A série brasileira DNA do Crime retorna para sua aguardada 2ª temporada na Netflix com um clima ainda mais denso, colocando polícia e criminosos em um novo tabuleiro de gato e rato. E embora a nova leva de episódios entregue ação e boas reviravoltas, ela também toma decisões narrativas que podem dividir a audiência.
Isaac no centro do furacão
Agora foragido após a espetacular fuga do embaixador no final da 1ª temporada, Isaac — também conhecido como “O Fantasma” — está mais vulnerável do que nunca. Interpretado com intensidade por Alex Nader, o personagem é o verdadeiro eixo da temporada. Aos poucos, a série vai revelando mais camadas do seu passado e das motivações por trás de seus crimes.
Mas o que surpreende é como esse império criminoso que parecia imbatível começa a ruir lentamente. Os erros se acumulam, os aliados se dividem e o cerco policial, liderado por Suellen (Maeve Jinkings) e Benício (Rômulo Braga), vai se fechando com ritmo e precisão. A dinâmica entre os três continua sendo o ponto alto da série — há tensão, estratégia e, acima de tudo, uma compreensão de que o jogo nunca é apenas de mocinhos contra vilões.

Menos roubos, mais drama
Se você esperava mais planos mirabolantes como os da 1ª temporada, prepare-se para um ritmo diferente. Apesar do título original fazer referência ao DNA forense e aos crimes de grande escala, Criminal Code nesta nova fase se volta mais ao drama pessoal de seus personagens. E isso, em parte, funciona.
Cada personagem carrega uma carga emocional relevante: dilemas familiares, escolhas éticas e relações do passado que retornam com força. Esses elementos humanizam a narrativa, principalmente ao mostrar como cada um lida com o conceito de família. No entanto, essa abordagem mais intimista toma espaço que antes era ocupado pelos elaborados assaltos — algo que pode frustrar quem se apaixonou pela adrenalina do primeiro ano.
Ação crua e envolvente
Ainda assim, a temporada não deixa a desejar quando o assunto é ação. As cenas de tiroteio são intensas, bem coreografadas e inseridas com propósito. Diferente de outras produções do gênero, aqui a polícia não é apenas figurante: Suellen e Benício estão sempre a um passo do próximo movimento dos criminosos, e suas deduções são parte ativa da trama.
A direção de Pedro Morelli e Felipe Vellas segura bem o ritmo, mesmo quando o roteiro flerta com um certo excesso de exposição. Os episódios se mantêm longos (cerca de 55 minutos), e em alguns momentos essa duração pesa. Mas, no geral, a tensão é bem administrada.

Conexões que importam
O verdadeiro charme da temporada está nos laços — e nas rupturas — entre os personagens. Velhas alianças são testadas, novas relações surgem e, em muitos momentos, as fronteiras entre certo e errado se tornam difusas. Essa complexidade dá profundidade ao enredo e mantém o público investido até os minutos finais.
Os novos personagens também se destacam, não apenas como peças de apoio, mas como agentes de transformação. Eles enriquecem o panorama criminal e policial, dando fôlego extra à narrativa.
Sobre DNA do Crime 2ª temporada: o veredito
A 2ª temporada de DNA do Crime talvez não supere o impacto da primeira, mas entrega um bom equilíbrio entre drama e ação. Falta o brilho dos grandes golpes e um pouco mais de objetividade em certos arcos, mas o jogo psicológico e os embates morais continuam sólidos.
Se você busca uma série policial que não subestime sua inteligência e esteja mais preocupada em construir personagens do que em repetir fórmulas, essa nova temporada vai valer a maratona.
Nota: 3,5/5 — uma sequência competente, com menos adrenalina, mas mais alma.