Quase vinte anos separam as duas versões mais conhecidas de Doze é Demais (Cheaper by the Dozen): o sucesso de 2003, com Steve Martin e Bonnie Hunt, e o remake lançado em 2022 pelo Disney+, estrelado por Gabrielle Union e Zach Braff. Ambas contam a história de uma família grande e caótica tentando equilibrar amor, trabalho e rotina — mas as semelhanças praticamente param por aí.
A versão de 2022 atualiza completamente o conceito do filme, adaptando-o aos novos tempos, com temas como diversidade, famílias reconstituídas e questões raciais. A seguir, conheça as principais diferenças entre as duas versões.
1. Uma família diferente: agora os Bakers são reconstituídos
No filme de 2003, Tom e Kate Baker eram um casal tradicional: juntos desde a faculdade, criaram seus 12 filhos biológicos em uma casa barulhenta e cheia de confusões. Já no remake de 2022, Paul e Zoey Baker são um casal de segunda união.
Ambos chegam ao casamento com filhos de relacionamentos anteriores — e seus ex-parceiros, interpretados por Erika Christensen e Timon Kyle Durrett, continuam presentes na vida das crianças. Além disso, Paul e Zoey adotaram Haresh, um garoto sul-asiático que também faz parte da família.
A ideia do roteiro é refletir o formato moderno das famílias americanas, cada vez mais diversas e compostas por laços afetivos, e não apenas biológicos.

2. Nem tão “doze” assim
Enquanto o filme de 2003 honra o título e mostra exatamente 12 filhos, o remake da Disney para Doze é Demais faz uma brincadeira com os números. Paul e Zoey têm nove crianças — e o número “doze” só é atingido quando o sobrinho Seth vai morar com eles, formando uma “dúzia” ao somar os 10 filhos e os dois pais.
Essa nova composição é simbolizada até no nome do restaurante da família, que passa a se chamar “Baker’s Dozen”, uma forma criativa de incluir todos os membros no conceito.
3. O pai trocou o campo de futebol pela cozinha
No longa de 2003, Steve Martin vive um técnico de futebol americano que consegue um novo emprego em outra cidade, obrigando a família a se mudar e se adaptar a uma nova rotina.
Em 2022, Zach Braff interpreta Paul, um chef e dono de restaurante, que sonha em expandir seu negócio e vender um molho de café da manhã de sucesso. Essa ambição o afasta da família, reproduzindo o mesmo dilema do original, mas dentro de um universo mais próximo da realidade atual — em que empreendedores e pequenos empresários tentam equilibrar carreira e vida pessoal.
Curiosamente, o esporte não desaparece totalmente: o ex-marido de Zoey, Dom, é um astro do futebol americano e rivaliza com Paul pela atenção dos filhos.
4. A filha atleta assume o protagonismo em Doze é Demais
Outra mudança importante está nos filhos mais velhos. No filme de 2003, o destaque era Charlie (Tom Welling), o filho mais velho, jogador de futebol americano que sonhava com uma bolsa na universidade.
Já em 2022, quem brilha é Deja (Journee Brown), a filha mais velha e estrela do time de basquete da escola. A troca de gênero atualiza o papel de liderança dentro da família e rompe estereótipos, mostrando uma jovem esportista ambiciosa e independente.
5. De Illinois para a Califórnia
O cenário também mudou no novo Doze é Demais. A família Baker dos anos 2000 vivia no interior de Illinois e se mudava para a cidade universitária de Evanston, no mesmo estado. Já os Bakers de 2022 são californianos: saem do bairro de Echo Park, em Los Angeles, para o luxuoso Calabasas — e enfrentam o preconceito de vizinhos ricos que não entendem sua família numerosa e interracial.
A mudança reforça a crítica social do novo filme, que aborda diferenças de classe e o sentimento de não pertencimento.
6. A mãe agora é estrategista de marketing
Enquanto Kate Baker (Bonnie Hunt), no longa de 2003, era uma escritora que colocava a carreira em pausa para criar os filhos e depois publicava um livro sobre essa experiência, Zoey Baker (Gabrielle Union) é uma mulher de negócios.
Ela aplica sua experiência em marketing para ajudar Paul a transformar o restaurante em uma marca. Quando ele decide expandir o negócio e viaja sozinho, Zoey se sente deixada de lado — um espelho moderno do mesmo conflito vivido por Kate, mas com papéis invertidos.
7. Um retrato racial e cultural mais diverso no novo Doze é Demais
A diferença mais marcante nas duas versões de Doze é Demais está na composição racial da família. Zoey é uma mulher negra, Paul é branco, e os filhos representam diferentes origens étnicas. O filme aborda, ainda que de forma leve, situações de racismo — como quando Haresh sofre bullying na escola — e os desafios de criar uma família multirracial em um mundo ainda cheio de preconceitos.
Há também o conflito entre Paul e Dom, o ex-marido de Zoey, que teme que seus filhos percam suas referências culturais. Embora o tema não seja explorado em profundidade, ele dá ao remake um tom mais contemporâneo e socialmente consciente.

8. Humor mais leve, mensagem mais social em Doze é Demais
O Doze é Demais de 2003 era um caos cômico clássico, repleto de cenas pastelonas e trapalhadas das crianças — bem ao estilo dos filmes familiares dos anos 2000. Já a versão de 2022 busca um equilíbrio entre humor e drama, com foco maior nas relações entre os personagens e nas mensagens sobre diversidade, aceitação e pertencimento.
O resultado é um filme menos engraçado, mas com uma tentativa clara de representar as famílias modernas e suas complexidades.
A diferença entre os dois Doze é Demais
Em essência, os dois Doze é Demais contam a mesma história: pais tentando equilibrar carreira, filhos e amor. Mas o que muda é o espelho social em que cada um foi feito.
O de 2003 reflete o ideal de família tradicional e o humor inocente da virada do milênio. O de 2022, por sua vez, busca ser um retrato da diversidade contemporânea, com famílias reconstituídas, novos papéis de gênero e discussões sobre identidade racial.
Mesmo com estilos diferentes, ambos continuam fiéis à mensagem central da franquia:
“não importa o tamanho da família, o que realmente conta é o amor que a mantém unida.“