Doce de Mãe – Gente como a Gente

É difícil encontrar atualmente na tv algo mais delicioso que Doce de Mãe. Leve, engraçada, melancólica. A série não arranca gargalhadas como as típicas sitcons, ela faz melhor, nos deixa o episódio inteiro com um sorriso no rosto.

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Com um roteiro excelente de Jorge Furtado (sempre ele <3), Ana Luiza Azevedo e Mauro Wilson, e direção geral do próprio Jorge, a série traz uma fotografia impecável, e interpretações inesquecíveis para personagens nada mais do que verdadeiros.

Surgida de um tele-filme produzido em 2012 também pela Casa de Cinema de Porto Alegre, a série traz a história de Dona Picucha, a tal Doce de Mãe do título, vivida por Fernanda Montenegro, é uma viúva de 85 anos de idade, mãe de quatro filhos. Sim, todos os dilemas da idade e as questões familiares estão ali, mas para entender Dona Picucha você precisa primeiro se libertar de todos os preconceitos e claro, estereótipos de avós que a ficção já trouxe.

 

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Dona Picucha não é aquela vovó fofinha, com as bochechas rosadas, e que passa o dia inteiro tricotando em sua fazendinha do interior. Não, Dona Picucha é gente como a gente. Antenada, divertida, extremamente ativa, ela usa skype para conversar com os netos, adora tomar uma cerveja, é fã de pagode, adora um bom protesto, não se acomoda e, principalmente, não deixa que a “tragédia” da idade a deixe abatida. Ao contrário das “Donas Bentas” da ficção, Dona Picucha é de verdade.

Aliás, não é apenas Dona Picucha que causa esse “reconhecimento”, seus filhos (vividos por Marco Ricca, Louise Cardoso, Matheus Nachtergaele e Mariana Lima) também poderiam fazer parte da nossa família. Com dilenas reais, mas nada dramatizados, Doce de Mãe já nos trouxe o “segundo” beijo gay da Globo sem grandes alardes, apenas com a naturalidade que a situação merece.

Lindamente produzida e interpretada, Doce de Mãe encanta sem apostar em efeitos especiais ou tramas complexas. Fernanda Montenegro merece todos os reconhecimentos, ao novamente mostrar sua excelência ao interpretar uma de suas personagens mais inesquecíveis. Uma série que realmente é um doce.

Letícia Bastos

Letícia Bastos

Publicitária, social media, mangaká e dançarina em protestos. Também sou apaixonada por séries e admito que novelas são meu Guilty Pleasure. Apaixonada por comédias cult/pop/nerd, ainda pretendo fundar uma seita para os Adoradores de Arrested Development. Aqui no Mix sou editora de Realitys Show e escrevo as reviews de todos os realitys do mundo, como Masterchef BR, The X Factor UK e BR, The Voice US, AUS e BR, BBB e RuPauls Drag Race.

4 comments

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  1. Avatar
    Natália Lippo 8 abril, 2014 at 13:26 Responder

    Diz pra mim que não vai acabar! Já to sofrendo de ficar longe da dona Picucha! Enquanto muita gente valoriza as séries com tom sério, voltadas para soluções de casos de policia etc etc etc, “Doce de mãe” leve, muito bem amarrada, divertida e fofa é tudo o que eu queria assistir todo dia a noite. Globo, cancela a novela?

  2. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 8 abril, 2014 at 15:33 Responder

    Eu só assisti ao especial de fim de ano e amei, não assisti a série por falta de vergonha na cara e sono, tentarei assistir. Se for igual ao especial, deve ser algo de qualidade com elenco de primeira.
    Ótimo texto como sempre Let <3

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