Do Céu à Terra – A origem de The 100

the100ESTANTE

Continua após publicidade

 

Continua após a publicidade

Muitos torcem o nariz quando ouvem o termo CW. Grande parte do público se afasta de uma série quando descobre que esta é produzida pelo canal. Tremendo preconceito. É notável que a rede segue voltada para o público jovem, mas não podemos deixar de notar e respeitar a tentativa do canal em variar o seu menu. Séries como Reign, Jane the Virgin, iZombie e a cancelada The Tomorrow People tentam dar uma nova abordagem à temas corriqueiros no universo televisivo e, guardados alguns problemas consideráveis, conseguem garantir certa originalidade em suas narrativas.

Continua após publicidade

Uma das melhores produções do canal é The 100, ficção pós-apocalíptica que faz um bom sucesso com o público e angaria comentários favoráveis da crítica. O show se passa 97 anos após uma guerra nuclear que dizimou quase toda a vida na Terra. Quem sobreviveu vive na Arca, uma grande estação especial que começa a encarar vários problemas, incluindo uma constante falta de recursos. Na Arca existe uma lei: quem comete crimes é sentenciado à morte. Superlotada e repleta de problemas, 100 jovens prisioneiros são colocados em uma nave e enviados para a Terra. O plano é simples: os adolescentes devem verificar se o planeta ainda é habitável; caso não seja, eles são culpados pelos crimes e podem morrer. Não há perdas muito grandes, enfim.

THE100LIVROO plano de fundo é perfeito, portanto. Tanto a Arca quanto a Terra pós-apocalíptica são cenários lindos (pontos para o ótimo design de produção e a bela escolha de locações) que garantem grandes momentos no programa. Não demora, por exemplo, para “os 100” descobrirem que o planeta não é tão desabitado como eles imaginavam. Assim, The 100 é uma sucessão de boas ideias que ainda incluem os selvagens sobreviventes que vivem na superfície terrestre e animais mutantes que sofreram as consequências da guerra nuclear.

Continua após publicidade

Muitas dessas ótimas ideias vêm direto dos livros escritos por Kass Morgan. A autora americana lançou o primeiro volume da (então) trilogia em setembro de 2013. A ideia central é basicamente a linha condutora do primeiro livro, que não se expande muito além do plot principal. A maioria das mudanças se encontra nos personagens e em alguns detalhes – um deles, por exemplo, é que, no livro, a trama se passa trezentos anos após o apocalipse termonuclear, e não apenas 97 anos como na TV.

O segundo volume, The 100: Day 21, começa vinte e um dias após o pouso da nave na Terra. Day 21 começa a expandir, nas páginas, o que a série já começara a fazer logo na primeira temporada. A descoberta dos “terrestres”, por exemplo, vem apenas no último capítulo do primeiro livro, enquanto, no programa, a ameaça surge bem rápido, ainda na primeira metade do primeiro ano. O terceiro volume, Homecoming, mostra o desenvolvimento dos “100” como uma pequena sociedade, as relações interpessoais, idas e voltas para a Arca, etc.

As diferenças entre os personagens começam logo com a protagonista. O passado de Clarke envolvendo seus pais é um tanto diferente e seus envolvimentos amorosos também divergem. No livro a personagem está dividida entre Wells, filho de Jaha, e Bellamy. Ian não existe nas páginas, apenas na TV. Bellamy, por exemplo, é muito mais gentil e boa praça, nos livros do que na série, onde faz o papel do vilão com fundo humano. Octavia, outra personagem central do programa, não é muito diferente daquela vista no livro. Jaha, o líder da Arca, parece ter bem menos espaço em sua versão literária, onde passa a maior parte do tempo em coma.

O interessante de tudo, porém, são os personagens criados exclusivamente para o show. Eles não só são vitais para a trama da série como são ótimos personagens. A começar por Finn, um dos protagonistas. Ele é basicamente uma fusão de características das versões impressas de Bellamy e Wells. Além disso, Finn surge como a bússola moral em um universo repleto de personagens de moral duvidosa. Sua criação é compreendida quando enxergamos o personagem como uma ligação mais direta entre a história e o público, que consegue se identificar com ele. Outros personagens importantíssimos dentro da adaptação são Abby e Marcus, que dinamizam várias tramas e movimentam diversas peças.

The 100, então, surge como uma adaptação que sabe tirar o melhor do material original, criar novas ideias para compor um material forte, excluir o que não funciona e o melhor: levar as boas ideias para outro nível, construindo um bom projeto que alia aventura, ficção e suspense em um ótimo cenário pós-apocalíptico.