados na realidade – mas sem profundidade suficiente
Outro grande atrativo da série é sua tentativa de refletir o cenário político atual. O roteiro claramente se inspira em figuras da vida real para criar personagens como:
- Evan Green (Jesse Plemons), um analista crítico e afiado que parece inspirado em figuras reais da mídia.
- Monica Kidder (Rebecca Hall), uma bilionária do setor de tecnologia que lembra algumas das empresárias mais poderosas do Vale do Silício.
A ideia de trazer um realismo para o thriller político é interessante, mas Dia Zero falha ao não aprofundar seus personagens o suficiente. Ao invés de desenvolver camadas mais complexas para eles, a série muitas vezes os reduz a estereótipos.
A exceção fica por conta de Lizzy Caplan, que interpreta Alexandra Mullen, filha de George Mullen. Inicialmente apresentada como a clássica filha distante e obcecada pelo trabalho, sua trajetória na série acaba se tornando uma das mais intrigantes. Mesmo com o roteiro acelerado, Caplan consegue entregar uma performance que mantém o espectador investido no destino da personagem.
Robert De Niro carrega Dia Zero série nas costas
Se tem algo que salva Dia Zero de ser apenas mais um thriller político esquecível, é Robert De Niro. Em sua estreia no mundo das séries, o ator vencedor de dois Oscars dá um peso emocional gigante ao ex-presidente George Mullen.
Durante grande parte da série, ele transita entre momentos de autoridade imponente e vulnerabilidade, especialmente quando lida com seu estado mental debilitado e a dor da perda de seu filho. Mesmo que o roteiro não explore isso tão profundamente quanto poderia, De Niro eleva a história com sua presença magnética.
Mas, no final das contas, nem mesmo um gigante como De Niro pode consertar um roteiro que tropeça na própria ambição.
Vale a pena assistir Dia Zero?
A série tem um começo explosivo e um conceito intrigante, mas peca ao se perder no meio do caminho. Se você gosta de thrillers políticos e quer ver Robert De Niro brilhando em um papel intenso, Dia Zero série pode valer o tempo investido.
Mas se você busca uma história coesa, que mantém o mistério bem construído do início ao fim, pode ser que essa não seja a melhor opção.
Ainda assim, a série levanta debates relevantes sobre o poder da tecnologia, a fragilidade da segurança nacional e os perigos das conspirações políticas modernas. Se conseguir ignorar suas falhas narrativas, Dia Zero pode ser uma experiência tensa e, no mínimo, reflexiva.
A série já está disponível na Netflix – e se a conspiração vai te prender até o fim ou te deixar frustrado, só assistindo para descobrir.