Dica: 6 séries de agosto que você precisa assistir

O último mês antes da fall season chega com a calma esperada. Nada de grandes estreias e retornos. Agosto é, portanto, um respiro antes do longo mergulho que promete ser a fall, a mais atribulada temporada da TV. Aguarde, pois a próxima edição desta coluna promete trazer inúmeras dicas e novidades.

Por enquanto, fique com seis indicações do mês de agosto.

Imagem: Sky One

1 – Brassic (Sky One)

Nota: 88
Status: Renovada

Em um mês fraco como agosto, séries menores têm a chance de atingirem o público. Basta ficar atento ao que está sendo lançado fora do radar. Brassic é uma comédia britânica e encapsula tudo que há de bom no humor inglês. Da trama original e despirocada, alicerçada na simplicidade do cotidiano, aos diálogos e personagens imperfeitos, Brassic é o que comédias norte-americanas jamais serão. Não que lhes falte competência, mas contexto. Brassic respira cultura inglesa interiorana, flertando com a violência e a falta de rumo da recém-chegada vida adulta. Com isso, o projeto se aproxima de This is England ou dos trabalhos iniciais de Guy Ritchie. Direta ao ponto, faz rir sem que o humor seja seu objetivo principal, e entreter sem fazer esforço.

No piloto, um grupo de amigos precisa fazer um favor para um velho para que este siga emprestando espaço para guardar drogas e carros roubados. O favor: roupar um pônei para que o velho possa participar de uma competição. O roubo do pônei é um pontapé inicial de uma comédia de erros típica dos irmãos Coen. É uma Fargo nas entranhas do Velho Mundo.

 

Imagem: The CW

2 – Two Sentence Horror Stories (The CW)

Nota: 77
Status: Indefinido, com chances de renovação

Quase não dá para acreditar, mas uma das mais interessantes e eficientes séries de horror do ano vem da CW. Em Two Sentence Horror Stories temos uma antologia onde cada capítulo conta uma história diferente. Cada trama parte de duas sentenças básicas, frases que permitem o vôo livre de roteiristas criativos. Ancorado no trabalho de talentosas mulheres, à frente atrás das câmeras, TSHS é curiosa, divertida e consegue arrancas sustos e calafrios genuínos. Flertando com subgêneros do horror, a série visita o tropo da casa invadida, do corpo infectado, do serial killer e do fantasma oriental. No episódio que segue à risca o estilo de horror japonês, algumas sequências podem tirar o sono dos mais sensíveis.

 

Imagem: AMC

3 – The Terror: Infamy (AMC)

Nota: 75
Status: Indefinido. Série limitada com chances de renovação.

Assim como American Horror Story Castle Rock, The Terror busca contar uma história de horror diferente a cada temporada. No segundo ano, Infamy visita uma comunidade japonesa à sombra da 2ª Guerra e sob a ameaça de um poder sobrenatural desconhecido. Não tem o dinamismo da maioria das antologias, tampouco se entrega ao horror tradicional, de sustos e gore. É, na verdade, um drama histórico com pitadas de folclore sobrenatural. O ritmo e a abordagem são semelhantes aos do primeiro ano, quando acompanhamos a equipe de um navio isolada no gelo. Caso você não tenha gostado antes, é provável que não goste agora.

 

Imagem: Netflix

4 – Green Frontier (Netflix)

Nota: 73
Status: Série limitada

Série colombiana original da Netflix, Fronteira Verde acerta onde as produções brasileiras pecam constantemente: no elenco. Naturais, os atores e atrizes dialogam com segurança e conquistam o público mesmo sendo desconhecidos. Dirigida por Ciro Guerra, cineasta que vem chamando atenção no cenário internacional, Fronteira Verde parece mais uma trama de mistério, mas mergulha na densidade da mata amazônica para contar uma história sobre identidade, sociedade e as diferenças que dividem povos que não pensam da mesma forma, mas compartilham o mesmo sol. Com ótima fotografia Green Frontier é uma minissérie ágil e curta.

 

Imagem: Amazon Prime Video

5 – Carnival Row (Amazon Prime Video)

Nota: 70
Status: Renovada

Carnival Row pode sofrer do mesmo mal de diversas outras produções de fantasia e horror. Ancorada em uma mitologia massiva, a série joga uma infinidade de nomes e informações que podem espantar quem espera um divertimento mais rápido e menos denso. Não que o roteiro seja o mais elaborado ou inteligente, mas o universo é riquíssimo, repleto de criaturas e acontecimentos históricos que embasam o contexto no qual a trama se desenrola. Orlando Bloom e Cara Delavigne frequentaram a mesma escola de atuação inexpressiva, mas não comprometem o resultado. Trata-se de uma fantasia de visual irretocável e história minimamente interessante. Já foi renovada para uma segunda temporada, mas o formato limitado talvez fosse mais adequado.

 

Imagem: Netflix

6 – The Dark Crystal: A Era da Resistência (Netflix)

Nota: 70
Status: Indefinido

As marionetes permeiam a cultura pop de forma incisiva. Seja com os Muppets, em maior escala com a Família Dinossauro, com a Vila Sésamo ou Cristal Encantado, os “bonecos” estão no imaginário coletivo sob um verniz de carinho. Não deixa de ser corajoso, entretanto, a empreitada da Netflix em resgatar o Dark Crystal. O estilo e o charme das marionetes talvez não tenham o mesmo efeito no público atual, mas A Era da Resistência faz um bom trabalho ao resgatar a rica mitologia de Jim Henson, o gênio por trás de todos os programas citados neste parágrafo. Para quem não está acostumado, a dinâmica dos bonecos pode ser estranha, mas o visual da série é notável. A direção de arte riquíssima ajuda a construir um universo belo e crível. Os personagens são carismáticos e a narrativa crava as garras na atualidade.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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